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"IL é capaz de mudar. Mudando a IL vamos também conseguir mudar Portugal"

O liberal Tiago Mayan Gonçalves é o convidado do Vozes ao Minuto desta quarta-feira.

"IL é capaz de mudar. Mudando a IL vamos também conseguir mudar Portugal"

Tiago Mayan Gonçalves, cofundador da Iniciativa Liberal (IL) e ex-candidato presidencial, apresentou recentemente o manifesto 'Unidos pelo Liberalismo', que conta já com cerca de 400 subscritores.

Em entrevista ao Notícias ao Minuto, o atual presidente da Junta da União das Freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde reafirma a sua disponibilidade para se candidatar à liderança do partido, algo que só deverá acontecer em 2025, referindo que será "absolutamente coerente e consequente" com o que afirmou no dia da apresentação do manifesto.

O advogado diz que a "estratégia" é tornar o partido "mais capaz, mais atrativo, mais assertivo na sua comunicação", uma "alternativa com uma visão distinta e com forma de governança e de processos e de abertura distintos", que leve para a IL novos rostos, mas que proporcione também, "de forma natural", o regresso daqueles que por ele passaram e decidiram sair.

Entende que a atual Comissão Executiva, que permanece "presa aos velhos hábitos de gestão", "é muito centralizadora" e "opaca nas suas tomadas de decisão" e que um partido que "quer ser grande tem de mudar" estes processos, "cumprindo dentro do partido o que quer fazer para o país". Tiago Mayan Gonçalves considera ainda que há uma "enorme incapacidade de enfrentar os problemas dentro" da IL, desde logo em assumir que falhou os "objetivos eleitorais". No entanto, "não pessoaliza" estas críticas em Rui Rocha, o presidente. Em resposta à reação do líder liberal a este manifesto, deixa uma pergunta: "Rui Rocha já é (re)candidato à liderança do partido?".

Este manifesto afirma uma visão integrada para o partido, quer em mudanças estatutárias quer em termos de alternativa para a liderança

Não posso começar esta entrevista sem a pergunta mais óbvia e, provavelmente, aquela que todos querem ver respondida. Vai candidatar-se à liderança da Iniciativa Liberal?

Eu percebo que vocês façam as perguntas cujas respostas gostam de obter, mas também tenho o direito de tentar responder às perguntas que gostava de ver feitas. Tentando ser o mais claro possível, eu vou ser absolutamente coerente e consequente com o que afirmei no dia 8 [de abril]. Portanto, se eu estou a encabeçar e assumi esta posição pública de defender este manifesto e se este manifesto afirma uma visão integrada para o partido, quer em mudanças estatutárias quer em termos de alternativa para a liderança, isso significa que eu vou ser coerente e consequente com o que ali está. Portanto, penso que esta é a resposta. 

Então, caso essa candidatura avance e caso conquiste a liderança, pretende voltar a levar para a IL personalidades de maior destaque que, nos últimos tempos, vimos abandonar o partido, por exemplo Carla Castro ou José Cardoso?

Sim. Temos também de ter consciência clara de uma coisa: uma candidatura não se faz à volta de uma pessoa ou à volta de pessoas concretas. Uma candidatura faz-se à volta de uma visão, que é o que já começámos por apresentar, no dia 8. E, depois, faz-se também, com muito trabalho de preparação de uma moção e constituição de uma equipa capaz de implementar. Essa componente está por fazer, mas será feita e temos os nossos 'timings' dentro do partido para o fazer, porque as eleições a ocorrerem no seu tempo normal serão algures em janeiro de 2025.

Mas, antes, há um momento muito importante, que é uma convenção, em julho, destinada a discutir alterações estatuárias e estas são também muito relevantes para o que eu estou a descrever, porque o modo como nos organizamos enquanto partido tem impacto depois também no que conseguimos produzir em termos externos.

Em concreto, o que esta estratégia propõe é tornar o partido mais capaz, mais atrativo, mais assertivo na sua comunicação e, assim sendo, esperemos que seja de novo atrativo para muito mais gente - para gente que ainda não se juntou à Iniciativa Liberal, mas também para quem já cá esteve e entretanto se afastou. Mas a estratégia é essa, criar uma alternativa com uma visão distinta e com forma de governança e de processos e de abertura distintos. 

O meu foco não pode ser andar a pescar à linha a pessoa A,B, C, ou D. O foco de qualquer liderança tem de ser o de criar um partido abrangente e capaz de atrair todos

Mas o que lhe pergunto diretamente é se vai abordar essas pessoas. Vimo-lo elogiar, várias vezes, Carla Castro. Sabemos que esteve ao seu lado. Procurará essa abordagem? É uma pessoa que quer mesmo voltar a levar para o partido?

É a Carla que tem de decidir se quer ou não. A Carla afastou-se e apresentou as suas razões para isso. O que eu quero é um partido aberto e abrangente para que uma multiplicidade de pessoas se sinta atraída, nomeadamente quem já contribuiu e que se afastou por algum motivo. O meu foco não pode ser andar a pescar à linha a pessoa A,B, C, ou D. O foco de qualquer liderança tem de ser o de criar um partido abrangente e capaz de atrair todos. Portanto, não é com pesca à linha, não é uma preocupação que nos oriente. De facto, é a afirmação de uma visão distinta que, acredito, levará a que isso aconteça, mas de forma até natural. 

Refundar o partido? É uma questão muito clara e direta associada com princípios básicos, que são os princípios básicos do liberalismo, que são os princípios de separação e limitação de poderes, de 'checks and balances', de transparência, de descentralização

Essa visão distinta de que fala, esta ideia de querer "refundar" o partido, uma palavra que já usou e está expressa no manifesto, esta ideia de que é preciso uma mudança. Que mudança é esta? O que é que critica?

A questão da refundação do partido e, portanto, nós a fazermos apelo a retomarmos os princípios liberais, não é uma questão de discussão de 'liberalómetro' ou de divisão entre liberais. É uma questão muito clara e direta associada com princípios básicos, que são os princípios básicos do liberalismo, que são os princípios de separação e limitação de poderes, de 'checks and balances', de transparência, de descentralização. E todos estes processos e toda a nossa estrutura e toda a nossa governança está muito aquém do que um partido liberal tem de ser nestas matérias. Portanto, este é o primeiro aspeto de crítica. Nós temos, neste momento, um modelo de governança e uma Comissão Executiva que é muito centralizadora, muito opaca nas suas tomadas de decisão -  e isto tem de mudar - e também muito incapaz de envolver todas as estruturas do partido e de respeitar as autonomias de funcionamento de cada órgão, como o Conselho Nacional e como os grupos territoriais. E isso tem impacto.

Mas, por exemplo, em 2023, sob a presidência de Cotrim Figueiredo, já criticava uma gestão centralizada na IL. Ou seja, responsabiliza Rui Rocha e a atual Comissão Executiva por estas falhas que aponta ou é um problema que vem de trás? Porque estas críticas que hoje faz já o tínhamos ouvido, em parte, tecê-las.

Já. A questão é que temos de perceber o seguinte: o partido é, de facto, – pode não parecer – um partido muito jovem. Ele foi fundado em finais de 2017 e foi constituído, nas suas regras e nos seus processos, para um partido que era de 90 pessoas. Mas, naturalmente, o partido teve um grande sucesso e um grande crescimento, com base num trabalho acumulado de muita gente, e teve um crescimento exponencial nessa matéria, e fomos incapazes de acompanhar, em termos dos processos da governança, os novos desafios de liderança, nesse contexto. Acho que tem acima de tudo a ver com isso e depois também, naturalmente, no aspeto da liderança atual, a incapacidade de enfrentar isso e assumir uma governança e processos mais modernos e consentâneos com uma estrutura de partido – mais de 7.000 mil membros, mais grupos territoriais, com muitos membros válidos capazes de dar o seu contributo para o crescimento do partido.

Definitivamente, um partido se quer ser liberal e se quer ser grande, tem de mudar os seus processos e as suas regras super centralizadas e opacas. Portanto, é uma consequência de não termos feito avançar as nossas regras e os nossos processos em consonância com o crescimento que atingimos, mas depois também é ação muito direta da atual Comissão Executiva de permanecer presa aos velhos hábitos de gestão. É preciso uma nova cultura de gestão. E sim, há pelo menos um ano que vou apontando algumas dessas críticas.

A crítica, acima de tudo, não é aproveitada. (...) Há uma enorme incapacidade de enfrentar os problemas dentro do partido

Entende que não há capacidade para divergir? A crítica não é vista com bons olhos? Esta questão de dizer "temos de mudar", sente que não é aceite do outro lado?

Acima de tudo, não é aproveitada. Não vou só pessoalizar em mim, com certeza que há muitos membros do partido que têm opinião e a vão formulando. Qualquer membro tem de ter essa possibilidade de formular crítica, formular opinião dentro do partido, isto é o que é um partido liberal a funcionar. O que me parece é que há uma absoluta incapacidade de incorporar o que esteja apresentado nessas críticas, de enfrentar. Nomeadamente, nem sequer enfrentamos o facto de termos falhado nos nossos objetivos eleitorais – e já o fizemos três vezes – nem sequer a afirmação e o reconhecimento disso. Se nem conseguimos enfrentar os problemas, muito dificilmente conseguimos começar a resolvê-los, não é? Aí verifico, de facto, que há uma enorme incapacidade de enfrentar sequer os problemas dentro do partido.

Quem assume funções e quem assume responsabilidades tem de ter essa capacidade e essa responsabilidade de agregar e envolver todo o partido no desenvolvimento da sua estratégia e isso acho que tem continuamente falhado

E de onde é que nasce essa incapacidade? É um partido recente, como falou há pouco, e já com algumas guerras internas. Qual é a natureza desta questão?

Um partido, e um partido liberal por natureza, tem de ser plural. Eu não considero guerras internas haver opiniões distintas e candidaturas distintas em vários contextos. Isto não é guerra, isto é um partido plural a exercer, isto devia ser um sinal de um partido saudável. Agora, há processos em que escolhemos dirigentes e em que escolhemos os órgãos e são processos democráticos e está tudo bem nessa matéria. Quem assume funções e quem assume responsabilidades tem é de ter também essa capacidade e essa responsabilidade de agregar e envolver todo o partido no desenvolvimento da sua estratégia e isso acho que tem continuamente falhado.

Falou diretamente com Rui Rocha sobre estas questões e falhas que aponta?

Eu fui apontado, várias vezes, em vários momentos, internamente e em momentos públicos, estes problemas. Fi-lo na convenção eletiva, fi-lo ao preparar – e outros membros – uma proposta alternativa de mudança de estatutos, fi-lo também comentando em fóruns do partido, algumas críticas e algumas observações e alguns elogios que fui fazendo também. Portanto, dentro do que é o campo de ação de um membro de base, eu fui fazendo o que podia. 

Um membro de base tem muita dificuldade em participar de processos de decisão, um membro de base tem muita dificuldade em perceber, até, os contextos e os critérios para as decisões tomadas

Então só não foi ouvido?

O que um membro de base pode fazer neste partido é formular a sua opinião, isso é possível e deve continuar a ser possível e é isso que eu fui fazer. Agora, um membro de base tem muita dificuldade em participar de processos de decisão, um membro de base tem muita dificuldade em perceber, até, os contextos e os critérios para as decisões tomadas. Um membro de base tem muita dificuldade em saber o que ocorre dentro dos órgãos porque tem um acesso muito limitado a atas, por exemplo. Este tipo de coisas está fora do alcance de um membro de base e aí também é difícil que eu consiga ter uma intervenção mais intensa no que é o desenvolvimento da atividade do partido.

Nós, enquanto membro de base, vamos recebendo às vezes alguns pedidos de contributos para os programas, isto acontece, mas tipicamente é o preenchimento de um formulário relativamente ao qual depois nunca mais recebemos 'feedback'. Portanto, também há aqui uma possibilidade em que vamos contribuindo, mas que também se perde depois num vórtex de informação e também a partir daí está fora do nosso controlo perceber o que é que acontece com aquilo.

 O João Cotrim Figueiredo assumiu uma decisão pessoal, que eu só posso respeitar 

Cotrim era um melhor líder do que Rui Rocha?

Não vou fazer comparativos. Acho, acima de tudo, que o João assumiu uma decisão pessoal, que eu só posso respeitar, porque sendo uma decisão de caráter pessoal só a podemos respeitar, é algo do foro individual e só ele o pode fazer. E, a partir desse momento, tivemos de escolher uma nova liderança e a escolha foi feita. Não vou estar a fazer comparativos ou a construir futuros alternativos sobre o que podia ter acontecido se A,B, C não tivesse surgido. Houve uma decisão do João que eu tenho de respeitar e essa decisão implicou que tivéssemos de escolher uma nova liderança, que foi escolhida dentro do sistema que temos, que é uma convenção eletiva. Não há drama nessa matéria.

Agora, a partir daí e do momento em que tivemos uma nova liderança, que nomeadamente foi eleita com base numa moção de estratégia global sua, decidida por si e apresentada aos membros, o cumprimento de objetivos e o cumprimento mesmo de metas e ações dessa moção de estratégia global, é algo que qualquer membro tem o direito de escrutinar. E, portanto, também aí até no mero cumprimento de metas e ações previstas nessa moção de estratégia global tem havido, de facto, muito incumprimento. Estamos muito aquém do que estava exposto nessa moção de estratégia. E pronto, aliado ao que já fomos falando, de facto, neste momento, nós praticamente 400 membros da IL, estamos preocupados e estamos dentro do partido e queremos contribuir para o partido. Achamos que tem de haver esta nova divisão, esta nova estratégia e uma alternativa a esta liderança.

O que é que acha que falta a Rui Rocha em termos de liderança?

Insisto, já fomos falando todas estas questões. Esta Comissão Executiva assume-se muito centralizada, é muito opaca, tem dificuldade em executar o que ela própria se propôs a fazer, nomeadamente em aspetos de cumprimento de metas e ações previstas na sua própria moção de estratégia global, tem também dificuldade em enfrentar os problemas porque, perante três resultados eleitorais que não cumpriram os mínimos que nós próprios nos estabelecemos como partido, não conseguimos ver uma análise e ações corretivas ou um repensamento de estratégia.

Eu não pessoalizo no Rui [Rocha], porque o Rui é de facto o presidente da Comissão Executiva do partido, mas há toda uma Comissão Executiva e há toda uma estratégia que foi desenvolvida

Mas mais do que isso. Sabemos que o líder é, no fundo, a cara do partido.

Eu não pessoalizo no Rui, porque o Rui é de facto o presidente da Comissão Executiva do partido, mas há toda uma Comissão Executiva e há toda uma estratégia que foi desenvolvida ao longo deste ano, desde já há mais de um ano, aliás.

Se Rui Rocha coloca as coisas já num plano de concorrência, então, em suma, é porque ele já é candidato. Essa é uma pergunta até que deixo: o Rui já é candidato à liderança do partido? 

Sobre este manifesto, em específico, vimos Rui Rocha expressar-se muito pouco. Agradeceu a concorrência, mas não quis falar muito mais do que isso. Porque é que acha que Rui Rocha não falou do tema mais amplamente?

Não sei, terá de lhe perguntar a ele, mas se ele coloca as coisas já num plano de concorrência, então, em suma, é porque ele já é candidato. Essa é uma pergunta até que deixo: o Rui já é candidato à liderança do partido? Pergunto mesmo, porque para já não sei. Para já ainda não temos candidatos, na verdade, não é?

Quanto ao facto de fazer comentários parcos, eu percebo o comentário da concorrência e enquadro na tal questão do termos um partido plural, e isso eu concordo também com ele. É importante haver alternativas, é importante haver um partido com pluralismo, onde as pessoas possam afirmar pontos de vista distintos, e nesse aspeto, então vou concordar com o Rui que sim, de facto, é muito importante que exista.

Eu não deixo o partido porque é o meu partido, é o partido em que em termos de valores e princípios eu sempre me revi, eu fundei-o e ele não saiu dessa matriz

E o Tiago? Pelo facto de também estar descontente, pode-se assumir que o facto de não ter deixado o partido também é porque já estaria a pensar na possibilidade de se vir a candidatar à liderança?

Eu não deixo o partido porque é o meu partido, é o partido em que em termos de valores e princípios eu sempre me revi, eu fundei-o e ele não saiu dessa matriz, a tal que me fez acreditar nele.  Naturalmente que há altos e baixos em função de questões táticas ou de abordagens de liderança, mas isso é o evoluir de um partido per si, não é? E qualquer membro, não é só o Tiago, nem é só o Rui, qualquer membro da Iniciativa Liberal tem toda a legitimidade de, querendo, podendo ter essa motivação, de ser candidato a qualquer coisa que seja dentro do partido. Portanto, essa possibilidade existe para todos, não é só para o Tiago, nem só para o Rui.

Não teme que tudo isto afete os próximos atos eleitorais?

Não, de todo. Nem tem sentido nenhum enquadrar as coisas dessa forma, com toda a sinceridade. Nós, membros da iniciativa Liberal, e arrisco agora falar por todos - os que assinaram o manifesto e os que não assinaram o manifesto - todos nós vamos estar a contribuir para essas duas campanhas e para que o partido possa ter sucesso quer nas regionais da Madeira quer nas europeias, estou certo disso. Nós, acima de tudo, temos um objetivo comum a todos os membros da iniciativa Liberal que é tornar Portugal mais liberal. Agora, pode haver e há visões diferentes sobre como lá chegar.

Redução do IRS? Estou a ver coerentemente o Governo a apresentar 'ipsis verbis' o que estava no programa das legislativas e estou a ver também a afirmação da parte da Iniciativa Liberal, que considera que é aquém do que é necessário 

Gostaria também de falar consigo sobre a atualidade política e de saber a sua perspetiva quanto a algumas questões. Começo pela recente polémica em torno da redução do IRS. Sabemos que Bernardo Blanco, o já intitulado "miúdo estrela" da CPI à TAP, foi o primeiro a confrontar o ministro das Finanças com esta questão, no debate do Programa do Governo. Acha que este é o tipo de coisa que abona a favor do partido?

Não, acho acima de tudo que este episódio teve aspetos que tem a ver com a voracidade do gemido hoje em dia. Mas, em concreto, quanto à posição da Iniciativa Liberal representada, por exemplo, pelo Bernardo, e muito bem, quer, em concreto, quanto à posição do Governo, eu estou a ver a coerência. Estou a ver coerentemente o Governo a apresentar 'ipsis verbis' exatamente o que estava no programa das legislativas, não há nenhuma surpresa aí, e estou a ver também a afirmação da parte da Iniciativa Liberal, que considera que é aquém do que é necessário e que devia ser uma descida mais robusta.

Isto também foi o que sempre afirmámos em contexto de campanha eleitoral, portanto, só faz sentido que as posições sejam estas ao dia de hoje, porque são exatamente as que sempre foram assumidas. Nesse aspeto louvo a coerência, não só nossa, mas também do Governo nessa matéria. O restante, enfim, tem a ver com ruído, tem a ver com, se calhar, eficiências e falhas de comunicação. Acima de tudo, a essência do que aqui está em causa é um Governo coerente com o que prometeu e um partido, Iniciativa Liberal, também coerente com o que defendia.

A última semana ficou também marcada pela apresentação do livro 'Identidade e Família' por parte de Pedro Passos Coelho. Neste tema, Rui Rocha não deixou de criticar, mas acabou, de certa forma, por dizer que as posições que constam no livro devem ser manifestadas para que também as possa criticar. Houve aqui uma falta de clareza?

Eu, se bem me recordo das palavras do Rui, tenho de enquadrar isso de uma forma ligeiramente diferente. Há uma primeira coisa que não vou fazer, que é comentar um livro que eu não li. Portanto, essa é a primeira afirmação. E foi um bocadinho também o que o Rui disse. Agora, nós vimos nos media, nos órgãos de comunicação social, alguns trechos escolhidos pelos jornalistas de, supostamente, alguns dos autores naquele livro, que é uma coletânea de vários artigos. É o que eu entendi. Aliás, de pessoas com variadíssimos perfis. Havia trechos escolhidos e aí foi onde o Rui afirmou crítica, mas em relação aos trechos de determinados artigos. E aí sim, se lermos um artigo e o artigo formula um conjunto de opiniões, temos todo o direito de concordar ou discordar delas, não é?

Outro tema é comentar de forma geral um livro que eu nunca li e também, acima de tudo, atribuir trechos escolhidos de um livro a alguém que o apresente. Eu também não o vou fazer dessa forma. Portanto, a linha de base do que eu ouvi de declarações do Rui sobre essa matéria é precisamente isso. Nós estamos num país onde há liberdade de expressão. E liberdade de expressão é poder, então, estas coisas serem afirmadas, nomeadamente até para, uma vez afirmadas, poderem ser contrapostas e contra-argumentadas se nós, do nosso ponto de vista e do nosso quadro de valores, tivermos alguma discordância ou até discordâncias profundas nessa matéria. E isto é que é uma sociedade de livre e de livre expressão. É permitir, precisamente, até o confronto das ideias e não escondê-las porque também, depois, é difícil confrontá-las. Acho que, do que entendi da intervenção do Rui, ia muito nesse sentido e aí eu concordo.

Vou aproveitar que falou aqui em liberdade de expressão para pegar noutro assunto e que acho que encaixa bem nessa sequência, já que estamos também a falar de comunicação social. Recentemente, criticaram o tratamento jornalístico relativo à IL por parte de um órgão de comunicação social durante a campanha para as legislativas. Um partido que tanto advoga a liberdade não teme que esta postura possa ser interpretada como uma tentativa de condicionamento da liberdade jornalística?

Eu penso que sei a que se está a referir. Foi uma crítica dirigida diretamente a um jornalista que acompanhou a campanha do partido. Nesse aspeto em concreto, eu, de facto, discordo…

E ao órgão em si, não foi só ao jornalista.

Sim, discordo do que foi aquela posição tomada. Naturalmente que, se o partido acha que há uma avaliação injusta, pode afirmá-lo. Agora, o posicionamento que eu vi, de facto, não é consentâneo com o que eu defenderia.

Há esperança e há muita capacidade de mudança dentro do partido e, mudando o partido, vamos também conseguir mudar Portugal

Se pudesse deixar uma última mensagem sobre este manifesto, ou pelo menos que resuma também aos leitores, qual é a sua intenção, que palavras deixaria?

A Iniciativa Liberal é um partido que tem capacidade de crescer, é um partido que tem capacidade de agregar muito mais gente à sua volta e pode fazê-lo no respeito dos seus princípios e valores, mas tem de fazê-lo com uma outra atitude de abertura e com outra capacidade e outros processos de governança, portanto, cumprindo dentro do partido o que quer fazer para o país. Eu definiria só que há esperança e há muita capacidade de mudança dentro do partido e, mudando o partido, vamos também conseguir mudar Portugal.

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