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Ministro do Ambiente do Brasil diz que ajuda do G7 é "bem-vinda"

O ministro do Meio Ambiente brasileiro, Ricardo Salles, afirmou hoje que a ajuda anunciada pelo G7 aos países atingidos pelos incêndios da Amazónia é "sempre bem-vinda", de acordo com a imprensa local.

Ministro do Ambiente do Brasil diz que ajuda do G7 é "bem-vinda"

"Acho uma excelente medida, é muito bem-vinda", disse Salles, citado pelo portal de notícias G1.

"Eu queria aproveitar, inclusive, para lembrar que desde 2005 o Brasil tem cerca de 250 milhões de toneladas de gás carbónico [dióxido de carbono], do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, para receber. Isso gera uma receita de 2,5 mil milhões de dólares [2,25 mil milhões de euros]", acrescentou.

O governante pediu ainda aos "países desenvolvidos, o G7", que ajudem a pagar "essa fatura do Protocolo de Quioto [Japão], esse crédito que o Brasil tem, que seria muito bem-vindo".

Segundo o protocolo, através do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), um país desenvolvido pode comprar "créditos de carbono" resultantes de atividades de um país em desenvolvimento que tenha ratificado o documento.

O MDL é um dos mecanismos de flexibilização criados pelo Protocolo de Quioto (tratado internacional, assinado em 1997) para auxiliar no processo de redução de emissões de gases com efeito estufa.

O agradecimento de Ricardo Salles surge depois do Presidente francês, Emmanuel Macron, ter anunciado hoje que o G7 fornecerá uma ajuda imediata de 20 milhões de dólares (17,95 milhões de euros) para combater o incêndio na maior floresta tropical do mundo.

Na cimeira do G7, dos países mais industrializados do mundo, participaram durante o fim de semana os líderes da Alemanha, Canadá, Estados Unidos da América, França, Itália, Japão e Reino Unido.

A posição do ministro brasileiro, no entanto, encontra-se desalinhada com a do chefe de Estado, Jair Bolsonaro, que quando confrontado com a oferta de ajuda do G7 mostrou ter dúvidas acerca da intenções desses países.

"Será que alguém ajuda alguém, a menos que seja pobre, sem retorno? Isto é, sem esperar por algo em troca", questionou Bolsonaro, junto à entrada do Palácio da Alvorada, sua residência oficial.

O chefe de Estado do Brasil mostrou a capa do jornal brasileiro "O Globo", cuja manchete principal dizia: "Macron promete ajuda dos países ricos para a Amazónia".

Com o jornal nas mãos, Jair Bolsonaro insistiu e perguntou: "O que eles querem na Amazónia por tanto tempo?".

Sem mencionar qualquer país em particular, o Presidente brasileiro disse que, no final da semana passada, falou com "líderes excecionais" sobre a grave situação gerada pelos incêndios na Amazónia, que na sua opinião realmente desejam colaborar com o Brasil na luta contra as chamas.

No entanto, numa aparente alusão a Macron, acrescentou que não conversou com aqueles que, no seu entendimento, querem "continuar vigiando o Brasil".

O número de incêndios no Brasil aumentou 83% este ano, em comparação com o período homólogo de 2018, com 72.953 focos registados até 19 de agosto, sendo a Amazónia a região mais afetada.

A Amazónia é a maior floresta tropical do mundo e possui a maior biodiversidade registada numa área do planeta.

Tem cerca de 5,5 milhões de quilómetros quadrados e inclui territórios do Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa (pertencente à França).

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) brasileiro anunciou que a desflorestação da Amazónia aumentou 278% em julho, em relação ao mesmo mês de 2018.

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