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Alemanha aprova reforma mínima de velhice para os mais pobres

O Governo alemão decidiu hoje introduzir uma reforma de velhice mínima para os mais pobres, assunto que há muito ameaça o futuro da coligação entre os conservadores da chanceler Angela Merkel e os social-democratas.

Alemanha aprova reforma mínima de velhice para os mais pobres
Notícias ao Minuto

15:22 - 19/02/20 por Lusa

Economia Alemanha

A partir do próximo ano, cerca de 1,3 milhões de reformados com pensões baixas receberão um complemento, medida que custará 1,3 mil milhões de euros por ano, de acordo com o projeto de lei adotado pelo Conselho de Ministros.

"A criação dessa reforma mínima contribuirá para mais justiça social no nosso país", disse o ministro do Trabalho, o social-democrata Hubertus Heil, que apresentou esse projeto.

Este último beneficiará "especialmente as mulheres", que representam cerca de 70% das pessoas abrangidas por este aumento, principalmente no setor de serviços mal remunerados, como a restauração.

A medida irá beneficiar "especialmente o leste do país", a antiga República Democrática Alemã (RDA, comunista), onde o poder de compra médio da população permanece menor que o do oeste do país.

Segundo o Ministério do Trabalho, uma cabeleireira que contribuiu com 40 anos com um salário mínimo deve ver sua reforma passar de 512 euros atualmente para os 960 euros.

Os conservadores da União Democrata Cristã (CDU) de Angela Merkel há muito bloqueavam esta reforma que o Partido Social-Democrata (SPD) tinha como prioridade, chegando a ameaçar deixar a coligação no ano passado por falta de acordo.

O SPD está em queda livre nas sondagens de opinião e espera subir dando a si mesmo um perfil mais à esquerda.

Os conservadores da CDU e da União Social Cristã (CSU) inicialmente queriam condicionar o aumento da reforma ao património dos pensionistas, o que os social-democratas recusaram.

No final, os dois campos concordaram que isso dependeria apenas do nível de rendimento das pessoas envolvidas.

O aumento será pago integralmente aos reformados que tenham contribuído pelo menos 33 anos e recebam uma pensão não superior a 1.250 euros por mês, no limite máximo de 1.950 euros para um casal.

A ideia da reforma nasceu da observação de que alguns reformados pobres na Alemanha acabaram, apesar de uma vida inteira de trabalho, com uma reforma menor ou igual à ajuda social.

Os sindicatos e as instituições de caridade saudaram o gesto, mas consideram-no ainda insuficiente.

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