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O 5G marcou 'guerra' tecnológica entre EUA e China em 2019

O advento do 5G marcou a 'guerra' tecnológica entre os Estados Unidos e China e foi tema dominante em Portugal, com os operadores a acusarem o regulador Anacom de ser responsável pelo atraso da entrada da quinta geração móvel.

O 5G marcou 'guerra' tecnológica entre EUA e China em 2019

As potencialidades da nova tecnologia, que permite maior velocidade na transmissão de informação, num mundo em que todos os dispositivos estarão interconectados, promete revolucionar a vida das empresas e dos consumidores. Mas também aumentam riscos de ciberataques e eventuais ameaças de espionagem.

Uma das empresas consideradas mais bem preparadas para o advento do 5G (quinta geração) é a chinesa Huawei, que tem apostado fortemente na nova tecnologia.

Ora, a detenção da diretora financeira da Huawei, Wanzhou Meng, de 46 anos, filha do fundador da empresa, no início de dezembro de 2018, no Canadá, a pedido dos Estados Unidos, colocou a tecnologia 5G no centro da agenda global, com Washington a pressionar a Europa a 'banir' a operadora chinesa.

Detida por alegadamente ter violado as sanções impostas pelas autoridades norte-americanas contra o Irão, das acusações de violação de sanções às questões de segurança, passando por espionagem, foi um salto, abrindo um braço-de-ferro entre os Estados Unidos e a China.

As preocupações escalaram e a Comissão Europeia manifestou preocupações no que respeita à segurança das redes fornecidas pela empresa chinesa.

Na altura, tal como agora, a Huawei sempre defendeu a sua independência, afirmando que nunca usou o seu equipamento para espiar ou sabotar as comunicações nos países onde este é usado.

Entretanto, o tema também passou a estar na ordem do dia em Portugal, tendo em conta que há um ano, por ocasião da visita a Lisboa do Presidente chinês, Xi Jinping, foi assinado um memorando de entendimento entre a Altice Portugal e a Huawei, empresa que marca presença em Portugal desde 2004.

Em fevereiro último, o presidente da Comissão de Comunicações Federal (FCC) norte-americana, Ajit Pai, esteve em Portugal, onde se reuniu com as autoridades portuguesas para expressar as suas preocupações com as questões de segurança da rede 5G, onde está implícita a Huawei.

"É uma honra estar em Portugal", um país que "é um dos mais antigos aliados da América", começou por dizer, na altura, Ajit Pai, apontando que para a FCC - Federal Communications Commission "o 5G é uma grande prioridade, tal como o é para a Administração" norte-americana.

Por sua vez, em março, quando questionado sobre as 'pressões' dos Estados Unidos no sentido de os países europeus, entre os quais Portugal, poderem banir a Huawei, o presidente da NOS, Miguel Almeida, disse que uma eventual decisão da Europa no sentido de não permitir o desenvolvimento do 5G com base nas redes da Huawei levaria a um "atraso de pelo menos dois anos" nesta matéria.

Mas, para já, os operadores Altice Portugal, NOS e Vodafone Portugal consideram que o arranque do 5G está atrasado no mercado português: tal não se deve a restrições às operações da Huawei, mas sim ao calendário apresentado pela Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom).

O presidente executivo da Altice Portugal, Alexandre Fonseca, é quem tem feito críticas mais contundentes contra o regulador, apontando que há "atrasos quase irreparáveis" na implementação do 5G devido à inação do regulador.

Mas Alexandre Fonseca é acompanhado pelo presidente executivo da NOS, Miguel Almeida, que defendeu recentemente que "o país não pode ficar refém de uma entidade", tal como o presidente da Vodafone Portugal, Mário Vaz, que considerou que o 5G "é demasiado importante para que possa ser deixado à roda livre apenas do regulador".

Também o Governo partilha que há um certo atraso, mas nada que não possa ser resolvido.

"Há atraso nos procedimentos, mas não há ainda um atraso substantivo", afirmou o secretário de Estado Adjunto e das Comunicações, Alberto Souto de Miranda, no congresso das Comunicações, em 21 de novembro, em Lisboa.

No mesmo evento, mas no dia anterior, o presidente da Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom), João Cadete de Matos, tinha afirmado que "não existe qualquer atraso" nos trabalhos preparatórios do 5G.

De acordo com o calendário indicativo proposto pela Anacom, o início do leilão de atribuição das licenças para o 5G decorrerá em abril do próximo ano (2020), estando o seu encerramento previsto para junho, pelo que a conclusão dos procedimentos de atribuição de DUF (direitos de utilização de frequência) será entre junho e agosto.

O Governo vai aprovar "muito em breve" em Conselho de Ministros linhas estratégicas para o 5G.

Enquanto se aguardam as linhas estratégicas, as operadoras vão fazendo os seus testes 'piloto' com a nova tecnologia, muitos destes em parceria com a Huawei, que está apostada na implementação do 5G.

A Europa é o maior mercado da Huawei fora da China, sendo que de um total de 50 licenças para o 5G, 28 são para operadoras europeias.

Mais que comercial, a 'guerra' entre os Estados Unidos e a China é, acima de tudo, tecnológica. Tudo porque a nova tecnologia é revolucionária, disruptiva, e quem estiver na liderança vai 'ganhar pontos' num mundo cada vez mais interconectado.

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