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De Bernardo Silva a Cancelo... "Ao lado deles, sentia-me uma formiga"

David Carvalho, defesa do Montalegre, concedeu uma entrevista ao Desporto ao Minuto, onde fez uma antevisão ao duelo com o Benfica, para os oitavos de final da Taça de Portugal. A partida está agendada para a próxima quarta-feira, pelas 20h45.

De Bernardo Silva a Cancelo... "Ao lado deles, sentia-me uma formiga"
Notícias ao Minuto

08:34 - 17/12/18 por Andreia Brites Dias 

Desporto Entrevista

David Carvalho começou no futebol aos oito anos e, um ano depois, chegou ao Benfica, clube onde realizou a sua formação. Depois de uma 'caminhada' até aos juniores, acabou por sair para o Belenenses, em 2012. A partir daí, trilhou a sua carreira pelo Campeonato de Portugal, até chegar, esta temporada, ao Montalegre, clube que irá receber o Benfica na próxima eliminatória da Taça de Portugal. 

Em entrevista ao Desporto ao Minuto, o defesa direito de 24 anos falou do seu percurso no Benfica, onde partilhou balneário com Bernardo Silva e João Cancelo, da experiência no CPP e a "loucura" do sorteio da prova Rainha. 

Começaste a jogar futebol, no Seixal, com oito anos. Como é que o futebol surgiu na tua vida?

Os meus pais, principalmente a minha mãe, só me viam com uma bola na mão. Desde de pequenino. Tinha cerca de nove bolas em casa. E surgiu de uma forma natural. 

Como é que aconteceu a mudança para a formação do Benfica, um ano depois?

Sinceramente, nunca pensei em jogar num grande. Apenas queria jogar e divertir-me com os meus colegas. Não sonhava alto. Lembro-me que um dia joguei contra o Alfarim e fiz um golo que ainda nem hoje sei como o fiz. Foi no dia do aniversário do meu pai e festejei com ele na bancada. No final do jogo, o meu pai veio falar comigo, disse-me que o Benfica estava interessado em mim e que estava a ser observado. Tudo isto num ano. Claro que fiquei super contente porque foi uma prenda para o meu pai.

E quando mudaste para a formação do Benfica, como foi a adaptação? 

No primeiro ano foi mais fácil, porque do campo do Seixal até à minha casa era perto. No Benfica tinha que ir até Lisboa, para treinar nos pupilos, e tinha de ir de transportes públicos. Era muito cansativo. Tinha que sair da escola e depois tinha que ir logo para Lisboa. Foi assim durante dois ou três anos. Depois fizeram o Centro de Estágio no Seixal e isso ajudou bastante. No entanto, no Seixal era médio e no Benfica puseram-me a defesa e não gostava nada. Mesmo nada! Até ligava à minha mãe a chorar, a dizer que não queria ser defesa e que queria sair do Benfica. Depois habituei-me a tudo. À rotina, aos colegas, ao ambiente e, claro, à minha posição a defesa.

Notícias ao MinutoDavid Carvalho na formação do Benfica, com Bernardo Silva. © Notícias ao Minuto

O que a tua mãe dizia?

Coisas de miúdo... Ia para o campo meio chateado mas depois passava. Porque as pessoas têm formação e sabem o que estão a fazer. E puseram-me na posição certa. Não quero outra coisa. Já é meu habitat. Mas se me puserem a central, a médio ou extremo... Eu jogo. Não tenho problemas com isso. Quero é jogar. A minha mãe não dizia nada, só se ria. Porque a minha mãe sabia que, no fundo, ia conseguir ultrapassar esse pequeno obstáculo. É como comer uma sopa... Antes não gostava, agora como todos os dias.

No Benfica, estiveste com jogadores como Bruno Varela, Bernardo Silva, Guedes, João Cancelo… Como foi essa experiência?

Quando cheguei ao Benfica, a pessoa que me chamou logo à atenção foi o Bernardo Silva. E houve um dia em que lhe disse: "Bernardo, meto as minhas mãos no fogo que vais ser jogador." E foi o que aconteceu. Mas também sabia que havia ali jogadores de grande qualidade. Acho que foi das melhores gerações que lá passaram. Geração 93 e 94, com Bruno Varela, Ederson, José Sá, João Cancelo, Bruno Gaspar, Diego Costa, Hélder Costa, Ivan Cavaleiro, André Gomes... Podia fazer uma seleção. E eu ao lado deles, sentia-me uma formiga.

Destacavam-se muito em relação aos outros jovens?

Nunca vi tanta qualidade na minha vida. Fomos sempre campeões da formação, penso que fomos pentacampeões até. E lembro-me de uma época... Estava nos juvenis A, tinha 17 anos e foi a minha melhor época de sempre. Fomos campeões nacionais, tivemos 118 golos marcados e 12 golos sofridos, salvo erro. Mas também tínhamos um grande mister, o Bruno Lage. Como mister e como pessoa é impecável. Ajudou-me bastante. E só tenho que agradecer-lhe por isso... Porque foi graças ao mister e aos meu colegas que cheguei a seleção nacional de sub-17.

Em que é que o Bruno Lage mais te ajudou?

No início, não apostava em mim, mas chamava-me sempre à parte, para me dizer para continuar a trabalhar e que ia ter uma oportunidade. E foi por essa atitude que me tornei mais confiante e forte e trabalhava sempre no máximo. Ainda me lembro... Estava no banco, o João Cancelo não estava nos dias dele, ele tirou-o e meteu-me no lugar dele. Joguei apenas 15 minutos. No dia seguinte, pôs-me na equipa inicial e eu pensei: "Wow, vou jogar contra o Sporting?". Depois vi o João Cancelo do lado esquerdo. Montei logo o puzzle. O João Cancelo joga sempre. Jogo eu, o Cancelo e mais nove. A partir daí, foi sempre a subir. Até que depois fui convocado para a seleção. Eu gosto do mister Lage, porque é uma pessoa séria. Prometeu uma coisa e cumpriu.

E por que é que saíste para o Belenenses, em 2012?

Fui para o Belenenses no meu último ano de junior. Saí em janeiro porque não estava a jogar e no último ano de junior é muito importante jogar. Nesse ano, era o mister João Tralhão que trabalhava connosco. Não tive tanta sorte como tive com o mister Lage. Não era opção. Só tinha que aceitar isso e sempre respeitei.

Depois do Belenenses, passaste pelo o Vila Flor, Mirandela, Pedras Salgadas e Gafanha antes de Montalegre... Como tem sido a experiência no Campeonato de Portugal?

Extremamente difícil... Principalmente, no meu primeiro ano de sénior. Quando fui para o Vila Flor, nunca tinha estado longe de casa, foi um choque para mim. Tive muitos anos no Benfica, onde tinha tudo. Não me faltava nada. O Vila Flor é um clube com menos recursos, onde tinha dificuldades, onde havia pessoas que jogavam e trabalham e alguns até faltavam aos treinos por causa do trabalho. Foi mesmo muito difícil porque estava no topo e do nada fui para o fundo do poço. Foi chocante mesmo. Depois tive pessoas fantásticas que me ajudaram imenso, principalmente o presidente, foi como um pai para mim. Em relação ao campeonato, pode não fazer sentido o que vou dizer, mas este campeonato é mais difícil de jogar do que a II Liga. Já tive vários jogos amigáveis contra equipas profissionais e não tem nada a ver. Não estou a desvalorizar os de II Liga, longe disso. Mas as equipas da II Liga têm mais qualidade que as do CPP, têm mais formação que nós e tudo. O Caldas foi até as meias-finais da Taça de Portugal e eliminou equipas da II Liga... Este campeonato tem muita qualidade, só que não tem oportunidades, o que é uma pena.

Notícias ao MinutoDavid Carvalho ao serviço do Pedras Salgadas. © Notícias ao Minuto

E como tem sido a experiência do Montalegre? Como surgiu essa mudança?

Tem sido uma experiência boa. É uma boa terra, tem boa comida, boa gente mas há muito frio, parece que estou na Rússia. (risos). O Montalegre já me queria há muito tempo mas estava a precisar de sair dos ares transmontanos e fui para o Gafanha. No final do campeonato, o diretor do Montalegre ligou-me a perguntar se era desta vez que ia para lá. E foi assim... Fomos conversando e passado umas semanas assinei.

Como é que foi a reação da equipa quando saiu o Benfica no sorteio da Taça de Portugal? Ficaram satisfeitos?

Uma loucura! Parecia que tinha calhado o Euromilhões a toda gente. Ninguém estava a acreditar, ninguém estava à espera. Calhou o maior clube de Portugal. Foi um momento único. Ficou para a história. Para o clube e para nós. Talvez nunca mais vá acontecer. E é um orgulho enorme fazer parte desta história, porque já ganhei um carinho especial por esta terra.

E o facto de ser um clube grande, aumenta muito a pressão?

Pressão? Não! Não temos nada a perder. Vamos defrontar uma equipa que está habituada a ganhar e que não facilita em nada. Este sorteio foi como uma prenda para nós e queremos desfrutá-la, mas com responsabilidade. Temos a consciência que temos, apenas, 1 % de hipótese. Mas nunca se sabe, a bola é redonda e vamos jogar cara a cara.

Qual é o maior perigo na equipa do Benfica?

Maior perigo do Benfica? Os 11 titulares mais os três que vão entrar. Vamos jogar contra uma das melhores equipas e o maior clube de Portugal. 

Como é receber um grande na vossa casa?

É um espectáculo! Se fosse na Luz também era bonito, mas na nossa casa é ainda mais. Porque vai estar gente que talvez nunca viu o Benfica ao vivo a jogar e, na quarta-feira, têm oportunidade de ver. É também a primeira vez que o Benfica virá para Montalegre. Também temos oportunidade de mostrar a nossa qualidade. Porque não é todos os dias que jogamos contra o Benfica. Vamos dar a vida.

Mas o treinador não vai poder estar no banco, devido a castigo. Como é que vão gerir essa situação? É prejudicial para a equipa?

O mister vai estar connosco, no banco ou não. A dar indicações e a ajudar-nos. Nunca nos falhou. Sempre esteve com a equipa nos bons e nos maus momentos. O mister é o nosso 12.º jogador.

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