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Interrupção de vacinação coloca em risco milhões de crianças

A UNICEF e a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertaram hoje para o impacto da interrupção na administração de vacinas, devido à covid-19, colocando em risco milhões de crianças em todo o mundo.

Interrupção de vacinação coloca em risco milhões de crianças
Notícias ao Minuto

18:27 - 22/05/20 por Lusa

Mundo Covid-19

O alerta foi deixado hoje na habitual conferência de imprensa 'online' da OMS sobre o novo coronavirus, que provoca a doença covid-19, na qual participou também Henrietta Fore, diretora-executiva da Unicef.

Tedros Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, começou por alertar que há no mundo mais de cinco milhões de pessoas infetadas com covid-19 e que é preciso garantir os serviços essenciais de saúde, e disse que a OMS e parceiros estão empenhados em impedir que a doença interrompa a vacinação das crianças.

"Os serviços de imunização são essenciais e não devem ser suspensos, suspender a vacinação é uma ameaça à vida", disse o responsável.

Henrietta Fore acrescentou que a covid-19 está a tornar-se uma crise de direitos humanos infantis, afetando três em cada quatro crianças, e disse que estão encerradas escolas em 135 países, o que deixa sem aulas 1,2 mil milhões de crianças.

Citando um estudo no qual participou a UNICEF, Henrietta Fore disse que, com o avanço da pandemia de covid-19, nos próximos seis meses mais de seis mil crianças podem morrer em cada dia por causas que podiam ser prevenidas.

Depois, acrescentou, há 80 milhões de crianças com menos de um ano que correm risco de vida porque os serviços de vacinação foram interrompidos em 68 países.

De acordo com a responsável, as campanhas de vacinação do sarampo foram interrompidas em 27 países e as da pólio em 38 países, com "consequências que podem ser mortais".

Henrietta Fore disse que os países interromperam as vacinações devido ao distanciamento social, devido à superlotação dos centros de saúde, porque os profissionais de saúde foram desviados para tratar pacientes da covid-19, por medo das famílias levarem os filhos aos locais de vacina, e também pela interrupção das cadeias de abastecimento de vacinas.

"Não podemos deixar que a nossa luta contra uma doença afete a nossa luta contra outras doenças. Não podemos trocar uma pandemia mortal por outra. Não podemos retroceder décadas de avanços. Precisamos de retomar as vacinas", disse.

Seth Berkley, diretor executivo da "Gavi Alliance", uma organização internacional criada em 2000 para levar vacinas a países pobres, juntou-se na conferência de imprensa aos alertas da OMS e da Unicef, afirmando que os dados "são alarmantes".

Modelos recentes da Escola de Londres de Higiene e Medicina Tropical mostram que devido à covid-19 foi parada a imunização, e se isso acontecesse em todos os países "por cada morte por covid-19 evitada teríamos 100 mortes por falta de imunização", disse.

O responsável lembrou também os esforços das últimas décadas para que quase todas as crianças tivessem acesso a vacinas, com a vacinação nos países mais pobres a subir de 59% para 81% e a reduzir a incidência de doenças em 70%.

Com a pandemia de covid-19 há o risco "de se perder todo esse progresso e de se perder o controlo de doenças que achávamos estarem sob controlo, e colocamos em risco a vida de milhares de crianças e dos seus familiares", avisou.

Seth Berkley lembrou também a reunião internacional sobre vacinação que decorre dentro de duas semanas no Reino Unido, e estimou que para prevenir milhões de mortes de crianças serão precisos 7,4 mil milhões de dólares até 2025.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou quase 330 mil mortos e infetou mais de 5,1 milhões de pessoas em 196 países e territórios.

Mais de 1,9 milhões de doentes foram considerados curados.

Em Portugal, morreram 1.289 pessoas das 30.200 confirmadas como infetadas, e há 7.590 casos recuperados, de acordo com a Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em fevereiro, o continente americano passou a ser o que tem mais casos confirmados (mais de 2,3 milhões contra perto de dois milhões no continente europeu), embora com menos mortes (mais de 136 mil contra mais de 171 mil).

Para combater a pandemia, os governos mandaram para casa 4,5 mil milhões de pessoas (mais de metade da população do planeta), paralisando setores inteiros da economia mundial, num "grande confinamento" que vários países já começaram a aliviar face à diminuição dos novos contágios.

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