Esquerda parlamentar demarca-se de resolução sobre liberdade religiosa

A resolução do CDS-PP sobre liberdade religiosa foi hoje aprovada no parlamento com o apoio do PSD e com toda a esquerda a demarca-se de uma iniciativa que considerou limitada às questões das comunidades cristãs.

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Política Parlamento

PS, Bloco de Esquerda e PAN optaram pela abstenção, mas o PCP e "Os Verdes" decidiram mesmo votar contra o texto apresentado pelo CDS-PP.

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Momentos antes da votação, o debate do projeto de resolução do CDS-PP, que essencialmente pede ao Governo português uma atuação "firme" de condenação das atrocidades cometidas contra comunidades cristãs no Médio Oriente e em África, motivou uma curta mas tensa discussão com a esquerda parlamentar.

A deputada do CDS-PP Ana Rita Bessa abriu o debate, citando o caso de uma família muçulmana morta quando fugia da Birmânia (de maioria budista) para o Bangladesh.

Só que PS, PCP e Bloco de Esquerda consideraram essa intervenção "abrangente" de Ana Rita Bessa diferente face ao real teor da resolução que apresentava em plenário.

Pela parte do PS, o deputado Ascenso Simões, assumidamente católico, disse que a real intenção do CDS-PP foi a de "marcar" a visita do papa Francisco a Portugal, em maio, restringindo os casos de perseguição às comunidades cristãs e, assim, ignorando fenómenos de desrespeito pela liberdade religiosa na China, na Irlanda do Norte ou no Médio Oriente.

"Gostaríamos de estar a aprovar por ampla maioria uma resolução sobre liberdade religiosa. Infelizmente, isso não é possível com o projeto do CDS-PP", afirmou o dirigente socialista - posição que foi depois seguida pelo deputado do PCP António Filipe e pelo líder parlamentar do Bloco de Esquerda, Pedro Filipe Soares.

"A liberdade religiosa não conhece fronteiras", advertiu António Filipe, numa alusão ao facto de o projeto do CDS-PP "ser unilateral" ao centrar-se nas zonas do mundo em que os cristãos estão em minoria.

Já Pedro Filipe Soares criticou a resolução do CDS-PP por não incidir "verdadeiramente sobre a liberdade religiosa", razão pela qual "não merece apoio unânime da Assembleia da República".

"No projeto do CDS-PP não há qualquer condenação da 'islamofobia' e das práticas da extrema-direita europeia. Esquece, ainda, a intolerância face a cidadãos que não querem ter religião nenhuma", declarou o líder parlamentar do Bloco de Esquerda.

Pela parte do PSD, o deputado Carlos Abreu Amorim manifestou apoio à iniciativa do CDS-PP, defendendo a conceção filosófica de que "a tolerância religiosa é a essência da liberdade política".

Confrontada com as críticas da esquerda parlamentar, Ana Rita Bessa contra-atacou e acusou a esquerda "de preconceito" e o PS, em particular, de ter pretendido "impor" alterações ao diploma do CDS-PP.

Ainda em defesa da resolução do CDS-PP, Ana Rita Bessa citou posições de responsáveis mundiais da comunidade judaica de condenação das perseguições e crimes contra as comunidades cristãs, assim como posições do dirigente histórico socialista Manuel Alegre em defesa da liberdade.

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