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Indústria de curtumes recua e nega suspensão de compra de couro ao Brasil

O Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB), associação que representa produtores de couro do país, recuou e negou a informação vinculada hoje de que marcas internacionais iriam suspender compras do couro devido às queimadas na Amazónia.

Indústria de curtumes recua e nega suspensão de compra de couro ao Brasil

"A carta foi divulgada [pelo próprio CICB] antes da verificação com a empresa importadora. (...) Esse importador estaria supostamente a suspender as compras. Foi um equívoco nosso. Vamos corrigir a informação junto do Governo federal", disse o presidente executivo do CICB, Fernando Bello, ao portal de notícias Estadão.

A imprensa brasileira tinha noticiado hoje uma carta enviada pelo CICB ao ministro do Meio Ambiente do Brasil, Ricardo Salles, que informava que pelo menos 18 marcas de roupa e calçado internacionais pediram a suspensão de compras de couro ao Brasil por causa das queimadas na Amazónia.

Na carta, Fernando Bello disse que recebeu com muita preocupação o comunicado de suspensão de compras de couros.

"Este cancelamento foi justificado em função de notícias relacionando queimadas na região amazónica ao agronegócio do país. Para uma nação que exporta mais de 80% de sua produção de couros, chegando a gerar dois mil milhões de dólares [1,8 mil milhões de euros] em vendas ao mercado externo num único ano, trata-se de uma informação devastadora", escreveu o presidente do CICB.

Foram citadas na carta as marcas Timberland, Dickies, Kipling, Vans, Kodiak, Terra, Walls, Workrite, Eagle Creek, Eastpack, JanSport, The North Face, Napapijri, Bulwark, Altra, Icebreaker, Smartwoll e Horace Small.

Porém, Fernando Bello recuou, declarando que se tratou de um erro de "pré-avaliação".

"Recebemos este relato de uma indústria brasileira e, quando esclarecemos o facto com o cliente internacional, obtivemos a informação de que não haverá cancelamentos", acrescentou o presidente do CICB.

Bello disse ainda que não há intenção dos importadores boicotarem ou restringirem compras do produto brasileiro.

Segundo o CICB, os importadores de couro do Brasil afirmaram que vão continuar com os pedidos que já foram feitos, mas que gostariam de "esclarecimentos adicionais" sobre a origem e rastreabilidade do produto.

O Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, comentou a situação e garantiu que as "exportações seguem normais".

"(...) Jornais publicaram que 18 marcas suspenderam a compra de couro brasileiro. Àqueles que torcem contra o país e que, vergonhosamente, divulgaram felizes a notícia, informo que o Centro de Indústria de Curtumes do Brasil negou tal suspensão. As exportações seguem normais", escreveu Bolsonaro na rede social Facebook.

Os incêndios registados na Amazónia mobilizaram a opinião pública mundial sobre a aceleração da destruição do meio ambiente no Brasil, mas a venda de produtos de couro do Brasil não foi afetada, segundo a CICB.

O número de incêndios no Brasil aumentou 83% este ano, em comparação com o período homólogo de 2018, com 72.953 focos registados até 19 de agosto, sendo a Amazónia a região mais afetada.

A Amazónia, a maior floresta tropical do mundo e com a maior biodiversidade registada numa área do planeta, tem cerca de 5,5 milhões de quilómetros quadrados e inclui territórios do Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa (pertencente à França).

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