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Chá da Rosa, o que tem brasas presas por arames nas ruas de Maputo

Nas mãos de Rosa, entre o trânsito das ruas de Maputo, uma chaleira brilha, amarrada com arames a um fogareiro, um improviso para as brasas vermelho fogo vencerem o frio das manhãs do inverno que está a chegar.

Chá da Rosa, o que tem brasas presas por arames nas ruas de Maputo
Notícias ao Minuto

08:07 - 29/05/22 por Lusa

Mundo Maputo

Passear pelo meio do trânsito - ainda para mais com brasas penduradas - parece não ser o lugar de uma chaleira, mas na capital moçambicana a realidade molda-se à necessidade de arranjar um sustento, conta Rosa Carlos à Lusa.

Na azáfama do mercado do Xiquelene, à pressa, vende chá e café a quem passa e aos vendedores que instalam as bancas, num dos maiores quadros vivos da economia informal - na qual vive a maioria dos moçambicanos.

"Porta a porta ou banca a banca, o meu trabalho é distribuir chá. Há também aqueles clientes que estão a passar e pedem chá ou café: eu distribuo", explica à Lusa a comerciante informal de 32 anos, sentada no meio do mercado, a poucos metros da Praça dos Combatentes.

O negócio é simples e prático, embora exija um respeito rigoroso pelo tempo.

Cada minuto conta: Rosa precisa de contornar charcos de água e ruelas precárias num dos mais movimentados mercados da capital moçambicana para distribuir as bebidas quentes até ao meio-dia.

"No inverno, sem dúvida, há maior adesão. O cliente quer chá para se aquecer", conta Rosa, que está neste negócio desde 2017.

Em média, por dia, Rosa vende 70 chávenas e os preços variam entre 10 meticais (14 cêntimos de euro) por um chá simples e 25 meticais (36 cêntimos de euro) por um café ou um chá com leite.

"Eu já tive tempos melhores, em que realmente consegui tirar daqui o pão de cada dia. Hoje as coisas estão mais complicadas com estas crises [...], os produtos estão mais caros. Mas, mesmo assim, dá para sobreviver com o meu negócio e sustentar a minha filha", conta a comerciante.

Se, por um lado, a distribuição exige rapidez, por outro, Rosa sabe que é preciso ter cuidado, na medida em que a água que leva na chaleira, que está amarrada ao fogão, ferve e o carvão está aceso.

Um risco, no meio da azáfama de um mercado em que não se medem esforços na luta pelo sustento.

"Sinto medo porque um dia este ferro pode ceder e, caso eu esteja a andar, isso pode queimar-me. Mas a vida obriga-me. Os clientes gostam de chá mesmo quente e tem de ser aquele chá que está realmente a ferver", diz.

Inês Fernando é uma por entre vários clientes que escolhem o chá da Rosa para começar o dia.

"O chá dela tem bom cheiro e está sempre bem quente", por isso é o preferido.

Mas não é o único: não muito longe de Xiquelene, no mercado de Xipamanine, Herculano Nalito, 35 anos, também preferiu apostar na venda de chá e café para sustentar a família.

Embora lamente os longos percursos que tem de enfrentar, conta que "dá para ganhar a vida".

"Eu percorro 10 quilómetros, quase todos os dias [...] Mas consigo ter o dinheiro para o sustento e para a escola dos meus filhos", relata, enquanto abre o termo para servir mais um cliente.

No mercado de Xipamanine, os clientes são aparentemente menos exigentes e Herculano não precisa levar uma chaleira.

O jovem leva apenas um recipiente para conservar a água quente e algumas chávenas, numa cesta que leva debaixo do braço ao cruzar as ruelas do mercado de forma mais rápida possível.

"Eu sinto-me muito bem. Prefiro fazer isto e não roubar ninguém, criando problemas que podem acabar por me levar para a cadeia. Prefiro fazer este meu negócio", atividade que o leva já para a próxima ruela, de onde o chamam: há mais um chá para servir.

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