ONU pede a Bangladesh que receba refugiados da minoria rohingya em fuga

A agência da ONU para os Refugiados no Bangladesh pediu hoje a Daca que receba os refugiados da minoria étnica muçulmana rohingya, que fugiram da Birmânia na sequência de uma operação militar.

© Reuters
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O Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR) pede ao governo do Bangladesh que dê um lugar seguro no seu território aqueles que precisam de segurança imediata e ajuda básica", disse à agência noticiosa espanhola EFE o representante do ACNUR no país, Shinji Kubo.

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Kubo indicou que a agência não pode confirmar independentemente o número de membros da minoria muçulmana rohingya que estão a chegar ao país e a situação em que se encontram, devido à falta de acesso à zona fronteiriça.

"De acordo com informações de várias agências humanitárias, cerca de 10 mil rohingyas chegaram ao Bangladesh nas últimas semanas", disse o responsável, acrescentando que "a situação altera-se muito e o número real pode ser muito mais elevado".

O êxodo da minoria rohingya aumentou na sequência de uma operação lançada pelo exército birmanês no estado de Rakhine (oeste), a 09 de outubro, na sequência de um ataque alegadamente perpetrado por rebeldes rohingyas.

Cerca de 30 mil pessoas abandonaram as suas casas e fugiram para o Bangladesh, onde denunciaram violações, torturas e homicídios cometidos pelas forças de segurança birmanesas.

O Bangladesh aumentou as patrulhas junto à fronteira para tentar impedir os rohingya de entrar no país, mas na semana passada indicou que milhares tinham chegado ao país.

A condenação internacional da operação militar birmanesa contra a minoria rohingya levou a líder de facto da Birmânia, Aung San Suu Kyi, a prometer trabalhar para a "paz e reconciliação nacional", sem mencionar a violência no estado de Rakhine.

Suu Kyi falava num fórum de negócios em Singapura, o segundo maior investidor estrangeiro na Birmânia depois da China, defendendo que o país necessita de estabilidade para atrair mais investimento.

"Como sabem, temos muitos desafios. Somos um país feito de muitas comunidades étnicas e temos que trabalhar para conseguir estabilidade e o estado de Direito", disse a líder, de 71 anos.

Depois da visita de três dias a Singapura, Suu Kyi tinha previsto uma viagem à Indonésia, o maior país muçulmano do mundo, que anulou, na sequência de várias manifestações populares e de uma tentativa de atentado contra a embaixada birmanesa em Jacarta.

"Adiámos a visita a Indonésia devido aos problemas no estado de Rakine, mas também no norte do estado de Shan", palco de um outro conflito étnico, disse à agência noticiosa France Presse (AFP) Aye Aye, vice-ministra dos Negócios Estrangeiros birmanês.

 

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