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Sobrevivente de Auschwitz regressa 75 anos depois. "É tudo tão vívido"

Mais de um milhão de pessoas foram mortas no que foi considerado o pior campo de extermínio criado pelo regime nazi, libertado a 27 de janeiro de 1945 pelo Exército Vermelho soviético.

Jona Laks tinha cerca de 14 anos de idade quando foi transportada para Auschwitz, em 1944, com a sua irmã gémea, Miriam, e com a irmã mais velha, Chana. Moravam no gueto judeu de Lodz, na Polónia ocupada. Mais de 75 anos depois, com 90 anos de idade, regressou ao mais infâme campo de concentração do Holocausto judeu, decorrido durante a Segunda Guerra Mundial.

A sobrevivente foi libertada a 27 de janeiro de 1945 pelo Exército Vermelho soviético e nunca mais lá voltou. Esta semana regressou como uma convidada de honra da cerimónia internacional para marcar os 75.º aniversário da libertação campo de concentração de Auschwitz-Birkenau, a 27 de janeiro.

No dia em que ela chegou ao campo, era Joseph Mengele, o 'Anjo da Morte', que estava a fazer a seleção de quem ia para os crematórios, para morrer, e quem ia trabalhar. "Eventualmente, Mengele aproximou-se com os cães e com um pau na mão. 'Direita, esquerda, direita, esquerda', nem acho que olhava para as pessoas. Parecia aborrecido", recorda.

Mengele também escolhia os prisioneiros que submetia às suas terríveis experiências pseudo-médicas. Tinha particular interesse em gémeos. Na plataforma, escolheu as irmãs para trabalhar e Laks para morrer. 

Jona recorda conseguir sentir o cheiro a carne queimada enquanto caminhava na direção do crematório de Auschwitz. "Eu via faúlhas a sair da chaminé e conseguia sentir a carne queimada. À medida que nos aproximávamos, sentia que ia acontecer qualquer coisa. Comecei a chorar. Não queria que as minhas irmãs me vissem chorar", disse.

A irmã mais velha, Chana [numa fotografia a preto e branco, na galeria], implorou ao médico que não separasse as gémeas e Mengele mandou ir buscá-la ao crematório.

Abraçou a neta, Lee Aldar, em frente ao bloco número 10, onde se situava o laboratório do Mengele. "É tudo tão vívido ainda. Nem consigo imaginar que foi há 75 anos", disse. Ao pé do laboratório, estava uma parede onde se faziam execuções - a "parede da morte". "De lá de dentro, ouvíamos os gritos dos que morriam", disse, numa reportagem da Reuters.

Mais de um milhão de pessoas foram assassinadas pelo regime nazi em Auschwitz, quase todos judeus. No total, seis milhões de judeus morreram no Holocausto.

As comemorações deste 75.º aniversário incluem vários eventos organizados pelo museu, entre os quais os ensaios fotográficos 'Auschwitz - O Campo da Morte' e 'Auschwitz - Retratos de Sobreviventes'.

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