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Israel dificulta tratamento de manifestantes feridos em Gaza

Israel tem dificultado o tratamento fora da Faixa de Gaza dos palestinianos feridos em manifestações ao longo da barreira de segurança que cerca o território, indica a organização Human Rights Watch (HRW) no seu relatório anual divulgado hoje.

Israel dificulta tratamento de manifestantes feridos em Gaza

Devido ao bloqueio israelita (terrestre, naval e aéreo) imposto há 12 anos à Faixa de Gaza, os quase dois milhões de palestinianos no território sofrem limitações no acesso ao emprego, educação e assistência médica, lembra a HRW.

A exceção à proibição geral de saída do enclave são o que Israel considera "casos humanitários excecionais", doentes a quem pode ser dada uma autorização para receberem tratamento fora de Gaza.

Mas, refere o relatório, "nos primeiros nove meses de 2019, o exército (israelita) negou ou não respondeu oportunamente a 34% dos pedidos de autorização de palestinianos com consultas médicas fora de Gaza, segundo a Organização Mundial de Saúde".

E, no caso dos feridos em manifestações ao longo da cerca que separa Israel e Gaza, "a taxa de rejeição ou atraso de pedidos (...) é de 82%".

Os protestos semanais junto à barreira de segurança com Israel, no âmbito da designada "Marcha do Retorno", iniciaram-se em Gaza a 30 de março de 2018, contra o bloqueio e para reivindicar o direito de regresso dos palestinianos às terras de onde fugiram ou foram expulsos em 1948 durante a guerra que se seguiu à criação do Estado de Israel.

Ao lado de manifestantes pacíficos, jovens palestinianos confrontavam os soldados israelitas do outro lado da barreira de segurança, atirando pedras e engenhos incendiários.

O relatório da HRW refere que, segundo o palestiniano Centro para os Direitos Humanos Al-Mezan, "as forças israelitas mataram 34 palestinianos" durante os protestos em 2019 e até 31 de outubro e que o Ministério de Saúde do território deu conta de 1.883 feridos a tiro durante o mesmo período.

A organização de defesa dos direitos humanos com sede em Nova Iorque nota que as forças israelitas estacionadas junto à barreira de segurança com o enclave palestiniano "continuaram a disparar balas reais contra manifestantes em Gaza que não constituíam uma ameaça iminente, seguindo ordens de oficiais superiores que violam os direitos humanos".

No Relatório Mundial de 2020 da HRW, com dados sobre a situação dos direitos humanos o ano passado em mais de 100 países e territórios, a entrada sobre Israel e a Palestina destaca não só o bloqueio israelita a Gaza como o reforço dos colonatos na Cisjordânia.

Ao "facilitar a transferência de cidadãos israelitas para os colonatos na Cisjordânia ocupada", Israel assume uma "prática ilegal face à lei internacional", indica.

A HRW utiliza dados da organização não-governamental israelita Paz Agora, segundo a qual "durante os primeiros nove meses de 2019, as autoridades israelitas aprovaram planos para a construção de 5.995 habitações nos colonatos na Cisjordânia, excluindo Jerusalém Oriental", contra 5.618 no ano anterior.

Paralelamente, até 11 de novembro de 2019, as autoridades israelitas "destruíram 504 habitações e outras estruturas palestinianas" e as demolições causaram 642 deslocados até 16 de setembro, "mais do total dos deslocados em 2018 (472)", segundo a ONU.

"O grupo de direitos humanos israelita B'Tselem registou mais demolições de casas de palestinianos em Jerusalém Oriental em 2019 do que em qualquer outro ano pelo menos desde 2004", lê-se no relatório.

A organização indica igualmente que os grupos armados palestinianos de Gaza "dispararam 1.378 foguetes contra Israel até 19 de novembro, segundo o israelita Centro de Informações de Terrorismo Meir Amit" e que os ataques desses grupos mataram quatro israelitas e feriram mais de 123.

Na Cisjordânia, os palestinianos mataram cinco israelitas e feriram pelo menos 46 até 17 de setembro, de acordo com o Gabinete da Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários.

Em relação a violações dos direitos humanos do lado palestiniano, a HRW refere que quer a Autoridade Palestiniana na Cisjordânia quer o movimento radical Hamas em Gaza "detiveram apoiantes da oposição e outros críticos e torturaram alguns sob custódia".

Assinalada é ainda a expulsão em novembro pelo Estado hebreu de Omar Shakir, diretor da HRW para Israel e para a Palestina, "com o argumento de que o apelo da organização às empresas para deixarem de operar nos colonatos na Cisjordânia constitui um apelo ao boicote" ao país e um motivo para a deportação de acordo com a lei israelita.

Um mês antes, as autoridades israelitas tinham impedido um funcionário palestiniano da Amnistia Internacional de sair da Cisjordânia por "razões de segurança" não reveladas, adianta a organização de direitos humanos.

A HRW sublinha, por outro lado, que o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos está dois anos e meio atrasado em relação ao prazo previsto para apresentar ao Conselho de Direitos Humanos uma lista das empresas que beneficiaram com os colonatos.

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