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"Enquanto houver desigualdade, haverá tuberculose"

O investigador brasileiro Ricardo Arcêncio, atualmente a trabalhar em Portugal, defendeu hoje que enquanto houver desigualdades haverá tuberculose e alertou que crises como a que Portugal vive podem fazer aumentar os casos da doença.

"Enquanto houver desigualdade, haverá tuberculose"

"A tuberculose é uma doença de complexidade social. Onde há desigualdade social, a tuberculose assume maior força", disse o investigador à Lusa, nas vésperas do Dia Mundial da Tuberculose, que se assinala na segunda-feira.

Para o professor da escola de enfermagem de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo, o desenvolvimento de novas tecnologias médicas de tratamento e diagnóstico "não vai resolver o problema da tuberculose", sendo necessário investir nas questões sociais.

A conclusão resulta do trabalho de investigação realizado pela Rede Brasileira de Pesquisa em Tuberculose, de que faz parte Arcêncio, e que envolve investigadores de diversas áreas do conhecimento para o controle da tuberculose no Brasil.

Uma das conclusões desse trabalho, ainda em curso, é que há grupos que estão numa situação de "vulnerabilidade social extrema" à tuberculose, contou o especialista, atualmente a desenvolver um estágio pós-doutoral no Instituto de Higiene e Medicina Tropical, da Universidade Nova de Lisboa.

Para esses grupos, acrescentou, "o diagnóstico é mais demorado, os tratamentos são mais inapropriados e a probabilidade de sucesso é baixa".

Em causa está "a própria posição social" dos doentes, para quem é mais difícil aceder aos serviços de saúde, porque muitas vezes buscam recursos alternativos, como chás caseiros, que atrasam o diagnóstico ou até devido ao estigma social associado à doença.

"Para estas pessoas, a tuberculose tem de ser mais impactante negativamente", concluiu.

Por isso, Arcêncio defendeu que "quando se quer corrigir a tuberculose, tem de se corrigir os problemas sociais".

Questionado sobre se a crise em Portugal poderá levar a um retrocesso no controlo da tuberculose, o investigador, sublinhando não conhecer bem a situação portuguesa, afirmou ser possível que isso aconteça.

"A crise económica pode levar a uma desigualdade social e isso pode ser um fator que leve a mais tuberculose porque a estabilidade social fica comprometida", afirmou.

O cientista reiterou que "o investimento em políticas de bem-estar social é um elemento-chave" para combater a tuberculose.

O Brasil, assim como Moçambique, é um dos 22 países considerados altamente atingidos pela doença - que representam 80% do peso da tuberculose no mundo.

Segundo dados oficiais disponibilizados por Arcêncio, a taxa de incidência da tuberculose no Brasil foi de 36,1 por 100.000 habitantes em 2012 e a taxa de mortalidade em 2010 foi de 2,4 por 100.000.

O investigador sublinhou que o Brasil tem avançado muito no combate à doença e recordou que a meta da Organização Mundial de Saúde (OMS), de reduzir a prevalência da doença em 50% até 2015, deverá ser alcançada.

Já quanto a outra meta, a da erradicação da tuberculose até 2050, Arcêncio admitiu ser "ainda um grande desafio para o Brasil".

Em Portugal, segundo o último relatório da OMS, divulgado em outubro, a doença está estabilizada, com uma incidência em 2012 de 26 casos por 100 mil habitantes, a mesma de 2011.

Segundo o mesmo documento, a tuberculose matou 140 pessoas em Portugal em 2012 (uma taxa de mortalidade de 1,3 por 100 mil habitantes), quando em 2011 tinham sido 150 e em 2010 130.

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