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Livro 'A Geração de Ouro' narra disrupção estrutural do futebol luso

O segredo do sucesso de Luís Figo, João Vieira Pinto, Rui Costa, Paulo Sousa, Fernando Couto e companhia está vertido no livro 'A Geração de Ouro', lançado este mês, que visa historiar a disrupção estrutural do futebol português.

Livro 'A Geração de Ouro' narra disrupção estrutural do futebol luso
Notícias ao Minuto

09:07 - 29/06/21 por Lusa

Desporto Futebol

"Foi uma fase de mudança a vários níveis. Tínhamos a impressão de que o então treinador das seleções jovens Carlos Queiroz poderia ter sido fundamental nisto, mas, depois de fazermos o estudo, percebemos que realmente teve um papel determinante e que não é reconhecido como devia", partilhou à agência Lusa o autor Hugo Sarmento.

A par de Teresa Anguera, António Pereira e Duarte Araújo, o professor da Faculdade de Desporto da Universidade de Coimbra investiu quatro anos na montagem de um estudo sociológico sobre o contexto dos inéditos títulos mundiais de sub-20, em 1989 e 1991.

"O Carlos Queiroz começou por alterar a metodologia de treino, que costumava estar muito baseada em capacidades condicionais e individualizadas e passou a ser mais específico e relacionado com aquilo que seria a dinâmica de jogo. Aliás, estudou sistematicamente as grandes competições para perceber quais eram as tendências evolutivas e preparar os atletas para um período temporal de 10 anos", apontou.

Para lá da "aposta consolidada num 4-3-3", atendendo à supremacia do 4-4-2 no futebol europeu na década de 1980, Hugo Sarmento vinca a liderança ativa e visão holística do ex-selecionador nacional 'AA', entre 1991 e 1993 e 2008 e 2010, na instrução de técnicos.

"Na verdade, não havia cursos, mas uma reunião no sindicato, em que eram passadas cartas de treinadores normalmente aos ex-jogadores. Quando ele se torna professor na Faculdade de Motricidade Humana (FMH), começa, em conjunto com a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e a Direção-Geral dos Desportos (DGD), a desenvolver cursos de formação. Havendo melhores treinadores, há melhores jogadores", notou.

Dos métodos revolucionários às abordagens incompreendidas, o 'bicampeonato' selado em Lisboa deu margem a Carlos Queiroz para incentivar Arcelino Mirandela da Costa, então diretor-geral dos Desportos, a inaugurar o estatuto de atleta de alta competição.

"Além disso, identificou outro problema, que persiste até hoje, que é o da base de recrutamento. Somos 10 milhões e, naturalmente, temos uma base menor. Ele procurou aumentar o número de praticantes através de programas financiados pela DGS e, em quatro anos, a FPF passou de 80.000 para 130.000 praticantes", quantificou.

A investigação académica valeu em 2018 a distinção máxima na categoria História e Sociologia dos Prémios Ciências do Desporto, iniciativa do Comité Olímpico de Portugal, tendo assumido a forma de livro por intermédio de Hugo Sarmento e Duarte Araújo.

"Era muito frequente Portugal ser goleado pelas outras seleções. Carlos Queiroz tentou mudar esse paradigma a vários níveis. Há várias descrições de jogadores dessa geração a dizer que ele os incentivava a serem melhores a diferentes níveis. Um deles até me disse: se iam para um baile, encostavam-se lá atrás e eram os franceses e os alemães que iam ter com as miúdas, agora tinham de ser os primeiros também nisso", ilustrou.

O selecionador esforçou-se para "criar identidade própria e fomentar uma mentalidade ganhadora", sendo que, a dada altura, "a questão não era se Portugal iria ganhar ou perder, mas por quantos venceria", como atestam 31 dos 34 campeões entrevistados.

"Esta geração de Lisboa praticamente não teve derrotas nos 90 minutos, tirando em penáltis ou prolongamentos. Para gerar tudo isso, instituiu e obrigou os jogadores a aprender o hino nacional, que não era tão valorizado na seleção, criou o simbolismo da bandeira nacional e inseriu a cor amarela nos próprios equipamentos", descreveu.

Aproveitando jornais desportivos da época e o acervo documental cedido pela FPF, Hugo Sarmento constatou "alguma resistência" naquele organismo "cada vez que era preciso fazer a mudança", até pelas repercussões do "fantasma de Saltillo" no Mundial de 1986.

"Os títulos de sub-20 foram um momento de aproximação, valorização social do desporto nacional, do futebol e até do próprio jogador. Há declarações curiosas de jogadores em relação a pais que tinham vergonha de que as filhas namorassem com um futebolista. A partir dessa altura, eram quase os pais que levavam as filhas aos jogadores", atirou.

As 515 páginas do livro 'A Geração de Ouro' explicam como a geração de Lisboa "estava muito preparada para ganhar" e concretizou uma façanha "mais esperada", enquanto o "difícil" cetro de Riade "era algo em que os próprios jogadores não acreditavam muito".

"Tivemos muito sucesso nas camadas jovens naquela altura e as gerações seguintes seguiram esse rasto. Depois, houve um período de travessia no deserto e, quando o Carlos Queiroz regressou à seleção, foi-lhe pedido para voltar a reorganizar a formação. Bem ou mal, começámos novamente a ter sucesso a partir daí. Hoje em dia, a estrutura da FPF está completamente diferente e tornou consistente esse trabalho", finalizou.

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