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Polícia chilena investiga violência contra imigrantes venezuelanos

A polícia chilena começou hoje a investigar as circunstâncias que levaram aos atos de violência cometidos no sábado passado em Iquique, cidade no norte do Chile, contra imigrantes venezuelanos que se encontram acampados nas ruas daquela localidade.

Polícia chilena investiga violência contra imigrantes venezuelanos
Notícias ao Minuto

19:31 - 27/09/21 por Lusa

Mundo Chile

No sábado, cerca de 5.000 pessoas participaram nas ruas de Iquique numa marcha anti-migração. A ação acabou por degenerar em confrontos e em atos de violência contra os imigrantes venezuelanos, que viram vários dos seus pertences, nomeadamente tendas, roupas e carrinhos de bebé, a serem queimados por pessoas que participavam na marcha.

As autoridades chilenas informaram que a polícia começou hoje a fazer um levantamento das pessoas afetadas pela violência, bem como uma avaliação dos bens que foram queimados e destruídos.

"Também foi solicitado como diligência que fossem recolhidas as imagens das câmaras municipais de videovigilância que possam ter captado os acontecimentos", afirmou, em declarações aos jornalistas, a procuradora Jócelyn Pacheco.

Os acontecimentos de sábado, que chocaram a sociedade chilena, já suscitaram a preocupação e as críticas do relator especial das Nações Unidas para os Direitos Humanos dos Migrantes, Felipe González, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e da Amnistia Internacional.

A marcha de sábado, durante a qual foram ouvidas muitas frases de teor xenófobo, aconteceu um dia depois da polícia ter dispersado várias famílias de imigrantes, incluindo crianças, que estavam acampadas numa praça de Iquique.

A cidade chilena de Iquique é a primeira grande zona urbana que os imigrantes encontram quando entraram no Chile através da Bolívia.

A passagem fronteiriça entre a pequena cidade chilena de Colchane e a Bolívia, uma zona de grande altitude e onde pelo menos 12 pessoas já morreram desde o início do ano, tornou-se nos últimos meses uma rota frequente para migrantes que tentam chegar ao Chile de forma irregular.

Por causa da sua estabilidade política e económica, o Chile é encarado como um dos países da América do Sul mais atrativos para os migrantes da região.

No Chile, existem 1,4 milhão de migrantes, o que equivale a mais de 7% da população, com os venezuelanos a serem maioritários, seguidos pelos peruanos, haitianos e colombianos.

Com o objetivo de travar as entradas irregulares, o Presidente chileno, o conservador Sebastián Piñera, promulgou em abril uma nova lei migratória mais rígida que exige que os cidadãos estrangeiros obtenham vistos nos respetivos países de origem.

A nova lei também permite que as autoridades chilenas possam deportar migrantes e, desde abril, mais de meio milhar de pessoas de diferentes nacionalidades foram expulsas do país.

Leia Também: Ataque a imigrantes no Chile preocupa UNICEF

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