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Oposição rejeita envolvimento em alegado plano para matar Presidente

O partido Convergência para a Democracia Social (CPDS), na oposição na Guiné Equatorial, recusou hoje o envolvimento do seu líder numa suposta trama para assassinar o Presidente Obiang, considerando tratar-se de uma montagem do regime.

Oposição rejeita envolvimento em alegado plano para matar Presidente
Notícias ao Minuto

10:51 - 12/03/19 por Lusa

Mundo Guiné Equatorial

O partido acusa o regime de Teodoro Obiang, no poder desde 1979, de pretender implicar Andrés Esono Ondo, secretário-geral da CPDS, e Guillermo Nguema Ela, coordenador da Força Democrata Republicana (FDR), outro partido da oposição, de conspirarem para matar o chefe de Estado.

"O CPDS rejeita frontalmente a tentativa do regime de envolver o seu líder num suposto plano para assassinar Obiang, entre outras razões porque não interessa a morte de Obiang, mas sim uma transição política para a democracia, facilitada pelo próprio Obiang", refere o partido em comunicado.

No mesmo comunicado, o partido evoca a prisão do ativista e militante da CPDS, Joaquín Eló Ayeto, no início deste mês, adiantando que os interrogatórios a que foi sujeito se concentraram nas ligações e reuniões entre os responsáveis dos dois partidos da oposição.

Refere ainda que o ativista, em prisão preventiva na cadeia de Black Beach, na capital, Malabo, e sobre a qual recaem várias denúncias de violações de direitos humanos, foi pressionado para que confessasse conhecer um suposto plano para matar o Presidente da República, Teodoro Obiang.

"Tudo o que rodeia a detenção de Joaquín Eló é uma montagem do regime que, como denunciou CPDS, tenta eliminar Andrés Esono Ondo e Guillermo Nguema Ela do cenário político nacional e desviar a atenção da renhida luta pelo poder existente dentro do regime de Obiang", acrescenta a CPDS.

Para o partido opositor, essa luta ficou "bem patente na tentativa golpista de 24 de dezembro de 2017".

A CPDS considerou ainda que o processo judicial sobre esta tentativa de golpe está "a ser adiado de forma suspeita para evitar que passem para a opinião pública as misérias de um regime rejeitado já pelo próprio círculo de Obiang".

A CPDS adianta ainda que, desde 2002, quando o secretário-geral do partido era Placido Micó Abogo, que o regime tenta envolver os líderes da oposição em "montagens absurdas", dando como exemplo tentativas de 2015 e 2017 de acusar o atual secretário-geral, Andrés Esono Ondo, de envolvimento em esquemas para matar Obiang.

"Tudo o que o regime faz é uma cortina de fumo para tapar a sua própria incapacidade e a rejeição que suscita entre os seus, tentando aglutinar novos apoiantes", sublinha o comunicado.

Por isso, a CPDS apela à população da Guiné Equatorial, aos governos de Espanha, França, Estados Unidos, Alemanha, à União Europeia e à União Africana para que "se mantenham alerta relativamente às intenções do regime de Malabo para com a CPDS e o seu líder".

A organização não-governamental (ONG) EG Justice, que defende os direitos humanos da Guiné Equatorial, condenou a "detenção arbitrária" de Joaquín Eló Ayeto e exigiu ao Governo equato-guineense a sua libertação.

No passado mês de fevereiro, os grupos de defesa dos direitos humanos denunciaram a morte de Onofre Otogo, um equato-guineense sem militância política conhecida, mas detido após o seu alegado envolvimento numa suposta tentativa de golpe de Estado, em 2017.

Em novembro de 2018, Teodoro Obiang Nguema expulsou 42 militantes do partido no poder, o Partido Democrático da Guiné Equatorial (PDGE), pelo seu alegado envolvimento no golpe, que as autoridades equato-guineenses disseram ter frustrado.

As autoridades acreditam que um grupo de mercenários oriundos do Chade, Sudão e República Centro-Africana entraram na Guiné Equatorial em 24 de dezembro de 2017 para atacar Obiang, uma iniciativa que o Governo associou à "oposição radical, tanto do interior como do exterior".

O Presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, dirige o país desde 1979, tendo chegado ao poder através de um golpe de Estado, e é o chefe de Estado há mais tempo em exercício em África.

Desde a independência de Espanha, em 1968, a Guiné Equatorial tem sido considerada pelas organizações defensoras dos direitos humanos como um dos países mais corruptos e repressivos do mundo.

A Guiné Equatorial aderiu à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa em 2014.

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