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"Claro que Jesus tem mais experiência, mas o Sérgio não é burro"

Nas vésperas do clássico entre Sporting e FC Porto, o Desporto ao Minuto esteve à conversa com Edmílson Pimenta. O médio brasileiro jogou ao lado de Sérgio Conceição e cruzou-se com Jorge Jesus, na altura o atual treinador do emblema de Alvalade orientava o Estrela da Amadora

"Claro que Jesus tem mais experiência, mas o Sérgio não é burro"
Notícias ao Minuto

08:15 - 23/01/18 por Ricardo Santos Fernandes

Desporto Edmílson Pimenta

Nas vésperas do clássico entre Sporting e FC Porto, o Desporto ao Minuto esteve à conversa com Edmílson Pimenta. O brasileiro que conhece, e muito bem, os dois lados da ‘barricada’. Contribuiu para a construção do penta dos dragões na década de 90 e integrou o plantel dos leões que derrubou um jejum de 18 anos sem conquistar o título nacional na época de 1999/2000.

Edmílson Pimenta jogou ao lado de Sérgio Conceição e cruzou-se com Jorge Jesus, na altura o atual treinador do emblema de Alvalade orientava o Estrela da Amadora: “Claro que o Jesus tem mais experiência, mas o Sérgio não é burro, não é à toa que está no FC Porto”.

O antigo médio fez a antevisão do clássico, revelou quem é a equipa mais forte do campeonato, contou-nos algumas das ‘reprimendas’ de Pinto Costa, sem esquecer de falar do PSG, clube pelo qual passou na época de 1997/1998. E a juntar a tudo isto a curiosa história de Edmílson Pimenta quando ouvir falar de Ronaldinho Gaúcho.

Se Felipe não fosse agressivo, não estaria no FC Porto

Continuas a acompanhar a Liga portuguesa?

Sim, continuo acompanhando a Liga portuguesa. Tive 15 anos a jogar aí e é difícil largar o ‘bichinho’ deste campeonato.

Quem se apresenta mais forte esta temporada?

Atualmente a equipa mais forte é o FC Porto e acredito que vai ser campeão. O ataque dos dragões é muito bom. O Aboubakar às vezes falha os golos que o Jardel não falhava, mas com um pouco mais de concentração ele vai tornar-se um grande jogador. Destaco também o Danilo e o Felipe. Um central que não sei se vai ficar muito tempo no FC Porto.

Como analisas as críticas que têm sido feitas ao Felipe pelo seu excesso de agressividade?

Se ele não fosse agressivo não estaria no FC Porto. Eu nunca apanhei centrais dóceis. Na zona onde ele está não pode falhar, porque depois tudo se resume ao adversário e ao guarda-redes da minha equipa. O central tem obrigatoriamente de mostrar o seu estatuto.

Notas que a Liga portuguesa tem evoluído no decorrer deste século?

O futebol português está evoluindo bastante e nós estamos a falar de um país onde mora o atual campeão europeu. Os jogadores estão cada vez mais valorizados nas principais ligas. Portugal tem grandes jogadores, como disse. Acredito que vão chegar longe, mas também depende das equipas com que a seleção se cruze a partir da fase de grupos. Uma coisa é certa: vou torcer pelo Brasil e a minha ‘costelinha’ portuguesa vai puxar por Portugal.

E como tens visto a crispação no futebol português?

Sempre houve e acredito que isso seja normal. É bom para apimentar o campeonato, mas é importante que não chegue aos jogadores.

E acreditas que não chega?

Na época em que eu estava aí começou a falar-se do Apito Dourado. Isso não afetava os jogadores, cabia aos tribunais falar sobre isso.

Quando Sérgio Conceição regressou a Portugal, já acreditava que ia acabar no FC Porto

Apareces envolvido na ‘construção do Penta’...

Foram anos maravilhosos. Comecei no Salgueiros, onde fui o terceiro melhor marcador, depois rumei ao FC Porto que já era campeão e fui muito bem recebido. Depois fui duas vezes campeão numa cidade fantástica com adeptos incríveis.

Como era a tua relação com Pinto da Costa?

Quando falo do Pinto da Costa não tenho nem palavras para o descrever. Para mim é o melhor presidente do Mundo. Alguém fantástico, acessível, que não é nada arrogante. Preocupa-se bastante com os jogadores, ia várias vezes ao balneário. Quando precisava de ser duro também o era.

E ele chegou a ser “duro” contigo?

Recordo ter regressado de folgas, na noite anterior tinha saído com o Fernando Mendes e no dia seguinte cheguei atrasado ao treino. Recordo termos ficado 20 minutos à margem do restante grupo. O António Oliveira [treinador] estava bravo e depois surgiu o presidente Pinto Costa e deu-me um daqueles corretivos que não se esquecem.

Como foi jogar ao lado de Sérgio Conceição?

O Sérgio é incrível. Jogávamos no mesmo corredor (direito). Tínhamos uma sintonia muito boa, fizemos grandes jogos. Quando ele voltou a Portugal como treinador, rumou ao Olhanense, e eu já acreditava que ele ia acabar no FC Porto porque ele sente o FC Porto, sente a mística do clube.

Estes Clássicos são imprevisíveis

Depois do FC Porto, surgiu um novo ‘grande’ e um título que escapava ao Sporting há 18 anos...

Recordo-me perfeitamente. Ganhámos ao Salgueiros por 4-1 e eu recordo-me do autocarro rumar do Porto até Lisboa, milhares de carros a acompanhar o trajeto, mais de 80 mil pessoas à nossa espera em Alvalade, os festejos do Schmeichel...

Que diferenças encontraste entre o Sporting e o FC Porto?

No FC Porto encontrei um balneário muito fechado, as pessoas receberam-me de uma forma muito especial, muito parecida à ‘mística’ do Salgueiros na altura. Quando cheguei ao Sporting havia muita turbulência, as notícias saiam rapidamente cá para fora.

Acompanhaste de perto o ‘nascimento’ de Ronaldo para o mundo do futebol...

Quando estava no Sporting toda a gente falava do Quaresma. O Cristiano não treinava connosco, mas já se falava de um menino que tinha um grande talento que andava pelos juvenis e que era uma grande promessa. Tornou-se num grande jogador, o primeiro a chegar e o último a sair do treino. Francamente, entre Messi e Ronaldo, considero o Cristiano o melhor. Tecnicamente Messi é o melhor, mas se olharmos ao conjunto o Cristiano é melhor. Messi só bate com a perna esquerda, não é bom de cabeça, a perna direita não a usa. Cristiano usa as duas pernas, já é bom de cabeça. Para ser o melhor do mundo é preciso ter várias qualidades.

Tens algum palpite para o duelo entre FC Porto e Sporting para a Taça da Liga?

Estes Clássicos são imprevisíveis. Por mais que a equipa chegue bem, a outra se supera. Recordo-me do Sporting não estar bem e ganhar nas Antas.

Será um Clássico com menos tensão pelo facto de ser para a Taça da Liga?

A Taça da Liga já começa a ser mais valorizada atualmente. Antes era mais utilizada para os treinadores apostarem nas ‘reservas’, hoje já não acontece tanto isso. Ninguém quer perder um Clássico, além do bom nome do clube, ainda há as ações da bolsa [risos].

Quem ganhar este clássico sai mais reforçado para a corrida do campeonato?

Uma vitória dá mais moral e pode, certamente, dar uma vitamina extra ao vencedor. E neste jogo vai ganhar quem errar menos.

Sabia que chegar a um ‘grande’ era uma questão de tempo para Jorge Jesus

Recordas-te de algum FC Porto-Sporting em especial?

Nos dois lados da barricada tive oportunidade de participar em grandes Clássicos. Recordo-me de vestir a camisola do FC Porto e ir a Alvalade ganharmos por 1-0 com um golo meu. Ultrapassámos o leão na classificação e terminámos campeões.

Taticamente, quem é o treinador mais forte: Conceição ou Jesus?

Claro que o Jesus tem mais experiência, mas o Sérgio não é burro, não é à toa que está no FC Porto. Conheço o Jesus muito bem, desde os tempos em que estava no Estrela da Amadora [como treinador9 e eu já sabia que chegar a um ‘grande’ era uma questão de tempo.

Que lembranças manténs da passagem pelo PSG?

Hoje o Paris Saint-Germain é uma potência, mas já na altura em que estava lá era um grande clube, com grandes jogadores. Atualmente eles têm mais dinheiro por isso é normal que façam uma equipa melhor.

E já pode ser comparado a equipas como Bayern, Real Madrid ou Barcelona?

Acredito que não. Ainda falta muita coisa, têm um ataque fortíssimo, um meio-campo também, mas a defesa é fraca. Aí estão várias lacunas. Eles estão bem no campeonato francês, mas acredito que na eliminatória frente ao Real Madrid [oitavos de final da Liga dos Campeões] os merengues partem com vantagem. Têm uma equipa mais habituada à competição e aposto no Real como vencedor.

Conheces bem Ronaldinho Gaúcho...

Ainda ontem estava a ver um vídeo dele. Lembro-me de ter jogado com o Assis [o irmão dele] e recordo-me de ele me dizer que iam trazer o irmão dele para Portugal. E eu questionei: ‘Que irmão seu, Ronaldo, o ‘fenómeno’? Não, Ronaldinho, está no Grémio’. E o Assis acrescentou e disse: ‘Vai ser o melhor jogador do mundo daqui a dois anos’ e eu era para investir no Ronaldinho, mas não investi. Dois anos depois ele já era o melhor do mundo e o futebol é o que é.

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