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"A nossa casa está a arder". Incrédulo, o mundo olha para a Amazónia

A Amazónia é a maior floresta tropical do mundo, possui a maior biodiversidade registada numa área do planeta e está a enfrentar um dos momentos mais devastadores da História.

"A nossa casa está a arder". Incrédulo, o mundo olha para a Amazónia

Os olhos do mundo viraram-se para a Amazónia para assistir a um dos momentos mais devastadores da História para aquela que é a maior floresta tropical do mundo. Está entre o verde e as chamas. Possui a maior biodiversidade registada numa só área do planeta e é o conjunto de ecossistemas mais afetados pelos incêndios que têm assolado o Brasil. Em comparação a julho do ano passado, a desflorestação do 'pulmão do mundo' aumentou em 278%.

A preocupação tem surgido um pouco por todo o lado com várias figuras de destaque a pronunciarem-se publicamente sobre a devastação, como foi o caso do presidente francês que apelou na quinta-feira para que os incêndios na Amazónia sejam discutidos na cimeira do G7, que se realiza este fim de semana em Biarritz, sudoeste de França, afirmando que se trata de uma "crise internacional". 

"A nossa casa está a arder. Literalmente. A floresta Amazónia, o pulmão que produz 20% do oxigénio do nosso planeta, está em chamas. É uma crise internacional. Membros da cimeira do G7, vamos discutir esta emergência de primeira ordem em dois dias", pediu Emmanuel Macron através da rede social Twitter.

Porém, as palavras não foram bem recebidas pelo governante brasileiro que lamentou que Macron "procure instrumentalizar uma questão interna do Brasil e de outros países amazónicos para ganhos políticos pessoais". "A sugestão do presidente francês, de que assuntos amazónicos sejam discutidos no G7 sem a participação dos países da região, evoca mentalidade colonialista descabida no século XXI", escreveu Bolsonaro na mesma rede social.

A recusa em aceitar as evidências passou de pai para filho e, mais tarde, Eduardo Bolsonaro, o deputado brasileiro indicado para assumir o cargo de embaixador nos EUA, partilhou um vídeo onde apelida de "idiota" o chefe de Estado francês. "Recado para Macron", escreveu na rede social Twitter a acompanhar um vídeo onde são mostradas imagens dos protestos dos Coletes Amarelos contra as políticas de Macron, enquanto um youtuberapoiante de Bolsonaro, tece insultos à figura do chefe de Estado francês, assim como à sua forma de governar.

As imagens do cenário dantesco que se vive na maior reserva de biodiversidade da Terra e que levou a Amazónia do paraíso ao inferno das chamas surgem um pouco por toda a parte e já não são passíveis de ignorar.

A preocupação multiplica-se

"Profundamente preocupado" mostrou-se o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, com os incêndios numa das "mais importantes fontes de oxigénio e biodiversidade", referindo que a Amazónia "deve ser protegida".

Também o movimento da jovem ecologista sueca Greta Thunberg 'Sextas-feiras pelo futuro' convocou manifestações esta sexta-feira junto das embaixadas e consulados brasileiros em todo o mundo para chamar a atenção para os incêndios na Amazónia.

Com cerca de 5,5 milhões de quilómetros quadrados inclui territórios do Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa (pertencente à França).

O governo peruano já fez saber na quinta-feira que os incêndios florestais registados na Amazónia brasileira e na Bolívia há mais de duas semanas estão longe da fronteira peruana, garantindo que "não há fogo e nenhum foco que justifique uma ação de resposta pelo sistema nacional de risco de desastre". A Colômbia propôs a realização de um "projeto conjunto" de prevenção face àquela catástrofe ambiental, que consiste em "empreendimentos com comunidades locais, prevenção e pactos para as florestas nas quais a comunidade concorda em não realizar práticas proibidas em épocas de seca como o mês de agosto".

Da Venezuela veio a oferta de "ajuda modesta" para combater a "dolorosa tragédia" dos incêndios na Amazónia pedindo aos povos do mundo que protejam o "pulmão do planeta terra". O governo do presidente Nicolás Maduro "solidariza-se com os povos e comunidades indígenas e camponesas do Brasil, Bolívia, Paraguai, Equador e Peru, as principais afetadas, e faz um chamado à conscientização dos atores económicos e institucionais que fazem vida nos países da bacia amazónica".

Tal como na parte brasileira, a situação na Bolívia também é devastadora: 744 mil hectares e 1.817 famílias que vivem na região de Chiquitania, no leste do país, foram já atingidas pelo fogo. Tendo isso em mente, a Argentina e Chile ofereceram ajuda ao Brasil e à Bolívia para combater fogos.

"O nosso sistema de emergência encontra-se à disposição do Brasil e da Bolívia. Comuniquei com o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro. Estamos comprometidos a ajudar os nossos vizinhos a combater os incêndios florestais", publicou o presidente argentino nas redes sociais. 

Também o presidente chileno, Sebastián Piñera confirmou ter conversado com o brasileiro Jair Bolsonaro  e com o boliviano Evo Morales para lhes oferecer ajuda.

Leia Também: Amazónia. Do paraíso ao inferno das chamas

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