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UE pede à China missão para verificar condições da minoria uigur

A União Europeia (UE) pediu hoje a Pequim que autorize o acesso de uma missão de observadores à região de Xinjiang (noroeste), depois de a China ter sido acusada de sujeitar a "práticas terríveis" membros da minoria étnica uigur.

UE pede à China missão para verificar condições da minoria uigur
Notícias ao Minuto

17:12 - 30/06/20 por Lusa

Mundo uigur

Num relatório publicado na segunda-feira, um investigador alemão, Adrian Zenz, denunciou que os uigures estão a ser alegadamente submetidos a esterilizações forçadas, no sentido de reduzir e controlar a natalidade desta população.

Predominantemente muçulmanos, os uigures (bem como os cazaques) são etnicamente distintos do grupo étnico maioritário do país, os chineses han, e constituem uma grande parte da população em Xinjiang, uma vasta região chinesa que faz fronteira com o Afeganistão e o Paquistão.

Adrian Zenz é um investigador alemão que já escreveu outros relatórios sobre as políticas adotadas pelo regime de Pequim nesta região de maioria muçulmana.

"Se comprovadas, tais práticas terríveis constituiriam graves violações dos direitos humanos", afirmou Virginie Battu-Henriksson, porta-voz do chefe da diplomacia europeia (Josep Borrell), numa conferência de imprensa.

Tais práticas "devem parar imediatamente e os responsáveis ?devem ser responsabilizados", acrescentou a representante.

Nas declarações aos jornalistas, Virginie Battu-Henriksson lançou um apelo às autoridades de Pequim.

"Reiteramos o nosso pedido à China para permitir um acesso e um ambiente propício às visitas de observadores independentes, com vista a uma avaliação independente, objetiva, imparcial e transparente destas questões que são fonte de uma grande preocupação", referiu a porta-voz.

"As esterilizações em massa constituem um genocídio de acordo com um conjunto de textos", indicou a representante, realçando, porém, que a denúncia em questão consta num relatório e que existe a necessidade de confirmar as informações disponibilizadas nesse mesmo documento.

Os uigures, que são maioritariamente muçulmanos e falam na sua grande maioria uma língua relacionada com o turco, são um dos 56 grupos étnicos que existem no território chinês.

Esta etnia representa um pouco menos de metade dos 25 milhões de pessoas que vivem na região de Xinjiang, um vasto território semidesértico no noroeste da China há muito atingido por ataques violentos, que Pequim atribui a elementos separatistas e islamitas.

A China tem sido acusada de concentrar minorias étnicas chinesas de origem muçulmana em campos de doutrinação e reeducação no extremo noroeste do território chinês.

As denúncias apontam para pelo menos um milhão de muçulmanos retidos nestes campos de reeducação política.

Pequim tem sempre rejeitado este alegado plano de "genocídio cultural" de minorias muçulmanas na China, alegando que estas instalações são centros de formação profissional, destinadas a ajudar a população a encontrar trabalho e a mantê-la afastada do extremismo e do terrorismo.

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