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"Os adeptos fazem parte do desporto. Quanto mais rápido voltarem melhor"

Psicólogo do Desporto Jorge Silvério analisou em declarações exclusivas ao Desporto ao Minuto o possível regresso dos adeptos aos recintos desportivos situação que tem levantado muitas críticas junto da opinião pública, numa altura em que se sucedem os casos positivos de Covid-19 nos clubes de futebol.

"Os adeptos fazem parte do desporto. Quanto mais rápido voltarem melhor"

A presença de público nos recintos desportivos tem sido um dos temas quentes das últimas semanas, com o presidente da Liga, Pedro Proença, a travar uma batalha com as autoridades de saúde para que seja aprovado o regresso de adeptos aos estádios, situação que poderá mudar a partir do início de outubro.

Por seu turno, as autoridades de saúde têm adiado uma tomada de decisão, isto numa altura em que Portugal vive um período de aumento do número de casos diários positivos de Covid-19, numa onda que até já atingiu clubes do primeiro escalão do futebol português, casos de Benfica, Sporting e Gil Vicente.

Neste sentido, e perante uma situação que está a deixar muitos clubes de futebol com a 'corda na garganta', o Desporto ao Minuto consultou o especialista em Psicologia do Desporto Jorge Silvério, que analisou este possível regresso de público aos recintos desportivos ainda no decorrer desta época, apontando para o facto de a situação estar perto de tornar uma realidade.

"Não haver adeptos até ao final do ano? Sou uma pessoa otimista e não acredito que isso aconteça. Até lá a situação irá certamente mudar. Faz sentido que se estude essa possibilidade, tendo em conta que estamos a tentar regressar à normalidade possível, dos adeptos regressarem aos estádios e eventos desportivos, respeitando as normas de segurança definidas pela Direção-Geral da Saúde", começou por dizer Jorge Silvério, antes de salientar que a situação de incerteza no que toca à evolução da pandemia tem atrasado esta decisão.

"Andamos um pouco atrás do impossível. Se andamos a tentar retomar a normalidade, respeitando as normas como a máscara e a distância física, e se até vai haver o regresso às escolas, é perfeitamente natural que haja um aumento do número de casos. O vírus não desaparece instantaneamente, continua aí. Temos é de nos habituar a isso. Um dos fatores do regresso à normalidade é que os adeptos possam frequentar eventos desportivos. A situação terá de ser reavaliada dia a dia. Agora com o regresso à escola fará repensar algumas medidas que foram tomadas", atirou, vincando ainda que o regresso de adeptos aos eventos desportivos será diferenciado entre os que ocorrem ao ar livre e os que acontecem em recintos fechados.

"Tem de se ponderar tudo aquilo que se conhece até ao momento. Nos locais abertos, a contaminação é menor do que em locais fechados. Por isso é que existem normas diferentes para as modalidades de pavilhão e as que acontecem ao ar livre", sublinhou.

Questionado sobre o facto de Portugal ser um dos poucos países da Europa em que não foi autorizado o regresso de pessoas aos eventos desportivos, o psicólogo do desporto diz que essa decisão tem de ser tomada pelas autoridades competentes tendo em vista a situação de cada país.

"Essa decisão tem de ser tomada por quem é eleito para o fazer. Esse será o caminho a ser seguido. Obviamente que vamos ter o regresso de adeptos aos estádios de futebol, com as limitações que vão ser necessárias. Estamos mais perto, se não existirem grandes alterações, de isso acontecer", explicou Jorge Silvério, que está de acordo com a retoma da assistência nos estádios de futebol.

"Concordo com esse regresso, desde que sejam cumpridas as regras que sabemos que já têm algum consenso em termos científicos e que têm sido muito faladas como a questão da máscara e do distanciamento físico. É preciso repensar o regresso de pessoas aos eventos desportivos, nomeadamente aqueles que são menos perigosos", assinalando que os encontros de futebol perdem alguma da sua essência sem os adeptos nas bancadas: "Temos observado essa falta de emoção. Os jogadores jogam em estádios vazios, os treinadores comentam isso. Os adeptos fazem parte do desporto. Quanto mais rápido voltarem melhor."

O que a pandemia mudou nos profissionais de futebol

Depois de muitas semanas sem jogar, e remetidos a treinos entre quatro paredes, os profissionais de futebol voltaram aos relvados com uma nova realidade que, na opinião de Jorge Silvério, afetou psicologicamente alguns atletas.

"Inicialmente esta pandemia trouxe o facto de não ser permitido aos profissionais de futebol, assim como outros, desempenhar a sua profissão na sua plenitude. Tiveram de ficar em casa confinados e a treinar dentro das situações possíveis. Logo aí foi uma grande alteração. Depois deste estado de choque houve alguma habituação da parte deles que é aquilo que costuma acontecer. Depois houve uma fase de esperança, sobretudo para os jogadores da I Liga, que voltaram a fazer aquilo que gostam, ainda que sob condições muito especiais. Por fim, agora, com o retomar das provas e alguns clubes a apresentarem casos positivos, será a continuação de fazer aquilo que gostam com a esperança de que toda esta situação venha a melhorar", sublinhou o especialista em Psicologia do Desporto, antes de analisar aquele que foi um período de muitas adaptações para os atletas. 

"Houve uma série de adaptações e os jogadores tiveram de ser muito flexíveis. Os atletas normalmente têm duas coisas que são importantes que os ajudaram durante o confinamento e a pandemia propriamente dita. Primeiro,  realizam exercício físico, e isso é importante. Depois, o outro é um aspeto que ando a estudar muito, que é a tenacidade, e que está relacionado com a capacidade de superarmos situações difíceis. Os atletas passam muitas vezes por estas situações e estão mais preparados do que os não-atletas para ultrapassar estas adversidades", acrescentou, explicando ainda que o período de confinamento provocou problemas psicológicos a alguns atletas.

"Existiu um conjunto de situações do ponto de vista psicológico que afetou mais uns jogadores do que outros. Isso depende muito da personalidade e da experiência. Os jogadores, no início, tinham medo do desconhecido e de ficarem contaminados. Depois perceberam que não faziam parte de um grupo de risco e começaram a preocupar-se com o facto de poderem contaminar alguém da família que pertencesse a esse grupo de risco como os mais idosos ou com problemas de saúde. Há, no fundo, a frustração de não poder desempenhar a sua profissão e depois ter de a desempenhar sob um conjunto de normas e regras", afirmou, recordando o caso do adiamento do encontro entre o Desportivo de Chaves e Feirense.

"Ainda este fim de semana assistimos a um conjunto de jogadores à espera de um jogo que tinha de começar a uma determinada hora e que acabou por ser adiado depois da hora. Se tivesse havido o jogo, o rendimento desportivo daqueles atletas ia ser condicionado por todas estas incertezas", vincou.

Questionado sobre se os jogadores poderão, de certa forma, ficar cansados com o excesso de condições de segurança, Jorge Silvério recusou tal situação e apontou como problema maior a questão do futebol de formação, com futuro ainda indefinido esta época.

"Isso são coisas que precisarão de fazer para continuar a desempenhar a profissão que exercem. Passaram a ser mais condicionalismos e penso que isso não afeta tanto. Estou mais preocupado com os atletas da formação que, neste momento, estão impedidos de competir. Preocupa-me mais a saúde física e mental e as repercussões que isso pode ter a médio/longo prazo, nomeadamente a desistência da prática do desporto. Os outros, felizmente, conseguem exercer a sua atividade com condicionalismos a que temos de nos ir habituando", afirmou.

"Essa incerteza [na retoma da atividade desportiva], de não saber o que vai acontecer no dia seguinte, provoca sempre ansiedade. No entanto, estes jovens que lidam com isto ficam mais bem preparados para enfrentar situações de situação de frustração e incerteza no futuro", finalizou.

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