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Artistas e associações apoiam Cinemateca Brasileira em manifesto

Dezenas de artistas e associações culturais assinaram um manifesto de apoio à Cinemateca Brasileira, o maior arquivo de filmes do país, e que enfrenta uma grave situação política e financeira relacionada com o seu orçamento anual.

Artistas e associações apoiam Cinemateca Brasileira em manifesto
Notícias ao Minuto

17:42 - 20/05/20 por Lusa

Cultura Brasil

"A Cinemateca Brasileira, maior arquivo de filmes do país, cuja trajetória é reconhecida internacionalmente, enfrenta uma situação limite. Em meados de maio não recebeu ainda nenhuma parcela do orçamento anual, cujo montante é da ordem de 12 milhões de reais [1,9 milhões de euros]", diz o manifesto assinado por nomes como Lygia Fagundes Telles, escritora e ex-presidente do Conselho da Cinemateca Brasileira, ou o cineasta Walter Salles.

O manifesto relata que, após sofrer uma intervenção do Ministério da Cultura em 2013, que "destituiu a sua direção e lhe retirou a autonomia operacional", a Cinemateca "vem enfrentando um processo contínuo de enfraquecimento institucional que culmina na atual ameaça de total paralisia".

O documento aponta ainda como fator de instabilidade o facto de a atual Secretaria Especial da Cultura, responsável pela Cinemateca, ter os seus vínculos administrativos divididos entre os Ministérios da Cidadania e do Turismo.

"Essa situação esquizofrénica dificulta a atuação do Governo com a urgência necessária para impedir a falência da Cinemateca, enquanto a administração pública se dedica a desenhar uma solução de longo prazo. Se o orçamento da Cinemateca não for imediatamente transferido, assegurando a manutenção do quadro mínimo de contratados e as condições físicas de conservação, não haverá necessidade de uma perspetiva de fôlego, pois já teremos alcançado a solução final", adverte o manifesto.

No documento foram ainda enumerados vários dos problemas que a instituição enfrentou, como um incêndio de fevereiro de 2016 -- o quarto sofrido na sua história -- em que se perderam definitivamente mil rolos de filmes antigos, assim como as inundações sofridas este ano pela Cinemateca na Vila Leopoldina (São Paulo), que abrigavam parte do acervo.

"Se a indiferença com o futuro do património audiovisual brasileiro persistir, as consequências serão ainda mais graves. Sem os cuidados dos técnicos e as condições de conservação todo o acervo se deteriorará de modo irreversível. Nesse caso, quando chegar o socorro de Brasília, as imagens do nosso passado terão se tornado espetros da nossa falência como nação", conclui o manifesto.

Entre os subscritores do manifesto estão o diretor do Arquivo português de Imagens em Movimento, Tiago Baptista, e a diretora da Cinemateca Nacional do Chile, Mónica Villarroel.

A par do manifesto foi também lançada uma petição de apoio à Cinemateca Brasileira na plataforma internacional Avaaz, que conta com mais de 6.700 assinaturas até ao momento, após ter sido lançada na segunda-feira.

O Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, anunciou hoje que a secretária especial da Cultura, a atriz Regina Duarte, deixará o cargo para assumir a Cinemateca em São Paulo.

"Um convite para fazer Cinemateca, que é um braço da Cultura, que funciona lá em São Paulo, e é um museu de toda a filmografia brasileira. Ficar ali secretariando o Governo, dentro da Cultura, na Cinemateca. Pode ter um presente melhor do que esse? Obrigada, Presidente", acrescentou a artista.

A atriz Regina Duarte, conhecida pela sua participação em muitas novelas famosas produzidas no Brasil, assumiu no início de março o cargo de secretária da Cultura do país e, no discurso de posse, ofereceu-se para "pacificar" a relação do Governo com o setor.

Contudo, na semana passada, mais de 500 artistas brasileiros repudiaram publicamente as suas declarações concedidas numa entrevista à CNN Brasil, em que minimizou a tortura e a ditadura militar, quando foi interrogada sobre a necessidade de uma política de ajuda aos artistas durante a pandemia da covid-19.

Antes de Regina Duarte assumir a Secretaria de Cultura, a tutela foi entregue a Roberto Alvim, um encenador que tinha o apoio do Governo brasileiro, mas acabou demitido depois de citar parte de um discurso do ex-ministro nazi Joseph Goebbels em um vídeo criado para anunciar as regras de um prémio.

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