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Portugal "ainda não é um país turístico" pois precisa de consenso

Augusto Mateus considerou hoje que, apesar de o ser, Portugal não se reconhece ainda "como um país turístico", pois há falta de consenso nacional no contributo do setor para o desenvolvimento, sendo essencial trazer "o país para o turismo".

Portugal "ainda não é um país turístico" pois precisa de consenso

"Portugal fez melhor do que podem pensar e fez muito bem em mercados muito importantes e do ponto de vista do papel do turismo na economia. Portugal tem o turismo a contribuir sensivelmente o dobro do peso do que a Europa e o mundo. Mas, para ser sincero, Portugal ainda não é um país turístico", afirmou hoje o consultor estratégico da Ernest & Young Augusto Mateus & Associados, no 45.º Congresso Nacional da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo, que decorre no Funchal.

O também ex-ministro da Economia explicou de seguida para uma plateia de cerca de 750 participantes no congresso a razão da afirmação quase contraditória.

"Sendo um país turístico é um país que não se reconhece como país turístico. É um país turístico na realidade, não é um país turístico no pensamento. Não há a unanimidade ou o forte consenso nacional que deveria haver do papel do turismo no desenvolvimento económico e social" para o país, explicou.

Augusto Mateus disse que é necessário "ganhar o país para o turismo", que "é fundamental pôr mais portugueses de acordo com o turismo e a trabalhar para o turismo e pôr o turismo a entregar mais aos portugueses", e que isso só se consegue pondo a população a ver que o setor pode ser uma alavanca para a melhoria da sua qualidade de vida.

É preciso "mais envolvimento do país, quase consenso nacional. Um consenso que não há em outras atividades: não há na política, não há no futebol, não há na coesão territorial e em muita outras coisas, mas é possível o turismo ter uma convergência muito significativa de portugueses e isso existirá quando o turismo entregar mais aos portugueses. Entregar mais do ponto de vista de oportunidades", do desenvolvimento territorial e de qualidade de vida, afirmou o consultor.

Para Augusto Mateus, o contrário não se pode dar. Os portugueses não se envolverão se "perceberem o turismo como um obstáculo à qualidade de vida dos residentes de Lisboa, do Porto, do Funchal, etc" e "este é um elemento chave da estratégia" para o setor, considerou.

Ainda assim, lembrou que "o turismo não pode ser visto como milagreiro", pois tem problemas próprios. "Tem problemas ambientais, de ordenamento do território, de pressão sobre os recursos, e sobretudo, o turismo hoje não pode ser concebido como uma atividade genérica que se pode desenvolver em todos os territórios", alertou o ex-ministro da Economia.

É necessária "coragem em Portugal para dizer que não há verdadeira aptidão turística para este território, não é com o turismo que o território se vai desenvolver (...), temos de ser capazes de abrir muito mais perspetivas de desenvolvimento turístico em territórios com verdadeira aptidão turística, mas não podemos ter todos os territórios a competir para os mesmos fluxos turísticos", alertou.

Na quinta-feira, na abertura do Congresso da APAVT, o seu presidente, Pedro Costa Ferreira, referiu perante uma plateia que incluía a secretária de Estado do Turismo, Rita Marques, que o setor precisa de uma estratégia a mover-se "em direção a um universo harmonioso de turistas com mais capacidade de gastos, e uma oferta com melhor qualidade de serviço", universo que permitirá ao país crescer, mas "com a menor pressão turística possível".

"Uma estratégia que nos garanta mais território turístico, que nos traga menor sazonalidade, que nos permita diminuir a dependência de rotas aéreas construídas artificialmente, com meros objetivos de curto prazo. Uma estratégia que espalhe os benefícios do crescimento não apenas pela cadeia de valor, mas também pela população, assegurando coesão social, que garanta o envolvimento de mais território, apostando e defendendo a coesão territorial", afirmou Pedro Costa Ferreira.

Dirigindo-se mesmo à governante, o presidente da APAVT concluiu que Portugal precisa de "uma estratégia que traga o turismo para a centralidade económica do país, assegurando mais crescimento e bem-estar económico, e que envolva o país, distribuindo os benefícios por todos".

O 45.º Congresso da APAVT decorre no Funchal até domingo, sob o tema "Turismo: Opçoes Estratégicas", contando com um número recorde de 750 participantes.

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