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CEO da Gant: Da queda da Ricon, à aposta no mercado português

A Gant 'saiu' de Portugal com a falência do grupo Ricon, que detinha as lojas da marca cá. A marca sueca foi, desde então, confrontada com o facto de ter tido culpa na queda de um dos principais empregadores da indústria têxtil em Portugal. O Notícias ao Minuto falou com o CEO da Gant, o sueco Patrick Nilson, que explicou a relação com o parceiro português e os planos para o futuro da marca no mercado português.

CEO da Gant: Da queda da Ricon, à aposta no mercado português
Notícias ao Minuto

08:58 - 07/05/18 por Beatriz Vasconcelos

Economia Entrevista

No início deste ano começaram a chegar aos funcionários da antiga Ricon as cartas de despedimento,  dando conta da cessação dos respetivos contratos de trabalho. Com cerca de 800 trabalhadores, o grupo Ricon, composto por oito empresas e que detinha as lojas Gant em Portugal, apresentou-se à insolvência em finais de 2017.

Cinco meses depois, o Notícias ao Minuto falou com Patrick Nilson, CEO da Gant, que veio Portugal para se reunir com parceiros de vendas locais da marca sueca, tais como a Marques Soares e a Unifato. 

Atualmente, todas as lojas da marca Gant em Portugal estão encerradas, uma vez que uma das unidades da Ricon, a Delveste, era responsável pelas operações comerciais da marca sueca em Portugal. Porém, esta situação não será para continuar já que Nilson esteve em Portugal também para visitar vários centros comerciais com o objetivo de estudar onde pode "potencialmente construir lojas no futuro"

Qual foi o papel da Gant?

A Gant é uma empresa que nasceu nos Estados Unidos, mas atualmente tem sede em Estocolmo, na Suécia. Existem mais de cinco centenas de lojas espalhadas pelo mundo. Cá, a Gant operava através da Delveste, mas também comprava produtos à Ricon. 

"É claro que tivemos um papel [na falência da Ricon] no sentido em que comprávamos produtos da Ricon, eles eram um dos nossos fornecedores e a Delveste cuidava da parte do retalho. Não conseguimos manter as encomendas à Ricon, porque eles não tinha capacidade de entregar o produto  a tempo", comentou connosco Patrick Nilson.

Ainda assim, o problema estava também do lado da Ricon, que teve dificuldade em encontrar outros grandes clientes. "As nossas encomendas na altura caíram e isso fez com que fosse cada vez mais difícil para Rincon sobreviver, porque não encontrou nenhuma outra marca que quisesse fazer-lhes encomendas", explicou.

Deste modo, a Ricon deixou de ter capacidade financeira para manter os pagamentos em dia. "Tentámos ajudar o máximo possível, mas a partir do momento em que [a Ricon] não podia pagar os seus bens ou contas, nós não poderíamos manter as entregas", elucidou o responsável.

"É muito triste, estou triste pelos funcionários do grupo Rincon, que trabalharam muito para a Gant por vários anos, e também estou triste pelo facto de os nossos clientes em Portugal enfrentarem uma gama reduzida de produtos da Gant, mas para isso é que me encontro em Portugal para tentar resolver isso o mais depressa possível", afirmou Patrick Nilson. 

Notícias ao MinutoPatrick Nilson é CEO da Gant desde agosto de 2014.© Gant

Boa relação, mas opiniões divergentes

Questionado sobre a relação com Pedro Silva, o dono da Ricon, o CEO da Gant garantiu que tinham uma "relação muito boa" quando Nilson entrou para a empresa, há quatro anos. Ainda assim, essa ligação parece ter-se desvanecido. 

"O Pedro foi uma das primeiras pessoas que eu visitei e eu sabia que a família dele tinha sido muito importante para a história da Gant (...) tínhamos um bom relacionamento pessoal, mas opiniões muito diferentes sobre como gerir uma empresa e como gerir um negócio e, portanto, sim, nós não falamos hoje", fez sobressair. 

Gant volta já no próximo ano

Apesar de, atualmente, todas as lojas da marca estarem encerradas, Patrick Nilson garante que a marca reconhece a força do mercado português e, por isso, prevê que no próximo ano sejam abertas já entre cinco a seis lojas. Os locais ainda estão a ser avaliados e ainda nada está fechado. Há apenas uma certeza, a Gant não está à procura de nenhum parceiro em Portugal e por isso tenciona iniciar as operações cá com selo próprio. 

O objetivo, segundo o responsável, é que a marca tenha entre 10 e 12 lojas, "quando tudo estiver estabelecido, mas isso levará vários anos". Ainda assim, este número fica distante das 20 que a marca tinha no mercado português antes da falência da Ricon. 

"Muitos consumidores hoje optam por comprar online em vez de comprar nas lojas, portanto, não acho que faça qualquer sentido ter muitas lojas. Também quero ter certeza de que protegemos todos os nossos bons parceiros de venda e que eles têm espaço suficiente para expandir seus negócios com a Gant", referiu. 

Portugal é um dos melhores mercados

"Estamos muito comprometidos com o mercado português. Historicamente, é um dos nossos melhores mercados no mundo e queremos trazê-lo de volta a esse nível", afirmou Patrick Nilson.

Questionado sobre a rentabilidade de um negócio de peças caras, numa altura em que crescem as lojas de 'fast fashion', Nilson considera que a Gant tem uma vantagem que se prende com a sustentabilidade e com a geração dos 'Millennials'. 

"Os nossos consumidores procuram qualidade e estilo clássico, [algo] que a Gant tem. E também vimos uma tendência de os consumidores da geração 'Millennials' estarem a deixar de comprar 'fast fashion',  [uma vez que] querem viver em um mundo mais sustentável e as 'fast fashion' não são de todo sustentáveis", explicou. 

Deste modo, Patrick Nilson considera que "existe uma vantagem" para a marca a "longo prazo", que se prende com o facto de a Gant ter "um estilo clássico e de muito boa qualidade", rematou.

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