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"A literacia emocional deveria ser disciplina obrigatória na escola"

O autor do sucesso editorial 'Educar pela Positiva – Um guia para pais e educadores', Nuno Pinto Martins, escreveu agora um livro infantil para ajudar as crianças a lidar com as emoções. O Notícias ao Minuto esteve à conversa com ele, assinalando assim o dia em que apresenta 'O Comboio das Emoções' na Feira do Livro de Lisboa.

"A literacia emocional deveria ser disciplina obrigatória na escola"
Notícias ao Minuto

08:12 - 10/06/24 por Natacha Nunes Costa

Cultura Nuno Pinto Martins

Há quase uma década que Nuno Pinto Martins ajuda pais e educadores a educar pela positiva, sem gritos, nem castigos.

Desde 2015, altura em que deixou de ser jornalista, que o, também, antigo advogado abraçou esta missão.

Entretanto, tornou-se formador certificado em Disciplina Positiva, 'Kids Coach', e fundou a Academia Educar pela Positiva, que anda de norte a sul de Portugal a falar sobre parentalidade.

Depois do sucesso editorial de 'Educar pela Positiva – Um guia para pais e educadores', Nuno Pinto Martins decidiu também escrever um livro para crianças.

Em 'O Comboio das Emoções', o autor fala, de forma leve, das várias emoções que nos podem absorver, algo que os pais e educadores devem ter em atenção na educação das crianças que têm a seu cargo, como sublinhou numa entrevista ao Notícias ao Minuto, feita por e-mail.

Esta segunda-feira, 10 de junho, Nuno Pinto Martins apresenta 'O Comboio das Emoções' às 11h30, no Espaço Porto Editora | Bertrand Editora na Feira do Livro de Lisboa.

No meio da birra e na tentativa de a acalmar, lembrei-me de lhe dizer que estava a chegar o comboio das emoções

O livro 'O Comboio das Emoções' foi inspirado numa birra de uma das suas filhas. Como é que isto aconteceu?

Tudo começou com uma birra da minha filha mais nova, quando ela tinha uns 7 anos (atualmente tem 10). No meio da birra e na tentativa de a acalmar, mudando-lhe o foco, lembrei-me de lhe dizer que estava a chegar o comboio das emoções. E na brincadeira, acrescentei que ainda haveria de escrever um livro sobre isso. Mais tarde ela perguntou-me quando é que publicava o livro e comecei a pensar mais a sério no assunto. Ela foi insistindo com a pergunta e, um dia, sentei-me ao computador - só com o título do livro na cabeça - e criei a história d'O Comboio das Emoções'.

Depois do sucesso do livro 'Educar pela Positiva' sentia necessidade de escrever um livro para os mais novos, que ensinasse as crianças a gerirem as suas emoções desde cedo?

Apesar de o livro ter surgido na sequência da situação que descrevi, confesso que já tinha pensado em escrever algo para os mais novos, que lhes permitisse refletir sobre algo tão importante como as emoções. Por isso, aquela birra acabou por servir de pretexto para que tal acontecesse.

O que é essencial ensinar aos "maquinistas dos pequenos comboios" sobre emoções? E porque é que é importante ensiná-lo?

Aos "maquinistas dos pequenos comboios", ou seja, pais e educadores, cabe proporcionarem um ambiente seguro às suas crianças, enquanto principais exemplos e referências que são para elas. Aprenderem a gerir as suas próprias emoções é o primeiro passo, para que possam modelar o comportamento dos mais pequenos através da forma como se comportam. Depois, perceberem que é normal a criança sentir. Sejam as emoções mais fáceis de lidar, como a alegria, o amor ou a calma, mas também as mais difíceis, como a raiva, a tristeza, o medo, ou a vergonha. Todas elas existem e são necessárias, é importante ajudar as crianças a reconhecerem-nas e a lidarem com elas. 

E o que sente, ao longo destes anos como 'educador de famílias', que os adultos ainda precisam aprender neste sentido?

Todos nós estamos numa aprendizagem contínua, enquanto pais e educadores. Eu incluído. Não temos de ser perfeitos, mas podemos construir relações mais positivas com as nossas crianças. Os erros são fantásticas oportunidades para aprender. Os nossos erros e os erros delas. E são os gestos simples que fazem a diferença na educação. O tempo de qualidade que passamos com elas, aqueles cinco minutos em que nos sentamos a brincar no chão ou a ler uma história, o tom de voz com que lhes falamos, o baixar ao nível delas…

No final do dia, falta muitas vezes aos pais paciência

O cansaço do dia a dia afeta as relações dos adultos com as crianças?

Sem dúvida! Um dos maiores desafios dos pais e educadores de hoje é encontrarem um equilíbrio, entre a vida pessoal e profissional, de forma a que consigam estar em condições de cuidar e educar. No final do dia, falta muitas vezes aos pais a paciência, para ouvir, brincar, conversar, compreender a criança e lidar com as birras por exemplo. Daí ser tão importante o autocuidado.

Acha que os pais estão mais preocupados com estas questões hoje em dia? Em educar pela positiva, em cultivar a inteligência emocional e em aprender e ensinar a gerir emoções?

O que tenho percebido, por andar de norte a sul com o projeto 'Educar pela Positiva', é que os pais estão hoje mais conscientes do seu papel e do impacto das suas atitudes nas crianças. Por isso, procuram mais informação e também conhecer novas estratégias e "ferramentas", porque sentem que as que têm – repetem muitas vezes o autoritarismo que conheceram ao longo do seu crescimento – não estão a resultar. Tal como não resulta o outro extremo, a permissividade, hoje muito habitual na sociedade em que vivemos. 

Este tipo de temas devia ser mais debatido nas escolas?

Sou suspeito, mas acredito que a literacia emocional deveria ser disciplina obrigatória. Ensinar as crianças a conhecerem quem são e a lidarem com as suas emoções. Tal como deveria fazer parte do currículo, de quem ensina nas escolas, a Disciplina Positiva. Acredito que um dia vamos lá chegar, todos os dias planto sementes nesse sentido.

Resumidamente, que mensagem gostaria de deixar às crianças e aos adultos?

Aos mais novos, que brinquem. Brinquem muito. Aos adultos, que deixem as crianças serem crianças. E que desfrutem do crescimento delas. Porque passa a correr.

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