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Costa do Marfim. Pelo menos 9 mortos em confrontos pós-eleitorais

Pelo menos nove pessoas morreram hoje devido à violência pós-eleitoral na Costa do Marfim, no dia em que o Conselho Constitucional validou a reeleição do Presidente costa-marfinense, Alassane Ouattara, noticia a agência France-Presse (AFP).

Costa do Marfim. Pelo menos 9 mortos em confrontos pós-eleitorais

Em Daoukro, um bastião do ex-presidente e principal opositor Henri Konan Bédié no centro do país, os "confrontos intercomunitários provocaram seis mortos e 51 feridos", afirmou a presidente da câmara, Solange Aka, citada pela AFP.

"Uma [pessoa] foi decapitada e outra" foi queimada até à morte, refere a governante, que indicou que o bloqueio das estradas por militantes dificultou a retirada dos feridos.

Um balanço inicial, de três mortos, em Daoukro, tinha sido confirmado pelo presidente do conselho regional, Adam Kolia Traore.

Em Elibou, também no centro do país, outras três pessoas morreram em confrontos entre membros das forças de segurança e habitantes de várias localidades, que se manifestaram ao bloquearem uma autoestrada, segundo testemunhos citados pela AFP.

A oposição tinha pedido para hoje um dia de mobilização contra os resultados presidenciais de 31 de outubro, tendo acabado por resultar em incidentes em várias cidades do sul do país, segundo a agência noticiosa.

Mais de 3.000 marfinenses que fugiram da violência relacionada com as presidenciais de 31 de outubro procuraram refúgio na vizinha Libéria, anunciou hoje uma fonte do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).

"Temos 3.600 pessoas que atravessaram a fronteira entre a Costa do Marfim e a Libéria", disse a representante do ACNUR em Monróvia, Roseline Okoro.

Pelo menos 23 pessoas foram mortas desde as eleições de 31 de outubro e mais de 50 morreram desde o anúncio da candidatura de Ouattara a um terceiro mandato, em agosto.

A oposição, rejeitando a perspetiva de um terceiro mandato para o atual presidente, Alassane Ouattara, boicotou o escrutínio e lançou uma campanha de desobediência civil. Após a eleição e o anúncio da vitória de Ouattara, na primeira volta, anunciou a formação de um conselho nacional de transição.

O Conselho Constitucional da Costa do Marfim validou hoje a reeleição de Alassane Ouattara, com 94,27% dos votos.

Após o anúncio, Ouattara apelou hoje, num discurso à nação transmitido pela televisão, ao seu principal opositor, Bédié, para uma "reunião nos próximos dias para um diálogo franco e sincero".

Segundo o Conselho Constitucional da Costa do Marfim, Alassane Ouattara foi reeleito para um terceiro mandato com 94,27%, ou seja, 3.031.483 votos de um total de 3.215.909 votos.

De acordo com as votações validadas pelo Conselho Constitucional, o candidato independente Kouadio Konan Bertin ficou em segundo lugar com 1,99% dos votos (64.011 votos).

O antigo presidente Henri Konan Bédié terminou em terceiro com 1,66% (53.330 votos) e o antigo primeiro-ministro Pascal Affi N'Guessan em quarto com 0,99% (31.986 votos).

Eleito em 2010 e reeleito em 2015, Ouattara tinha anunciado em março que iria desistir de uma nova candidatura, antes de mudar de ideias em agosto, após a morte do candidato presidencial do seu partido e então primeiro-ministro, Amadou Gon Coulibaly.

A Constituição da Costa do Marfim prevê um máximo de dois mandatos presidenciais, mas o Conselho Constitucional considerou que, com a reforma adotada em 2016, a contagem de mandatos de Ouattara tinha sido recolocada a zero, dando cobertura a uma nova candidatura.

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