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Argentina procura na Europa apoio para tentar obter um acordo com o FMI

O presidente argentino, Alberto Fernández, inicia sexta-feira, com uma visita ao compatriota Papa Francisco, um périplo financeiro em busca de apoio político de líderes europeus para um acordo de reestruturação da dívida com o Fundo Monetário Internacional.

Argentina procura na Europa apoio para tentar obter um acordo com o FMI
Notícias ao Minuto

20:37 - 30/01/20 por Lusa

Economia FMI

A viagem que o levará à Itália, Alemanha, Espanha e França marca a contagem regressiva para renegociar um acordo financeiro que evite um 'default' da dívida pública.

Para convencer os credores, é importante o aval do FMI. E para convencer os técnicos do FMI, o governo argentino quer o apoio de alguns dos países com mais peso na diretoria do organismo multilateral de crédito.

O lóbi político do Presidente argentino começa sexta-feira pelo aliado no Vaticano. O Papa argentino promete ajudar para um milagre financeiro, mas também vai colocar sobre a mesa um assunto delicado: a legalização do aborto na Argentina.

O Papa quer que o governo argentino desista da ideia de despenalizar o aborto com uma lei que Fernández pretende enviar ao parlamento neste ano.

Com a reunião entre os dois chefes de Estado argentinos, a viagem de Fernández ganha a dimensão para o seu maior objetivo: obter apoio político internacional para conseguir que o FMI reestruture a dívida argentina.

"Sem o apoio externo europeu, Alberto Fernández não vai poder resolver os problemas económicos da Argentina, principalmente de financiamento. E, para isso, é preciso um vínculo pessoal com os seus colegas europeus", explica à Lusa o cientista político argentino, Sergio Berensztein.

O começo pelo Vaticano não se limita à capacidade de o Papa ser um bom embaixador para o interesse argentino.

No próximo dia 05 de fevereiro, o Vaticano acolhe um seminário sobre a questão da dívida dos países emergentes com alguns dos maiores pesos-pesados da economia mundial.

A tal ponto que a própria diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, poderá ter a primeira reunião bilateral com o ministro da Economia da Argentina, Martín Guzmán.

Ainda sexta-feira em Roma, Alberto Fernández terá reuniões com o primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, e, depois, com o Presidente italiano, Sergio Mattarella.

No domingo, o presidente argentino vai à Alemanha para um encontro, no dia seguinte, com Angela Merkel. Na terça-feira estará em Espanha com o presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez e na quarta-feira será a vez da França, onde se reunirá com o Presidente Emmanuel Macron.

Juntos, esses países detêm quase 15% dos votos no Fundo Monetário Internacional, além da influência política sobre outros membros do FMI.

Esta semana, o ministro da Economia argentino, Martín Guzmán, teve os primeiros encontros diretos, em Nova Iorque, com os credores privados, com técnicos do FMI e com membros do Tesouro dos Estados Unidos.

Guzmán juntar-se-á ao Presidente Alberto Fernández nas conversas com os líderes europeus.

A Argentina precisa de reestruturar a sua dívida com os credores privados, mas, para isso, precisa de um acordo também com o FMI, que funciona como aval para a credibilidade do país. As duas negociações vão acontecer em paralelo.

A questão é que tanto os credores privados quanto o FMI estão à espera de algo básico: um plano económico integral que indique qual será a via que a economia argentina trilhará até 2023.

Até agora, o governo argentino não apresentou nenhum plano.

"A Argentina tem dois problemas básicos: um histórico de mau pagador e a falta de um plano económico. A má reputação faz com que custe mais caro um empréstimo ao país. A falta de um plano complica as possibilidades de um acordo", aponta o economista argentino Roberto Cachanosky.

"O ministro argentino diz que, para pagar, primeiro a Argentina tem de crescer. A pergunta é: por que a Argentina cresceria? Qual é o plano para crescer que permitirá pagar?", questiona Cachanosky

O governo argentino estabeleceu o dia 31 de março como o limite ideal para um acordo, mas esse prazo parece hoje otimista.

Os economistas indicam que o país teria dinheiro até ao final de abril ou começo de maio. E esse parece ser o limite real para a Argentina conseguir os dois acordos e não cair num novo 'default' da dívida.

O país pretende uma renegociação que permita de dois a três anos "de graça" para voltar a pagar uma dívida com juros menores e com um prazo mais dilatado, mas sem afetar o capital.

Os economistas, no entanto, acreditam que, para uma dívida sustentável, deverá haver uma redução dos juros, mas também do capital.

"Para que a dívida seja sustentável, terão de decidir entre reduzir o estoque de dívida ou reduzir a taxa de juros ou uma combinação dos dois. Estamos no limite de um novo 'default' e sem um programa económico", observa Cachanosky.

A dívida pública argentina é de 315 mil milhões de dólares. Desse montante, o país pretende reestruturar entre 30 e 50 mil milhões de dólares com os credores privados e mais 44 mil milhões de dólares com o FMI.

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