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Governo ignora "crise social profundíssima" na hotelaria e restauração

A Federação dos Sindicatos de Agricultura, Alimentação, Bebidas, Hotelaria e Turismo (Fesaht) lamentou hoje a "falta de reconhecimento" pelo Governo da "crise social profundíssima" vivida pelos trabalhadores do setor, voltando a exigir a "reabertura imediata" de todos os estabelecimentos.

Governo ignora "crise social profundíssima" na hotelaria e restauração
Notícias ao Minuto

16:51 - 12/08/20 por Lusa

Economia Sindicatos

Em declarações à agência Lusa, Francisco Figueiredo, da direção nacional da Fesaht, considerou uma "falta de respeito e de consideração" o facto de a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho, não ter recebido a delegação da federação que hoje se apresentou no ministério para denunciar a situação dos trabalhadores do setor, na sequência da crise gerada pela pandemia de covid-19.

"A ministra não nos recebeu, marcou para dia 26 uma audiência por videoconferência, mas nós queremos discutir cara a cara os problemas do setor", disse, considerando "inaceitável que o Governo se disponibilize, sempre e a qualquer hora, para se reunir com os patrões e, neste tempo de crise sanitária, a ministra apenas tenha recebido a federação uma vez".

Afirmando-se "indignado porque o Governo não manifesta o reconhecimento da crise social profundíssima que o setor atravessa", o dirigente sindical salientou que os trabalhadores da hotelaria, restauração, bebidas, cantinas e IPSS (Instituições Particulares de Solidariedade Social) "precisam de proteção e de medidas concretas".

Como "reivindicação central", Francisco Figueiredo voltou a apontar a "reabertura imediata de todas as empresas" do setor, nomeadamente da hotelaria, denunciando que "vários grupos a nível nacional têm estabelecimentos encerrados, alegando que têm falta de procura, apenas para continuarem à procura de apoios".

"O setor sempre foi de altos e baixos, só no pico da época alta é que as unidades têm ocupações de 100%, e nem por isso as empresas encerravam", sustentou, considerando que "há um aproveitamento destes grupos económicos para mostrarem ao Governo que têm prejuízos e receberem apoios e subsídios do Estado".

Segundo o dirigente da Fesaht, a realidade é que os clientes dos estabelecimentos hoteleiros que continuam fechados "estão a ser desviados para outras unidades" dos mesmos grupos e os respetivos trabalhadores estão também "a ser transferidos, à força".

A federação estima serem "cerca de 25 mil" as empresas e estabelecimentos do setor que ainda não reabriram, apesar de "muitos dos trabalhadores já não estarem em 'lay-off'", e que haja "mais 75 mil" funcionários "sem emprego e sem salário".

A Fesaht exige também "a reintegração de todos os trabalhadores despedidos" durante o período da pandemia, assim como a reposição de direitos que lhes dizem ter sido retirados (férias, horários, prémios, subsídios e outras prestações retributivas), o pagamento dos salários em atraso e uma "compensação complementar para os trabalhadores que estiveram também na linha da frente, designadamente nos hospitais, lavandarias e resíduos".

Ainda reclamada é a "ocupação efetiva dos postos de trabalho, sem redução do horário e com o pagamento dos salários a 100%", a aplicação dos aumentos salariais cuja negociação a federação diz que já estava fechada ou em fase avançada antes da pandemia, o respeito pelos direitos da contratação coletiva e "condições mínimas de segurança e proteção da saúde dos trabalhadores em todos os locais de trabalho".

Os sindicatos exigem também uma "atuação exemplar da ACT [Autoridade para as Condições do Trabalho] coerciva e penalizadora", e a "anulação de todos os despedimentos e outros atos ilegais praticados pelas empresas desde março".

Segundo a Fesaht, "há milhares de trabalhadores da restauração e bebidas que estão a ser obrigados a trabalhar, mas têm três e quatro meses de salários em atraso, vendo os seus direitos postos em causa, designadamente os horários, o descanso semanal e as férias".

Nas indústrias alimentares, "não obstante o aumento da produção e dos lucros neste tempo de pandemia, o patronato também recusa a negociação da contratação coletiva e os aumentos salariais", afirma.

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