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"Não nos podemos esquecer que é um jogo, não estão a brincar às casinhas"

Susana Dias Ramos esteve à conversa com o Notícias ao Minuto e falou abertamente sobre o projeto que abraçou este ano, como comentadora do 'Big Brother'.

"Não nos podemos esquecer que é um jogo, não estão a brincar às casinhas"
Notícias ao Minuto

09/11/20 por Marina Gonçalves

Fama Susana Dias Ramos

Após a recente notícia da continuação do 'Big Brother' em 2021, programa que regressou este ano à TVI, Susana Dias Ramos mostra-se otimista com a nova aposta do canal: a dupla Teresa Guilherme e Cláudio Ramos. Ambos vão estar à frente da próxima edição do reality show marcada para o ano que vem. 

Atualmente a comentar o 'Big Brother - A Revolução', Susana Dias Ramos esteve à conversa com o Notícias ao Minuto.

Além de abordar as saídas muito faladas dos concorrentes Luís, Bruno e André Filipe, a neuropsicóloga falou também sobre a exposição que esta participação lhe trouxe, especialmente a agitação com que se deparou nas redes sociais. 

Apesar do grande desgaste físico, a psicóloga e especialista em Sexualidade Clínica e Terapia de Casal não podia estar mais feliz com o 'Big Brother', um projeto que lhe trouxe "uma  lufada de ar fresco que necessitava para a ajudar a continuar", depois da morte do pai. 

Comecemos pela dupla da Teresa e Cláudio na próxima edição do 'Big Brother'. O que tem a dizer sobre esta nova aposta?

Fiquei contente. Comecei o 'Big Brother' com o Cláudio, portanto, o Cláudio é uma referência do meu começo nestas lides de comentadora do 'BB'. Entretanto, passámos para este com a Teresa. Ao princípio foi um choque a mudança, mas não podemos desdizer que ela sempre foi a rainha dos reality shows. Eu tenho 41 anos e habituei-me a ver todos os 'Big Brother', 'Casa dos Segredos' e afins sempre apresentados pela Teresa. Ela apareceu, apanhou-me de surpresa, mas fiquei confortável com isso. Agora, de repente, juntarem o útil ao agradável acho bom porque gostei muito de trabalhar com o Cláudio. Acho que o Cláudio foi um excelente apresentador do 'BB', mas a Teresa tem muita experiência e também não podemos negar toda a maravilha que ela é como apresentadora deste reality show. São duas personalidades diferentes, duas formas de encarar o próprio reality... Acho que vai ser muito bom a nível de apresentação e muito bom a nível de concorrentes. Estou muito ansiosa para ver, mesmo.

E uma vez que já estamos a preparar-nos para uma nova edição para o ano, já houve alguma conversa para manter-se como comentadora do programa em 2021?

Não, nada. Acho que essas ligações são feitas um pouquinho mais para a frente. Da experiência que tive, só soube deste 'Big Brother - A Revolução' cerca de 20 dias antes de começar, foi aí que eles fizeram a posposta diretamente. Claro que deixam ficar no ar uma ou outra informação de se gostariam [de participar] ou não, porque têm de sondar as pessoas, especialmente a mim que tenho este pequeno defeito de viver no Porto e não estou propriamente sempre aqui em Lisboa disponível. Não faço a mínima ideia, nem quanto tempo vai durar, nem quem é que vai comentar... Acho que isso vai estar no segredo dos deuses mesmo até à última. 

Nunca nos podemos esquecer que isto é um jogo e eles estão a lutar por um prémio, não estão só ali a brincar às casinhas e a ser amigos, ou a construir amizades. É um jogo e temos de respeitar Há algum tipo de personalidade que nunca se daria num reality show como o 'Big Brother'?

Não. Nós vemos este reality show como uma brincadeira que apareceu, mas isto é uma ideia que dois irmãos tiveram há muitos anos, que não passa de uma experiência psicológica feita durante muitos anos para analisar o comportamento humano. Escolhiam-se pessoas que se colocavam dentro de uma caixa, que antigamente era a caixa de Skinner (porque fazia-se isto com cobaias e não com pessoas, entretanto começou-se a fazer isto com pessoas) e era assim que se avaliavam como é que as pessoas se comportam face a determinadas provocações, personalidades... Isto não é novidade na psicologia, é novidade na televisão. Todas as personalidades já foram testadas. Umas têm mais facilidade em lidar com outras personalidades, e outras têm menos resiliência para se enquadrar nessas outras personalidades.

Mas todos nós somos diferentes e ainda bem porque acho uma chatice essa coisa do 'todos diferentes, todos iguais'. Devemos ser diferentes, e somos diferentes, temos é que aprender a respeitarmo-nos uns aos outros, que às vezes é isso que falha um bocadinho, não aceitarmos o outro da forma que ele é e provocarmos propositadamente para a outra pessoa reagir intempestivamente. Mas nunca nos podemos esquecer que isto é um jogo e eles estão a lutar por um prémio, não estão só ali a brincar às casinhas e a ser amigos, ou a construir amizades. É um jogo e temos de respeitar. 

E hoje como é que analisa a saída dos concorrentes André Filipe, Bruno e Luís?

O Luís e o Bruno saíram devido a problemas clínicos. Eles não conseguiram aguentar a pressão. Primeiro o Luís, de uma forma em que ele próprio achou que não estava a aguentar a pressão e não quis continuar porque não se enquadrava bem, e a equipa de psicólogos achou que realmente ele não estava bem e necessitou de apoio médico. O mesmo aconteceu com o Bruno. Estas são as duas pessoas que saíram por quadro clínico. O André Filipe foi expulso. O André fez um jogo muito perigoso desde o início.

A ressalva que acho que nunca é feita é: a ter havido este surto psicótico, ele não é desencadeado na casa ou pela casa. Este surto psicótico, a meu ver, dá-se devido ao choque com o exterior e com o fracasso que ele teve. Ele acaba expulso, acaba por ser nomeado em bloco, acaba por ser apanhado neste jogo perigoso que estava a fazer na casa e, de repente, quando entra em contacto com esta realidade... Nós quando temos expectativas muito altas, caímos redondos quando temos algum problema e não nos conseguimos levantar. E acho que foi o que aconteceu. O André Filipe entrou com as expectativas muito altas, muitas expectativas foram depositadas nele também, e ele embrenhou-se ali numa forma no jogo que acabou por meter os pés pelas mãos. E depois, a partir de determinada altura, apercebeu-se que não estava a conseguir manter aquela personagem. É muito falado em privação de sono, é público porque a mãe dele já disse que a produção lhe deu comprimidos para ele descansar e ele se não os tomou foi porque não quis...

Portanto, eles têm um apoio psicológico muito grande. Há uma celeuma muito barulhenta acerca da Endemol ou dos psicólogos não se manifestarem... Não se podem manifestar porque o sigilo profissional está acima de tudo. E é óbvio que nem os médicos, nem os psicólogos que o acompanharam, nenhum dos três - mas especialmente o André Filipe que é quem fez mais capas de revistas - pode falar sobre esse assunto. Agora, acho importante termos sempre em consideração aquilo que a mãe do André Filipe diz, que ele não tem nenhum quadro clínico nem nunca teve.

Expulso ou não, tenho de lhe bater palmas porque o André Filipe foi, provavelmente, o melhor jogador deste jogo ainda que ganhe outra pessoa. (...) Ele é o melhor jogador que esta edição teve, com ou sem ele dentro da casa A expressão surto psicótico a mim preocupa-me sempre um bocadinho, porque os surtos psicóticos acontecem em pessoas que têm uma patologia clínica que é a psicose. Aqui o que me parece - mas não vou avaliar porque não tenho dados que me permitam fazê-lo - é um esgotamento burnout que é uma coisa que todos nós estamos a jeito de ter quando somos levados a uma pressão muito grande, e isso não é um quadro clínico que vá fazer com que fiquemos medicados para toda a vida. Não é um quadro clínico que nos vai acompanhar para a vida toda. É um momento que temos porque alguma coisa desencadeou essa reação, e nós temos essa reação

Mas, expulso ou não, tenho de lhe bater palmas porque o André Filipe foi, provavelmente, o melhor jogador deste jogo ainda que ganhe outra pessoa. Ele tinha a ideia de entrar, de ser conhecido, de ser famoso, e fez capa de tudo o que era revista neste país. Nunca se falou tanto de um jogador como dele, em nenhuma edição do 'Big Brother'. Ele é o melhor jogador que esta edição teve, com ou sem ele dentro da casa. 

A Andreia é uma jogadora nata e se eles não tiverem cuidado ela vai levar o prémio para casa E ele também foi o jogador que mais a surpreendeu?

Não, não me surpreendeu de todo. Desde o início que tinha uma opinião formada acerca do André, e fui muito criticada nas redes sociais e em algumas revistas, mas a minha opinião mantém-se, vale o que vale. Desde o início que acho que o André vive numa realidade que é a dele, ele cresceu assim. Não podemos dizer que uma pessoa tem uma patologia quando nós crescemos num determinado meio. Esta é a realidade do Filipe, ele tem algumas crenças e vive à volta dessas crenças, a família alimenta essas crenças... Ele não sabe ter outra realidade, ele não sabe ser outra pessoa se não este menino que nós vemos. 

Então qual foi o jogador que mais a surpreendeu?

Pela positiva talvez a Andreia. Acho que ela é uma jogadora nata e se eles não tiverem cuidado ela vai levar o prémio para casa. Pela negativa, aqui não é pela forma de jogar, é pelo comportamento machista do André Abrantes. Pelo comportamento que ele teve, e eu já o defendi antes porque acho que ele nutre um sentimento pela Zena. Ele falava muito com as pessoas à procura de uma aprovação, mas daí a exibir uma mulher como um troféu ou falar acerca das relações sexuais ou íntimas que se tem com uma mulher... acho isso muito feio. Acho isso um mau exemplo para cá para fora. Para quem falava tanto do Hélder, afinal o Hélder era inocente, dizia muitas asneiras da boca para fora, mas de uma forma inocente, não tinha maldade nas coisas que dizia. 

O que me dizem é que eu nem pareço psicóloga. Na cabeça das pessoas o psicólogo deve ser um chato... Depois de ter começado a comentar o programa notou uma alteração no seu trabalho, sentiu que começou a ser mais procurada, por exemplo?

Não. Comentar num reality show não é uma coisa que traga consultas. As pessoas têm muito essa ideia. Isto traz seguidores no Instagram, gente que passa a conhecer, coisas divertidas que, infelizmente, agora não há por causa da pandemia (não há tantas reuniões, festas e coisas boas). Mas em termos de volume de trabalho, não aumenta nem diminui. 

Mas se me perguntar um programa de televisão onde sinta que quando vou há uma mudança, é um 'Você na TV', por exemplo. É um programa onde as pessoas ficam a conhecer o meu trabalho, porque no 'Big Brother' é difícil perceber o que é que eu faço na realidade. É difícil entender o que é a psicologia. As pessoas têm uma ideia muito focada do que é um psicólogo e está muito errada. O que me dizem é que eu nem pareço psicóloga. Na cabeça das pessoas o psicólogo deve ser um chato... Não sei, as pessoas devem achar que vão para a consulta e nós estamos lá tristes, aborrecidos, não fazemos piadas... Não! A pessoa quando sai da consulta tem de ir melhor do que quando entrou, tem de levar alegria, boa-disposição. E eu brinco como brinco aqui, em casa, no trabalho, brinco com toda a gente.

Os meus pacientes que me acompanham há muitos anos não se surpreendem em nada com as coisas que vão acontecendo e dizem que no 'Extra' estou igualzinha a mim própria. Quem já me conhecia anteriormente diz que não vê diferença nenhuma, nem nas brincadeiras, nem na forma de falar, nem no meu jeito... Podem é notar a diferença do 'Extra' da tarde para o 'Extra' da noite, mas é óbvio porque o linguajar das 18h não é o mesmo que o da 01h00. 

E como é que lida emocionalmente com esta experiência que a deixa mais exposta e que exige mais horas de trabalho?

Vamos ver como é que corre [risos]. Estou a tentar dormir no comboio, que não me está a correr muito bem porque acabo por me distrair com outras coisas. Fisicamente tem sido desgastante, sim. Alimenta em bom o facto de ser hiperativa. No meu tempo não havia esta coisa da hiperatividade, portanto, passei uma dura infância, mas depois na faculdade já deu jeito. Mas eu não sinto necessidade de dormir tanto ou descansar tanto como a maior parte das pessoas. A nível de trabalho, resolvo muito bem, consigo organizar a agenda, as consultas agora estão todas online - devido às normas da DGS, optei por dar todas as consultas online e assim se vai manter pelo menos até janeiro. Portanto, tanto dou consultas aqui, em Lisboa, como dou consultas no Porto - só não dou consultas no comboio por motivos óbvios [risos] Isso não me afeta de maneira nenhuma.

Aceitei este projeto por um motivo muito especial, eu precisava mesmo de fazer uma coisa diferente e que me distraísse porque perdi o meu pai de uma forma repentina, e esse luto não me estava a permitir raciocinar de uma boa maneira, nem ter vontade de fazer muitas coisasE em termos emocionais? 

O primeiro ['BB'] mexeu muito com o meu emocional, a agressividade que, infelizmente, as pessoas têm. Toda a gente se esqueceu que tenho família. Portanto, os insultos e as críticas que foram feitas e que não foram construtivas - porque as críticas construtivas tive sempre o cuidado de responder a todos os meus seguidores no Instagram e aceito-as. Agora, insultos, falta de respeito, agressão verbal... Não sinto tanto isto neste 'Big Brother - A Revolução', senti isso mais no 'BB 2020', esta luta dos fãs entre eles, os fãs comportaram-se de uma forma que nem sequer ajudaram os concorrentes. Nessa altura custou-me um bocadinho, não por mim, mas especialmente pela minha mãe. 

Aceitei este projeto por um motivo muito especial, eu precisava mesmo de fazer uma coisa diferente e que me distraísse porque perdi o meu pai de uma forma repentina, e esse luto não me estava a permitir raciocinar de uma boa maneira, nem ter vontade de fazer muitas coisas. Este projeto vem trazer uma lufada de ar fresco que necessitava naquele momento para me ajudar a continuar. Sou filha única, menina do papá, portanto, para mim foi uma perda que não tenho palavras para descrever. E magoou-me porque estava mais sensível do que é normal, e quando me faziam alguns insultos e me faltavam ao respeito, via a minha mãe a chorar e nervosa com isto. E isto magoava-me de uma forma terrível. Depois, entretanto, aprendi a não ler nada e proibi toda a gente em casa de ler. Agora, ou me habituei e já não dou valor a disparates, ou as pessoas estão efetivamente mais tranquilas.

Normalmente as críticas são, 'coitados dos meus pacientes que levam comigo'... Tenho pacientes maravilhosos que me dizem coisas maravilhosas, que me passam mensagens maravilhosas, que detestam ver isso nas redes sociais. Já vi pacientes meus a defenderem-me nas redes sociais, que é uma coisa que já lhes pedi para não fazerem porque não gosto de ver isso. Mas fico confortável, porque às vezes quando ouço essas coisas de que não valho nada como terapeuta, e que vou para lá porque não tenho mais nada para fazer... eu fui para lá para me divertir. Basicamente, foi por isso que aceitei este projeto, para me divertir e brincar. Isto é uma brincadeira, é um jogo. Para trabalhar, trabalho na clínica. 

As pessoas vergonhosamente são cobardes, não consigo descrever de outra forma. Acho uma cobardia tremenda blogs, sites e afins que se limitam a criticar as pessoas e não têm sequer coragem para dar a caraO que pode levar as pessoas a irem para as redes sociais tecer tais comentários?

Primeiro, demasiado tempo livre. É óbvio que é gente que não tem nada para fazer porque se tivesse não tinha tanto tempo para estar nas redes sociais a fazer o que faz. E depois existe aquela proteção do ecrã. Olho no olho, se calhar, não seria assim. Mas as pessoas vergonhosamente são cobardes, não consigo descrever de outra forma. Acho uma cobardia tremenda blogs, sites e afins que se limitam única e exclusivamente a criticar as pessoas e não têm sequer coragem para dar a cara. Antigamente, se tivéssemos de dizer as coisas uns aos outros, éramos mais educados porque corríamos o risco da reação do outro lado não ser apagar a mensagem que não se gostou e bloquear a pessoa. Estamos numa era digital em que as pessoas digitalmente acham que podem dizer aquilo que lhes apetece porque estão protegidas por um ecrã. Não são pessoas reais, são figuras. 

Com consultas, a clínica, o canal no YouTube e ainda este projeto do 'Big Brother', como é que consegue gerir tudo isto e ainda a vida familiar?

Tenho uma agenda rigorosíssima, planeio mesmo tudo. Não tenho nenhum transtorno obsessivo compulsivo, mas quem vir a minha agenda vai achar que sim. Eu aponto tudo. Se não está na agenda, não existe. As consultas, as horas a que apanho o comboio, as horas a que vou buscar o meu filho e que tenho de o levar (isso sei de cor, mas apesar disso está na agenda porque quando olho consigo ver com facilidade onde é que consigo encaixar alguma coisa)...

A vida familiar tem sido mais fácil de gerir porque, infelizmente, a minha mãe tem mais tempo disponível para nós, apesar de ser por um péssimo motivo. Como disse, sou filha única e o meu filho é neto único. Consigo ter um apoio que não teria se a minha mãe não estivesse constantemente disponível para me ajudar, e faço este esforço para conseguir manter a minha vida pessoal plena. Quando venho fazer os 'Extra' durmo três horas, e apanho o comboio às 8h da manhã porque quero estar no Porto para ainda ter tempo de dar as consultas e ir buscar o meu filhote ao colégio ao final do dia. Faço mesmo questão de participar e de o levar no dia seguinte de manhã. Tenho um bom apoio familiar, tanto da minha mãe como do meu marido, são extraordinários. É uma boa parceria.

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