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Khashoggi: Tribunal turco recusa associar ao processo o relatório dos EUA

Um tribunal turco recusou hoje associar ao dossier sobre o homicídio do jornalista saudita Jamal Khashoggi um relatório norte-americano que acusa o príncipe herdeiro saudita de ter autorizado o assassínio.

Khashoggi: Tribunal turco recusa associar ao processo o relatório dos EUA

Jamal Khashoggi, que esteve próximo do poder saudita antes de se tornar num dos seus mais incisivos críticos, foi assassinado em 2018 no consulado do seu país em Istambul, uma morte que suscitou fortes reações internacionais.

Na semana passada, os EUA divulgaram um relatório dos serviços de informações norte-americanos que acusa o poderoso príncipe herdeiro saudita Mohammed ben Salmane, também designado pela sigla "MBS", de ter "validado" a morte de Khashoggi.

Durante a terceira audiência de um julgamento à revelia, que decorre em Istambul, Hatice Cengiz, a noiva turca de Khashoggi, pediu que este relatório fosse associado ao processo, indicou a agência noticiosa AFP.

No entanto, o presidente do tribunal rejeitou este pedido, ao considerar que o relatório "nada acrescenta", mas afirmando que Cengiz poderá renovar o seu pedido junto do procurador responsável pela acusação.

O relatório norte-americano "atribui uma responsabilidade direta ao príncipe herdeiro. Em consequência, pretendemos que seja tomado em consideração pelo tribunal", declarou Cengiz.

A inclusão do relatório no dossier "poderia fornecer novos meios no inquérito judicial, mas hoje podemos dizer que o tribunal adotou uma posição um pouco passiva", lamentou Erol Onderoglu, representante na Turquia da ONG Repórteres sem Fronteiras (RSF), presente na sessão.

No total, 26 sauditas, incluindo dois próximos de MBS, estão a ser julgados à revelia em Istambul pela morte de Khashoggi, que também exerceu as funções de jornalista e editor.

No decurso da audiência de hoje depuseram duas testemunhas, um motorista e um agente de segurança turcos que trabalhavam no consulado saudita.

O motorista, Edip Yilmaz, afirmou que no dia da morte, em 02 de outubro de 2018, o responsável da segurança do consulado encerrou-o à chave numa sala com colegas, com a proibição de saírem até nova ordem.

"Tive a impressão que se passava algo de anormal", declarou.

A morte de Khashoggi, cujo corpo nunca foi encontrado, motivou uma das mais graves crises diplomáticas em Riade e ensombrou a imagem de MBS.

Riade afirma que o jornalista foi morto numa operação não autorizada.

Cinco pessoas foram condenadas à morte após um opaco processo na Arábia Saudita, mas as suas penas foram comutadas em 20 anos de prisão.

As relações entre Ancara e Riade, dois rivais regionais, degradaram-se consideravelmente após esta morte.

No entanto, a Turquia, que procura apaziguar as suas relações com a Arábia Saudita, absteve-se de comentar o relatório norte-americano que põe em causa MBS.

O representante dos RSF na Turquia receia agora que o tribunal turco adote no caso Khashoggi "uma posição mais passiva devido às relações estratégicas ou ao atual estado das relações diplomáticas".

"Esperemos que não seja o caso", acrescentou Erol Onderoglu.

A próxima audiência do julgamento está agendada para 08 de julho.

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