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Jacinda Ardern pede desculpa por falhas para impedir ataque supremacista

A primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, pediu hoje desculpa pelas falhas das autoridades para impedir o ataque supremacista a duas mesquitas em que morreram 51 muçulmanos, na cidade de Christchurch, em março de 2019.

Jacinda Ardern pede desculpa por falhas para impedir ataque supremacista

As declarações foram feitas após a publicação de um relatório de uma comissão independente sobre o ataque, que constatou que as agências de segurança estavam concentradas "quase exclusivamente" na luta contra a ameaça do terrorismo islâmico.

Ardern sublinhou que a comissão "não encontrou qualquer falha em qualquer agência governamental que tivesse permitido detetar o planeamento e preparação pelo autor do ataque", o supremacista branco Brenton Tarrant, mas disse que, apesar disso, "houve falhas", e por isso pedia desculpa.

A chefe do Governo lembrou que a comunidade muçulmana tinha manifestado preocupações sobre a "vigilância desproporcionada" por parte das agências de segurança em relação a membros e líderes, confirmando "a concentração inadequada de recursos" na luta contra o terrorismo islâmico.

O relatório de quase 800 páginas indicou que o atacante, Brenton Tarrant, se manteve discreto e não divulgou os planos.

A investigação concluiu que, apesar das falhas de várias agências, não havia sinais claros de que o ataque fosse iminente, além do manifesto que Tarrant enviou apenas oito minutos antes de começar a disparar, demasiado tarde para que as agências pudessem responder.

Apesar disso, o relatório apontou que as agências da Nova Zelândia se concentraram na ameaça representada pelo extremismo islâmico em vez da supremacia branca.

No documento, destacou-se também o sistema de licenciamento de armas, que o governo de Ardern tornou mais apertado após o ataque, embora a comissão tenha considerado que por deter uma licença legal de porte de arma, Tarrant teria obtido as armas para perpetrar o ataque, que transmitiu em direto nas redes sociais.

No relatório foram apresentadas 44 recomendações, todas aceites sem reservas pelo governo do Ardern, incluindo uma nova estratégia de segurança, novas leis antiterrorismo e a implementação de medidas de coesão social.

"Nada neste relatório ou que tenha acontecido nos tribunais, nem o que fizemos ou faremos no Parlamento, trará de volta o que foi tirado nesse dia, mas espero que cada um desses passos nos aproxime mais da justiça e da mudança", sublinhou Ardern, dizendo em árabe "que a paz esteja convosco".

A investigação foi ordenada após Tarrant ter atacado duas mesquitas em Christchurch, no sul da Nova Zelândia, em 15 de março de 2019, com armas de fogo de grande calibre, causando 51 mortos e 40 feridos.

O supremacista foi condenado em finais de agosto pelo Supremo Tribunal da Nova Zelândia a prisão perpétua, sem possibilidade de liberdade condicional, por terrorismo, homicídio e tentativa de homicídio, entre outras acusações.

A resposta de Ardern ao ataque foi elogiada em todo o mundo pela empatia demonstrada às vítimas.

O país também reforçou as leis sobre a posse de armas semiautomáticas e espingardas de assalto e promoveu uma amnistia em que milhares de armas foram entregues às autoridades.

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