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Conferência em Tripoli para consolidar a transição antes das eleições

Uma conferência internacional decorreu hoje em Tripoli na presença de representantes de cerca de 30 países para consolidar o processo de transição na Líbia, a dois meses de uma eleição presidencial crucial para o futuro do país.

Conferência em Tripoli para consolidar a transição antes das eleições
Notícias ao Minuto

14:54 - 21/10/21 por Lusa

Mundo Líbia

"Tripoli restabeleceu-se. É a capital de todos os líbios", declarou o chefe do Governo interino, Abdelhamid Dbeibah, no seu discurso de abertura da "Conferência de apoio à estabilidade da Líbia", a primeira do género a decorrer no país desde há dez anos.

"A vossa presença é a prova de que estamos comprometidos no caminho da paz", assegurou, antes de prometer que as eleições vão decorrer "na data prevista", em dezembro, e apelar ao "respeito dos resultados".

"Não existe estabilidade sem uma soberania nacional plena", afirmou por sua vez a ministra dos Negócios Estrangeiros líbia, Najla al-Mangoush.

A reunião, com a participação de 30 países e de organizações internacionais, decorre num momento em que o país da África do Norte tenta ultrapassar uma década de guerra civil e caos após a queda em 2011 do regime de Muammar Kadhafi.

Após anos de conflitos armados e divisões entre o leste e oeste do país, foi designado um novo Governo interino no início deste ano, sob a égide da ONU, para uma saída do conflito e que implicará uma decisiva eleição presidencial agendada para 24 de dezembro, seguida de um escrutínio legislativo.

A secretária-geral adjunta da ONU para os assuntos políticos, Rosemary DiCarlo, insistiu na importância do escrutínio de dezembro para "concluir a fase transitória", e apelou às organizações internacionais que mobilizem "enviados especiais para observar esta operação" e garantir a transparência do ato eleitoral.

Num momento em que a Líbia enfrenta múltiplas acusações de maus-tratos aos migrantes em situação irregular, DiCarlo exortou as autoridades líbias a acelerar o repatriamento dos refugiados bloqueados no país e a libertarem os migrantes detidos.

Diversos chefes da diplomacia, incluindo o francês Jean-Yves Le Drian e o italiano Luigi Di Maio, assistiram à conferência ao lado dos homólogos de países árabes, incluindo do Egito, Tunísia, Argélia e Kuwait.

O atual secretário assistente norte-americano para os Assuntos do Próximo Oriente, Yael Lempert, e Niels Annen, do ministério alemão dos Negócios Estrangeiros, também marcaram presença.

Para os responsáveis internacionais envolvidos na crise da Líbia, a prioridade consiste na concretização das eleições presidenciais e legislativas, rodeadas de incertezas devido às fortes dissensões internas.

Um dos objetivos consiste em "capitalizar a atual dinâmica para que a Líbia estabilize, porque diversos países pretendem uma Líbia estável, mesmo que seja pelas suas próprias condições", considerou Emadeddin Badi, especialista da Global Initiative sediada em Genebra, em declarações à agência noticiosa AFP.

Apesar de o conflito líbio ter sido muito fomentado por potências externas, Tripoli deseja "colocar o assento na necessidade de respeitar a soberania, a independência e a integridade territorial da Líbia", defendeu Najla al-Mangoush.

Em causa está também a complexa questão dos mercenários estrangeiros. Em dezembro passado, a ONU referiu-se à presença de cerca de 20.000 mercenários e combatentes estrangeiros na Líbia: russos do grupo privado Wagner, chadianos, sudaneses ou sírios. Para além de centenas de militares turcos devido ao acordo bilateral concluído com o antigo Governo de união nacional.

Tripoli já assinalou algumas saídas de mercenários, mas "muito modestas". No início de outubro, as delegações militares dos dois campos concordaram num "plano de ação global" para a sua retirada, sem avançar o calendário.

Outro ponto de discussão reside na unificação das forças armadas sob um comando único. Apesar de o país dispor atualmente, e teoricamente, de um poder unificado, a região oriental da Cirenaica permanece de facto controlada pelo marechal Khalifa Haftar, um dos prováveis candidatos às presidenciais.

Leia Também: Dez anos após a morte de Kadhafi, a Líbia ainda procura estabilidade

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