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Sessão especial na Tailândia começa a discutir mudanças democráticas

O parlamento da Tailândia iniciou hoje uma sessão especial, convocada para debater as tensões políticas e protestos pró-democracia quase diários, que exigem a demissão do primeiro-ministro, mudanças constitucionais e reformas da monarquia.

Sessão especial na Tailândia começa a discutir mudanças democráticas

O principal partido da oposição pediu ao primeiro-ministro da Tailândia, Prayut Chan-ocha, que renuncie ao cargo, acusando-o de "colocar lenha na fogueira" com a sua gestão dos protestos pró-democracia liderados por estudantes.

"A forma como o general Prayut tenta resolver o problema agravou a situação. A suas palavras e ações colocaram lenha na fogueira, tornando tudo mais difícil e complicado", disse o líder do Pheu Thai (o maior partido da oposição), Sompong Amornvivat.

A crítica foi feita durante a sessão extraordinária do parlamento, que irá durar dois dias e que foi convocada de forma consultiva pelo Governo em resposta aos protestos que, desde julho passado, reclamam reformas democráticas.

No seu discurso de abertura, Prayuth afirmou estar ciente de que esta é uma era de mudanças, impulsionada pela tecnologia, mas defendeu que "na Tailândia, há milhões ou dezenas de milhões de pessoas que não querem ver mudanças através de caos".

Prayuth pediu ao parlamento que "seja criativo e encontre um equilíbrio" entre pontos de vista concorrentes.

Depois de vários dias de trégua, os manifestantes pró-democracia convocaram novamente um grande protesto para hoje, no qual planeiam entregar uma petição à embaixada da Alemanha em Banguecoque, para que se investigue se o rei Vajiralongkorn da Tailândia toma decisões políticas em solo alemão, violando o seu estatuto no país europeu.

O monarca, que há vários anos passa grande parte do seu tempo na Alemanha, chegou à Tailândia há três semanas, juntamente com a rainha Suthida, para participar em vários eventos e cerimónias.

Os manifestantes, cujos principais líderes foram presos, exigem uma nova Constituição, uma vez que a atual foi elaborada por uma junta militar (2014-2019) liderada por Prayut, bem como a dissolução do parlamento e a realização de eleições.

A exigência mais ousada e polémica é, no entanto, a reforma da monarquia para reduzir o poder do rei, que aumentou o controlo sobre várias unidades militares e sobre a vasta fortuna da casa real, avaliada em pelo menos 35 mil milhões de dólares (cerca de 29 mil milhões de euros).

As críticas públicas à monarquia que foram apresentadas por alguns dos manifestantes não têm precedentes no país, onde a instituição real é considerada sacrossanta, e levou monarquistas a organizar os seus próprios contraprotestos para denunciar os manifestantes por levantarem a questão.

O presidente da Câmara, Chuan Leekpai, advertiu que a sessão especial do parlamento não tinha sido convocada para discutir o papel da monarquia.

O primeiro-ministro, que liderou, em 2014, um golpe como chefe do Exército, é criticado pelos manifestantes que consideram que renovou o seu cargo na eleição do ano passado porque alterou as leis a fim de favorecer um partido pró-militar. Os manifestantes dizem também que a Constituição, escrita e promulgada sob o regime militar, é antidemocrática.

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