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Operador da famosa escavadora trabalhou 21 horas/dia. Ainda não foi pago

Trabalhou durante cinco dias com uma a três horas de descanso por dia, para desbloquear o Ever Given, mas ainda não foi pago nem reconhecido pelo trabalho. Ainda assim, Abdullah Abdul-Gawad sente "orgulho".

Operador da famosa escavadora trabalhou 21 horas/dia. Ainda não foi pago

Abdullah Abdul-Gawad era o operador de retroescavadora que estava de serviço quando o porta-contentores Ever Given encalhou no Canal do Suez. Nos cinco dias e noites que se seguiram - conforme ficou bem claro na avalancha de 'memes' que inundou as redes sociais -, o trabalhador não teve descanso. Porém, ainda não foi pago pelas horas extraordinárias.

Recorde-se que o cargueiro ficou encalhado no dia 23 de março e esteve quase uma semana a impedir a circulação no canal, uma das mais importantes vias marítimas comerciais, espoletando não só uma operação desesperada para resolver o problema, como mediatismo a nível global.

Abdullah Abdul-Gawad, de 28 anos de idade, explicou ao Business Insider que quando soube que havia um problema no Canal do Suez, pensou que iria ter uns dias de folga, mas enganou-se.

Segundo explicou à publicação, o chefe ligou-lhe e disse: "Preciso que entres no carro e venhas já para cá, és o único operador de retroescavadora que está perto".

No local, não deixou de ficar surpreendido. "Realmente, era qualquer coisa... algo imponente", lembrou, quando viu à sua frente um navio com uns metros a mais no comprimento do que o Empire State Building tem em altura (381 metros). Findos os momentos de surpresa, o que se seguiu foram turnos de 21 horas de trabalho consecutivos, para si e para os seus colegas, ao longo de cinco dias e cinco noites. Um esforço extra que ainda não foi pago.

Os períodos de descanso, explicou Abdul-Gawad, eram passados nas barracas onde dormiam os guardas que trabalhavam muito próximo do local. "Eles sabiam que se fôssemos para casa, não nos punham os olhos em cima durante oito ou nove horas", indicou. No máximo, tinham três horas de sono por noite, sendo que uma vez, garante, dormiu apenas uma hora.

Com a ajuda do rebocador Mashhour, conseguiram colocar o cargueiro de novo a flutuar no dia 29 de março. Foi um momento de celebração, relembra.

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Ainda assim, Abdul-Gawad diz que não recebeu, praticamente, reconhecimento nenhum - houve apenas uma pequena cerimónia levada a cabo por um jornal local. "Fui convidado para a cerimónia, onde homenagearam as pessoas que ajudaram a desencalhar o navio", explicou, indicando, porém, que as festividades eram dirigidas aos empregados da Autoridade do Canal do Suez, que não é o caso de Abdul-Gawad (contratação externa).

Sem grande ressentimento, Abdul-Gawad prefere olhar para aqueles dias com orgulho. "Foi um grande feito. Primeiro para o Egito, mas para nós também. Isto é algo que acontece, talvez, uma vez na vida, ou duas. É motivo de orgulho", afirmou, sobre o trabalho que desempenhou.

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