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Liga de Salvini lidera destacada em Itália para Europeias

A Itália e Matteo Salvini estão entre os protagonistas destas eleições europeias, com o líder da Liga (extrema-direita) empenhado em criar uma aliança de nacionalistas que pode tornar-se a terceira força política no próximo Parlamento Europeu.

Liga de Salvini lidera destacada em Itália para Europeias

A Liga lidera destacadamente as sondagens e Matteo Salvini, que é vice-primeiro-ministro e ministro do Interior na coligação com o Movimento 5 Estrelas (M5S, antissistema), de Luigi di Maio, tornou-se o chefe 'de facto' do governo.

De retórica populista e discurso anti-imigração, anti-Islão e anti-euro, Salvini usou a seu favor a fragmentação saída das legislativas de 2018, em que concorreu aliado à Forza Italia (FI), de Silvio Berlusconi, e aos Irmãos de Itália (FdI), de Giorgia Merloni.

Com 17% dos votos, acabou por conseguir ser governo em coligação com o 5 Estrelas, o partido individualmente mais votado naquela eleição (33%).

Em pouco mais de um ano de governação, a Liga cresceu em popularidade e ultrapassou o M5S, venceu seis eleições regionais sucessivas, sozinha ou aliada à Forza Italia, e regista atualmente uma vantagem de cerca de dez pontos percentuais sobre o parceiro de coligação.

Segundo um estudo de opinião Ipsos publicado em abril pelo Corriere della Sera, a Liga beneficia de um elevado nível de fidelidade dos seus eleitores, com 87% dos que votaram no partido a afirmar que voltarão a fazê-lo, e de uma boa capacidade para atrair novos eleitores, especialmente do M5S, com 18% do eleitorado de 2018 a afirmar que agora vai votar na Liga, e da Forza Italia, onde os que afirmam preferir agora o partido de Salvini chegam aos 33%.

Para as europeias, as sondagens preveem que a Liga eleja 26 deputados ao Parlamento Europeu, mais de quatro vezes mais do que os seis que tem na atual assembleia europeia, o que a coloca em posição de, como Salvini anunciou em meados de abril, liderar naquele plenário um grupo político de partidos nacionalistas.

Um tal grupo, segundo projeções, pode tornar-se a terceira maior força política no PE, apenas atrás do centro-direita do Partido Popular Europeu (PPE) e do centro-esquerda dos Socialistas & Democratas (S&D) que, juntos, vão perder maioria que até agora tinham na assembleia.

Luigi Di Maio escolheu para os primeiros lugares da lista do M5S às europeias cinco mulheres, com eleição garantida, já que as projeções apontam para que o movimento consiga eleger 18 eurodeputados.

O também vice-primeiro-ministro reafirmou que o seu movimento "não é de esquerda nem de direita", uma categorização que considera "ultrapassada", e manifestou vontade de liderar um grupo no Parlamento Europeu que seja "o fiel da balança" entre PPE e S&D e defenda um salário mínimo europeu, a democracia direta e o apoio à produção "made in" UE.

O Partido Democrático (PD, centro-esquerda), outrora uma força dominante na política italiana, saiu severamente derrotado nas legislativas de 2018 e tenta reerguer-se nestas eleições.

Com um novo líder, Nicola Zingaretti, o partido apresentou uma lista de candidatos às europeias em que figuram um médico de Lampedusa que presta cuidados aos migrantes, Pietro Bartolo, e um antigo procurador anti-máfia, Franco Roberti.

As sondagens atribuem ao PD cerca de 20% das intenções de voto (16 eurodeputados), pouco mais que os 18,5% que obteve nas legislativas de há um ano, valor que, a confirmar-se, o mantém como terceira força política no país.

Silvio Berlusconi, que conta 82 anos e foi hospitalizado durante a campanha por uma obstrução intestinal, tenta nesta eleição manter a aliança entre o partido que fundou há 25 anos e a Liga e defende uma aproximação do centro à direita no Parlamento Europeu.

As sondagens atribuem à Forza Italia menos de 10% das intenções de voto, o que levou Berlusconi a dizer que esses números o envergonham e que os italianos "estão loucos" se preferem votar em dirigentes sem experiência como aquele que é o alvo principal das suas críticas, Di Maio, de 36 anos.

A estas europeias italianas concorre por outro lado mais um bisneto do ditador Benito Mussolini, Caio Giulio Cesare Mussolini, candidato dos Fratelli d'Italia (extrema-direita) e primo de Alessandra Mussolini, eurodeputada e candidata a um novo mandato pela Forza Italia.

Este Mussolini, "número dez" da lista do FdI na circunscrição sul, diz usar com orgulho o apelido, mas assegura que nem ele nem o partido são fascistas, mas herdeiros da "direita italiana histórica", e quer bater-se contra "a globalização, a ditadura do politicamente correto, a imigração sem controlo, o domínio de alguns pequenos grupos financeiros, o extremismo islâmico".

A Itália vota a 26 de maio e elege 73 dos 751 deputados do Parlamento Europeu.

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