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Amazónia: Desflorestação pode alterar o regime de chuvas no Brasil

O aumento da deslorestação da Floresta Amazónia pode alterar o regime de chuvas no Brasil, prejudicando a produção agrícola do país, afirmou hoje à agência Lusa a organização não-governamental (ONG) Greenpeace.

Amazónia: Desflorestação pode alterar o regime de chuvas no Brasil

"A Amazónia é chamada de pulmão do mundo, mas eu prefiro ver a Amazónia como um grande 'ar condicionado', já que ela manda para a atmosfera, diariamente, milhões e milhões de litros de água em forma de humidade, que ajuda a regular o clima no mundo todo", declarou à Lusa Rômulo Batista, biólogo e especialista em Amazónia, da Greenpeace Brasil.

"Também produz massas de água que se movimentam da Amazónia em direção ao centro e ao sudeste do Brasil e que muitas vezes se precipitam em forma de chuva. E é essa chuva que alimenta grande parte da produção agrícola brasileira, o que é uma grande contradição, porque vemos ruralistas a derrubar a Amazónia para aumentar a quantidade de pasto", sublinhou o especialista, acrescentando que a atividade Pecuária é uma das responsáveis pelo aumento da desflorestação no país.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais brasileiro (Inpe), órgão público que mede a desflorestação no país, nos seis primeiros meses do ano houve um crescimento de 212% nas áreas desflorestadas da Amazónia face ao mesmo período de 2018.

Porém, os valores registados em julho vieram mostrar um aumento muito superior, com a desflorestação da Amazónia a aumentar 278% nesse mês, em relação ao período homólogo de 2018.

Também o número de incêndios no Brasil aumentou 83% este ano, em comparação com o período homólogo de 2018, com 72.953 focos registados até 19 de agosto, sendo a Amazónia a região mais afetada.

Para a Greenpeace, ONG que atua internacionalmente em questões relacionadas à preservação do meio ambiente e desenvolvimento sustentável, os problemas que a Amazónia, a maior floresta tropical do mundo, enfrenta poderão transformar para sempre o seu bioma (conjunto de ecossistemas).

Além da alteração do regime de chuvas, a Amazónia pode ainda atingir aquilo a que os cientistas chamam de "ponto de não retorno", que é quando a floresta não se consegue mais regenerar, começando a secar, e a transformar-se numa savana, ou cerrado, como se denomina esse tipo de Bioma no Brasil. Ou seja, uma floresta "muito mais seca e muito menos diversa", segundo a Greenpeace.

Tendo em conta o aumento da desflorestação, que registou o seu maior indíce nos estados brasileiros do Pará, Amazonas, Mato Grosso e Rondônia, a Agência Lusa questionou Rômulo Batista acerca da prática do abate de árvores naquela região, que "geralmente ocorre por etapas".

"A primeira fase da desflorestação na Amazónia é chamada de 'exploração ilegal de madeira', que é geralmente uma exploração seletiva, através da abertura de estradas dentro da floresta, onde são abatidas as árvores com maior valor de mercado", disse.

"Com essas estradas, os indivíduos atuam através de dois processos:o corte raso das árvores, através do uso de motosserra, ou de correntes muito grandes, puxadas por dois tratores, derrubando vários quilómetros de floresta todos os dias. E depois há a queimada, ou simplesmente como vemos nos últimos dias, atear fogo na floresta até que ela morra", descreveu o especialista.

Para se ter uma noção do impacto que a desflorestação desta floresta pode ter no Planeta, é necessário saber o que ela mesma representa.

A Amazónia é a maior floresta tropical do mundo e possui a maior biodiversidade registada numa área do planeta. Tem cerca de 5,5 milhões de quilómetros quadrados e inclui territórios do Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa (pertencente à França).

Porém, apesar da Amazónia ser uma floresta muito rica, e um elo de ligações de diversos organismos, já se perderam 20% de toda essa área, segundo a Greenpeace.

"Dessa percentagem, muito provavelmente já se perderam milhares de espécies que nem chegámos a conhecer, a ciência não chegou sequer a catalogar, porque a destruição foi muito mais rápida do que o investimento em educação e ciência", lamentou a ONG em declarações à lusa.

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