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"Não há limites. Há coisas que passam por humor negro e que são só negro"

Rui Xará fala do mundo que o deixa mais completo: o do humor. Há 20 anos a incentivar a gargalhada, o comediante esteve à conversa com o Notícias ao Minuto para recordar os primeiros passos nesta forma de arte, sem deixar de partilhar algumas das suas opiniões.

"Não há limites. Há coisas que passam por humor negro e que são só negro"
Notícias ao Minuto

23/04/19 por Marina Gonçalves

Fama Rui Xará

Já passaram duas décadas desde que começou a aventura na comédia, fazendo do humor um dos ingredientes principais da sua vida. Rui Xará não tem medo de dizer o que sente pois o objetivo é claro: defender a sua "dama", nome pelo qual trata o humor. 

O humorista é o entrevistado de hoje do Fama ao Minuto, numa conversa em que partilhou opiniões mais sinceras sobre este mundo.

A entrevista serviu ainda para recordar os seus primeiros passos na indústria e o que mudou no meio passados 20 anos. 

Já contou várias vezes que o primeiro contacto que teve com o mundo humorístico foi na escola, quando contou uma piada sobre freiras, mas quando é que sentiu que queria mesmo fazer carreira neste meio?

Quando senti que gostava de um dia poder divertir as pessoas e ter uma carreira ligada ao humor foi, provavelmente, quando tinha 14/15 anos, quando descobri os Monty Python, mas foi uma coisa algo leviana. Achei que era fixe, mas nunca considerei como uma possibilidade. Para ser realmente honesto, a altura em que ponderei a sério ter uma carreira no humor foi quando tinha o meu bar porque tinha a vontade e tinha como fazê-lo, um espaço que só dependia de mim próprio.

Como foi esse início, como foi a receção das pessoas quando começou a dar os primeiros passos?

Foi bom. Em termos de aceitação do que fazíamos foi bom, mas eu comecei com uma ligeira falsa partida. O meu bar tinha uma tertúlia poética à quarta-feira e eu tentei fazer o mesmo à quinta-feira, uma espécie de tertúlia humorística. Não entrei logo com a ideia de noites de stand-up comedy. Ninguém falava disso em Portugal, quase ninguém sabia o que era a não ser a malta que era fã do humor como eu. Comecei por tentar fazer uma noite em que se liam textos humorísticos. O primeiro texto a ser lido fui eu que li, um texto do livro ‘Para acabar de vez com a cultura’, do Woody Allen. Foi um texto com mais ou menos dez minutos e assim que acabei percebi que aquele não era o caminho. Na altura estava com o João Paulo Rodrigues, que era meu amigo e cliente da casa, e que eu desafiei para começarmos essas noites. Olhei para ele e disse que aquilo não podia ser assim e [decidi] que íamos dizer o que nos apetecesse e o que viesse à cabeça. E começámos…

Também surgiu muito lixo. Muita coisa que faz alguma parte da sociedade rir, mas que não é humor. Isto é um bocado pretensioso, mas como o humor é a minha dama, tenho de defendê-lo

Então, o João Paulo Rodrigues também começou nessa altura?

O João Paulo Rodrigues começou exatamente no mesmo dia que eu. Antes da noite oficial já tínhamos feito duas noites algo aleatórias, que não estavam previstas e que surgiram espontaneamente, no meu bar também, com guitarradas e anedotas.

Hoje, passados 20 anos, e com a chegada das redes sociais e com a forte aposta no YouTube, sente que há mais comediantes e que o meio está mais competitivo, comparando com o seu início de carreira?

Claro, muito mais e ainda bem. Embora também tenha surgido muito lixo. Muita coisa que faz alguma parte da sociedade rir, mas que não é humor. Isto é um bocado pretensioso, mas como o humor é a minha dama, tenho de defendê-lo.

Acha que é exatamente por causa das redes sociais que as pessoas acham que é mais fácil fazer humor?

Sim! Não é mais fácil fazer humor, é mais fácil veicular o humor e fazê-lo chegar às pessoas. Fazer humor continua a ser tão difícil como sempre, porque tem nuances. Nem tudo o que nos faz rir é humor. Criar humor depende sempre de quem tu és por dentro e não dos meios que tens à tua disposição, embora eles ajudem, obviamente. Sobretudo quando tens tanta facilidade em ver outros exemplos. Isso acaba por te abrir a pestana e fazer com que possas mais rapidamente chegar a um conteúdo interessante. Mas é mesmo um processo pessoal e não do YouTube ou do Facebook. A questão é que quando tens mais acesso a informação há mais gente a poder conseguir entender os mecanismos. Mas fazê-lo individualmente continua a ser tão difícil como era antes. Tens é mais referências…

Nestes 20 anos de carreira, qual o espetáculo que está mais presente na memória pela positiva e qual está mais presente pela negativa?

Pela negativa foi uma participação que tive uma vez num programa televisivo do Porto Canal, de uns amigos, que era o ‘Bolhão Rouge’, porque fui para lá com uma certa soberba dentro de mim de levar texto novo, que é uma coisa que nunca se faz quando se vai à televisão. Portanto, quando dei por mim no palco senti-me a escorregar para um buraco, embora, como aquilo foi editado, hoje não vejo o que senti na altura. Mas marcou-me profundamente. No final dessa atuação senti-me muito mal, como nunca me tinha sentido e isso aconteceu-me já com oito ou nove anos de carreira. Não deixa de ser algo surpreendente, mas a realidade é que eu tinha a vantagem de quase sempre atuar na minha própria casa, portanto, estava protegido de alguma forma.

Há algumas noites que me marcaram e uma delas foi a última noite no Púcaros (o bar que eu tinha), o dia em que me vim embora, que foi no dia 8 de dezembro de 2005. Essa noite marcou-me porque expliquei que era a última noite. Sem entrar em pormenores disse o porquê, que tinha havido uma zanga entre mim e o meu ex-sócio, e aconteceram muitas coisas incríveis que não dá para estar agora aqui a descrever. Desagradáveis, até, e eu mesmo assim fiz uma grande noite. Se calhar fui buscar à raiva a tal coisa que serve o humor – o humor serve-se de muitos sentimentos, muitas sensações, muitos filmes. Terminei a despedir-me daquela gente toda e tive uma ovação de pé que demorou quase três minutos, isto não é tanga. Com as pessoas a virem ter comigo e a abraçarem-me, algumas a chorarem…

Depois há aqueles espetáculos que pela forma como correram bem, com púbicos imensos, que também são marcantes. O meu roast no dia 30 de janeiro de 2016 foi das noites mais marcantes porque foi o primeiro grande roast de público em Portugal, com 17 comediantes em palco, quase mil pessoas no Teatro Sá da Bandeira, e foi verdadeiramente épico.

Sou o mais conhecido dos [comediantes] não famosos, como uma vez disse um colega meu e eu adorei esta frase, embora nos últimos quatro, cinco tenha passado a ter alguma fama também. Isso é bom e mauNesta arte, o que é que nunca faria e o que é que adorava fazer mas ainda não teve oportunidade?

Para começar, amava conseguir ter uma digressão de um solo novo que vou lançar este ano e que essa digressão fosse um sucesso, que conseguisse esgotar algumas salas grandes que é uma coisa que eu ainda não fiz porque sou um bocado um comediante underground – sou o mais conhecido dos não famosos, como uma vez disse um colega meu e eu adorei esta frase, embora nos últimos quatro, cinco tenha passado a ter alguma fama também. Isso é bom e mau. A parte má é a exposição pública, etc… Outra coisa que agora estou disposto a fazer, preparado para fazer e que não estava até aqui, é eventualmente alguma coisa em televisão. Não estava para isso no passado, tenho uma relação de amor-ódio com a televisão, e era capaz de fazer desde que seja aquilo que quero, porque eu era incapaz de fazer programas só e apenas por uma questão de mediatismo. Aceito fazer alguns programas que não aceitava no passado, desde que haja ali algum ângulo que me divirta, que me faça rir, que me dê gozo, que também é um ângulo muito mais aberto hoje em dia do que era no passado. Havia coisas que não admitia fazer e que hoje admito porque percebi com a idade que há coisas mais engraçadas do que à primeira vista parecem. O radicalismo desvaneceu-se um bocadinho.

E se agora recebesse uma chamada a convidá-lo para fazer parte do ‘Levanta-te e Ri’, aceitava?

Sim, mas já no passado se tivesse recebido uma chamada da produção provavelmente tinha ido. A questão de nunca ter ido ao ‘Levanta-te e Ri’ passa por aí, é que nunca recebi uma chamada da produção. Já expliquei isto algumas vezes, sou conhecido como o gajo que não foi ao ‘Levanta-te e Ri’, mas também nunca ninguém me ligou. Neste país, o ‘Levanta-te e Ri’ em termos televisivos é a Liga dos Campeões da stand-up comedy. Consegues chegar a quase um milhão de pessoas num programa só. Pode não ser conceptualmente em termos do grau de exigência que têm para com os textos que lá vão, mas, de facto, em termos do que há de stand-up comedy, de visibilidade pública neste país, é a Liga dos Campeões.

Se tudo o que é vendido como comédia negra é, de facto, comédia negra? Não. Há coisas que passam por humor negro e que não são humor negro, são só negro, observações gratuitas

Na sua opinião, existe algum limite na comédia?

Absolutamente nenhum, como não existe nenhum limite em nenhuma arte. Não vais impor limite à arquitetura, literatura, música, teatro ou cinema. Não há limites. As pessoas é que escolhem o que querem ver, não são obrigadas. Se não gostas de pornografia não vês pornografia, se não gostas de musicais não vais ver musicais… Há livros de auto-ajuda que tu não tens de ler, mas eles existem e têm o direito de existirem. Tu é que selecionas o que vês ou não. A arte como um todo vai sempre versar sobre todos os temas que lhe aprouver. É a arte que decide sobre o que é que quer falar. Agora, se tudo o que é vendido como comédia negra é, de facto, comédia negra? Não. Há coisas que passam por humor negro e que não são humor negro, são só negro, observações gratuitas. Isso acontece muito numa geração mais nova que seguiu alguns ídolos, mas não entendeu as nuances deles.

Excetuando o Herman José, pelos mais de 40 anos de carreira, e o Fernando Rocha, por causa do que faz no verão, fora isso, devo ser o comediante com maior número de espetáculos em cima do corpoOrganizou no ano passado um festival de stand-up, ‘Stand-up together!’, que contou com a presença de comediantes internacionais. Vai realizar a segunda edição deste evento, mas já confessou numa entrevista que se este não correr bem não realizará o terceiro. O que é que falhou? Será o facto de os portugueses ainda não estarem completamente à vontade com outras línguas?

Foram basicamente erros meus, erros de produção, conceção, de comunicação, sobretudo. Não vou fazer a segunda edição este ano porque quero focar-me no meu solo novo. A segunda edição vai ser para o ano. Considero que o festival foi um sucesso em termos artísticos, mas perdi dinheiro e não posso porque eu não sou uma produtora, sou um comediante que gosta de fazer coisas. Só que uma coisa é fazer um roast com comediantes portugueses e os custos estão mais ou menos controlados, outra coisa é trazeres o Tom Rhodes e o Rafinha Bastos. São nomes gigantes da comédia internacional que, obviamente, têm custos. Por muito amigos que sejam e que tenham facilitado a minha vida, são despesas grandes e depois quando não vendo bilhetes, obviamente que corre mal.

Excetuando o Herman José, pelos mais de 40 anos de carreira, e o Fernando Rocha, por causa do que faz no verão, fora isso, devo ser o comediante com maior número de espetáculos em cima do corpo. Estamos a falar em 20 anos mais de 2.700 espetáculos, ou à volta disso… O que isto significa é que muitas vezes me perdi a organizar coisas que eram um bocadinho contraproducentes em termos de lançar a minha carreira. Gostei de o fazer, mas tu amadureces, cresces e passas a selecionar melhor e a escolher melhor o que te interessa.

Sente que, ao contrário de outras forma de arte (por exemplo, há pessoas que acham que o público português não gosta muito ou não consome muito cinema nacional), na comédia o público português prefere os comediantes portugueses?

Genericamente, sim! Como o público português maioritário, vamos lhe chamar o povo, prefere a música portuguesa do que a música anglo-saxónica e nem sempre foi assim. Eu cresci ao contrário. Quando era mais puto, as andas inglesas e americanas é que eram as melhores. Há obviamente exceções, até pelas condicionantes geográficas, se é um meio mais urbano ou mais suburbano ou até rural, mas de uma maneira geral, tens o povo português [a cantar as músicas portuguesas]. Se fores a um bar de Karaoke as pessoas maioritariamente cantam música portuguesa. Isto tem a ver também com algumas lacunas que a nossa educação teve nos últimos anos. Houve um empobrecimento da educação dos portugueses nos últimos anos. Isso faz com que nos identifiquemos mais por aquilo que é próximo. Na comédia é óbvio que as nuances da stand-up comedy em inglês ou feita por anglo-saxónicos, sobretudo americanos e ingleses, são diferentes das nuances da stand-up comedy feita por portugueses. Se os portugueses vivem cá e os comediantes falam do que acontece cá, é natural que essa proximidade faça com que gostem mais de nós do que de outros.

Por outro lado, acho que crescemos o suficiente enquanto comediantes nos últimos anos para hoje em dia termos uma boa dúzia de comediantes em Portugal que fazem stand-up comedy de melhor qualidade do que o grosso dos anglo-saxónicos que chegam cá. Não do que os melhores, do que um Ricky Gervais, Dave Chappelle... Quando pegas nos especiais da Netflix que foram feitos nos últimos anos, provavelmente 70% deles são piores do que os bons especiais de comédia feitos por portugueses. No entanto, as pessoas continuam a preferir ver os portugueses por outros motivos que não esse. Até porque nem sempre têm acesso às plataformas que acabei de referir. Há uma onda de algum orgulho no que somos que nos últimos anos nos invadiu e que é transversal a tudo. Hoje em dia temos jovens a esgotar salas pelo país todo o que é ótimo.

Em Portugal consegue-se viver apenas dos espetáculos de comédia?

Sim, não todos. Eu consigo porque estou inserido no mercado há muito tempo e trabalhei muito para criar os meus circuitos e as minhas dinâmicas, mas mesmo a malta mais nova que consegue esgotar salas vive da comédia.

Se tens um país em que o salário mínimo ronda os 600 euros, não é muito difícil um nome de alguma dimensão que só atue duas vezes ou três por mês fazer mais do que isso. É possível viver

Isso sempre aconteceu?

Sempre aconteceu para alguns. Agora massificou-se um bocadinho, mas há uma maior percentagem de comediantes hoje em dia que não consegue viver só da comédia. Mas também há um maior número de comediantes que vive só da comédia. A questão é que quando comecei éramos do género 10 em Lisboa e 10 no Porto. Hoje em dia não. Estamos a falar dos que tinham capacidade de fazer espetáculos e viverem da comédia, de produzirem regularmente. Tinha a minha vantagem que era ter o meu próprio bar, obviamente isso fazia com que só no meu bar eu tivesse dinâmica suficiente para atuar três, quatro vezes por semana ou pelo menos apresentar espetáculo três, quatro vezes por semana e atuar nos outros. Fazia com que me aguentasse, com que vivesse, não à grande, não à vontade, mas melhor do que com o salário mínimo nacional. Se tens um país em que o salário mínimo ronda os 600 euros, não é muito difícil um nome de alguma dimensão que só atue duas vezes ou três por mês fazer mais do que isso. É possível viver. Agora, quando tens este tipo de vida, esse dinheiro não é suficiente porque há um conjunto de despesas que quem tem um horário das 9h às 17h não terá. Claro que essas pessoas também terão outras despesas… É difícil argumentar sobre isto…

Sente que vai conseguir sobreviver outros 20 anos. Ou seja, em Portugal, a não ser o Herman José, não temos muitos mais comediantes com muitos anos de carreira nesta área. Por cá esta carreira tem uma espécie de limite ou prazo?

Não, precisamente por causa do Herman e de outros. Se tirarmos o Herman, o comediante que está no ativo há mais anos  – penso que seja mais ou menos da altura do Herman, não sei quantos anos de carreira tem – é o Óscar Branco que continua no ativo. A questão é que não tínhamos muitos comediantes no tempo do Herman. Só agora é que começamos a ver qual é a longevidade. Mas todos os que nasceram há 15, 20 anos, no tempo do ‘Levanta-te e Ri’, os que eram ou bons ou mediáticos, estão no ativo. Isso leva-me a querer que daqui a 15, 20 anos estaremos na mesma porque não tens um prazo de vida como tens noutras áreas. Já não falo do futebol, que isso é óbvio, mas na música, por exemplo, há alguma limitação. Embora tenhamos os dinossauros, os Xutos & Pontapés têm 40 anos de carreira cá em Portugal, os GNR também, o Rui Veloso, Sérgio Godinho… Acho que tem muito mais a ver com a qualidade e com a consistência do que com a idade. Podes ter 60 anos e ser um gajo com uma capacidade criativa imensa e continuar a inovar.

Olha o Herman, com o que ele fez no Instagram. Mas mesmo em termos televisivos, por onde ele já andou… Teve períodos em que as pessoas disseram que ele já não era nada porque, de facto, teve programas que fez que a mim não me agradavam particularmente, mas que teve toda a legitimidade para os fazer, e provavelmente agradaram a outras franjas do público que não a mim… E tem qualidade para continuar a estar no patamar que está. Porque isto não é por piedade ou por valorização do passado, é por o que ele vale ainda hoje em dia. E como ele muitos outros. Olha o Fernando Rocha que se reinventou com o YouTube, com o ‘Pi100Pé’. E estou a falar de uma pessoa que é de uma franja do mercado muito mais popular, não são propriamente as elites intelectuais. Mas mesmo essas se rendem à evidência de que ele faz rir as pessoas. Olha o Miguel 7 Estacas, a quem vou fazer o roast agora no dia 24 de abril [amanhã], que teve um acidente que tinha feito desistir 99% de nós, e ele está tão bom ou melhor do que era antes do acidente, em cima do palco.

A comédia não tem prazo de validade como em outras áreas, tem em certo tipo de textos. Há coisas que passam a ser démodé. Há coisas que fazia no início e que já não me agradam tanto como agradavam antes. Tenho a certeza que se o fãs forem ao YouTube ver o que é o Bruno Nogueira fazia no ‘Levanta-te e Ri’ nos primeiros tempos, e o próprio Bruno, não vão achar a piada que achavam na altura. No entanto, fez parte do percurso dele e aquilo que ele é hoje em dia deve-se a ter ido por ali, e não ter ido por outro lado.

Adoro Lisboa, não me entendam mal, mas gosto muito mais do Porto e sobretudo do Norte, do meu Gerês, do qual tenho estado pertinho para poder desopilar sempre que preciso

Como até já referiu ao longo desta entrevista, apesar de já andar aqui há muitos anos, continua a não ser um comediante muito mediático… Isso foi uma opção sua?

Foi claramente uma opção minha. Por vários motivos, um dos quais muito óbvio que foi eu não querer ter feito televisão, ou pelo menos a televisão que queriam que eu fizesse, e não ter querido ir viver para Lisboam porque é lá que tudo acontece. Adoro Lisboa, não me entendam mal, mas gosto muito mais do Porto e sobretudo do Norte, do meu Gerês, do qual tenho estado pertinho para poder desopilar sempre que preciso.

Mas sente que para conseguir desenvolver carreira, em termos mediáticos, é necessário estar na capital?

Por muito bom que sejas nas redes sociais, no YouTube, tens sempre de ter uma visibilidade que só a televisão dá. E neste país só há televisão em Lisboa. E quem diz televisão diz outros órgãos de comunicação. Tens um grande órgão no Porto que é o JN, o Porto Canal é um canal residual com impacto apenas e só na cidade e arredores, e mesmo assim não é tão grande o impacto. De resto, tens de ir a Lisboa. Vais a um programa da manhã ou da tarde, da SIC ou da TVI, chegas a milhares de pessoas. Tive essa experiência em novembro passado, aceitei o convite de fazer algumas participações na ‘Praça da Alegria’  - e este é o menos visto dos programas da manhã -, e senti as repercussões logo. Mas a RTP tem esse programa feito no Porto, tudo o resto é em Lisboa também. 

O riso puro e duro é uma manifestação de amor. Por muito lamechas e muito Gustavo Santos que isto possa soar, o amor é a maior força motriz da humanidadeRir é o melhor remédio para encarar a vida?

O riso puro e duro é uma manifestação de amor. Por muito lamechas e muito Gustavo Santos que isto possa soar, o amor é a maior força motriz da humanidade. Estamos dispostos a fazer coisas por amor que não estamos dispostos a fazer por mais nada. Conhecem algo que seja mais catártico do que ouvir o riso espontâneo de um bebé? Portanto, rir é sempre o melhor remédio porque no limite, mesmo que não seja por amor, mesmo que seja por outra coisa que no limite é amor a nós próprios, o riso é a última arma. Derrota os nossos carrascos. Conseguimos sempre sair por cima se tivermos a tal capacidade de nos rirmos de nós próprios e de tudo. A única forma que temos de escapar ilesos, porque nós vamos morrer no fim, é a única certeza que temos, portanto, se nos conseguirmos rir disso mesmo sabendo que assim é e tendo prazer em viver a vida, é espetacular. E eu nem sempre o consigo fazer. Estou a dizer isto e isto é muito bonito, mas há alturas em que a gente esquece. Mas está lá dentro da minha cabeça essa noção, que é o mais importante.

#UmaTrumPiadaPorDiaDuranteQuatroAnos” – um desafio que chegou de forma ‘acidental’ mas que continua até aos dias de hoje… Lanço-lhe agora também um desafio… Partilhe connosco uma piada (‘exclusiva’) sobre o atual Presidente dos EUA.

Apanhaste-me desprevenido porque eu nunca penso no ‘TrumPiada’ durante o dia, só antes de me deitar. Se eu tivesse essa obsessão, não pensava em mais nada durante o dia. Por isso, decidi que só quando for para a cama é que vou ver as notícias, porque nos Estados Unidos já saíram as notícias todas do dia seguinte, e vejo o que é que ele fez ou disse, pego nisso e faço alguma piada… Como é para o Notícias ao Minuto, acho que se há medida que ia valorizar o site Notícias ao Minuto era contratarem o Donald Trump porque basicamente é o que ele está habituado a fazer com os tweets sobre política que ele publica:  minuto a minuto.

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