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PSD critica Cravinho e fala em "contaminação" da "credibilidade política"

O PSD reagiu às informações que indicam que o ex-ministro da Defesa sabia da derrapagem no custo das obras no antigo Hospital Militar.

PSD critica Cravinho e fala em "contaminação" da "credibilidade política"

O vice-presidente do PSD, Paulo Rangel, comentou, este sábado, as recentes polémicas no Governo, nomeadamente a que envolve o ministro dos Negócios Estrangeiros, João Gomes Cravinho, e o facto de ter sido informado sobre os custos das obras no antigo Hospital Militar de Belém.

“Para o PSD, as Forças Armadas são o pilar da nossa soberania e a salvaguarda do seu prestígio e da sua integridade é uma prioridade indiscutível”, começou por afirmar Rangel, em conferência de imprensa.

Na sexta-feira, o jornal Expresso revelou que Gomes Cravinho foi informado em março de 2020, quando ainda era ministro da Defesa, de que o custo das obras estava a derrapar, apesar de o governante ter dito que desconhecia a derrapagem de mais de dois milhões de euros.

Para o PSD, trata-se de uma revelação “preocupante”, que “põe em causa as informações que o ex-ministro da Defesa fez na Assembleia da República”. “A gravidade destas revelações é, aliás, exponenciada pela circunstância do ex-ministro da Defesa ser agora ministro dos Negócios Estrangeiros, contaminando também a sua autoridade e credibilidade política à frente da nossa diplomacia, que é outro pilar da nossa soberania”, destacou.

O político acusou ainda Gomes Cravinho de ter mentido na Assembleia da República ao afirmar que “não” sabia do aumento do custo das obras. “Estas recentes revelações exigem um esclarecimento imediato e cabal do ministro dos Negócios Estrangeiros, antes ministro da Defesa, e do primeiro-ministro”, frisou.

Na ótica de Paulo Rangel, Cravinho “nada fez” para impedir a derrapagem e “conformou-se” com os custos. “Do ponto de vista político, a responsabilidade do ministro é evidente. Mas, até do ponto de vista jurídico, é possível que o seu silêncio tenha valido como deferimento tácito, validando aquele atropelo”, disse, acrescentando, contudo, que “o que conta é a responsabilidade política”.

Entre os esclarecimentos, Paulo Rangel disse que ao PSD importa perceber porque é que o ministro "ocultou o conhecimento do ofício" e o que "o levou a compactuar com a derrapagem das obras".

Questionado se o PSD iria pedir a demissão do ministro João Cravinho, o social-democrata afirmou que cabe ao primeiro-ministro, António Costa, "fazer esse juízo" e "assumir as responsabilidades".

"O senhor ministro dos Negócios Estrangeiros, por causa deste escândalo na Defesa que ele tinha conhecimento, e o senhor ministro das Finanças, por causa já da questão da indemnização de Alexandra Reis e agora por todas as questões que estão ligadas à situação do seu mandato na Câmara de Lisboa, estão muito condicionados politicamente. Estão fragilizados politicamente, mas cabe ao senhor primeiro-ministro fazer o juízo sobre que condições é que acha que dois ministros fundamentais do seu Governo têm para continuar", afirmou.

Destacando que para o PSD o ministro João Cravinho "está ferido", Paulo Rangel recusou a hipótese do PSD "cair na tentação, que alguns caem, de sacudir as responsabilidades para outros".

"Tem de ser o Governo a assumir que fracassou", acrescentou, dizendo que, enquanto a "degradação da situação económica e social dos portugueses é cada vez maior", o Governo está "ocupado a gerir a sua credibilidade e sobrevivência".

"[O Governo] está ocupado a lamber as suas próprias feridas", referiu.

Paulo Rangel criticou ainda o antigo ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, que "afinal sabia da indemnização de Alexandra Reis".

"Mas pasme-se, tinha-se esquecido de que sabia e de que autorizou, como se uma decisão desse tipo não tivesse de ser conversada com o seu secretário de Estado e chefe de gabinete, que também sabiam. Nada foi conversado, discutido, tudo se evaporou numa mensagem de 'Whastapp' entretanto redescoberta e ressuscitada", referiu.

As críticas do social-democrata estenderam-se também ao ministro das Finanças, Fernando Medina, que, disse, "voltou ao seu mantra político habitual" de que "tudo desconhece, nada sabe, está a leste de tudo o que se passa nos cargos públicos que teve de ocupar".

"O PSD não se conforma com este estado de apodrecimento progressivo do Governo e das instituições à frente das quais o Governo está. Nunca como hoje fez sentido aquela frase de Hamlet, 'há algo de podre no reino da Dinamarca', e o primeiro-ministro tem de responder por isso."

Recorde-se que, segundo o Expresso, que cita um ofício de março de 2020, com as obras já a decorrer, o diretor-geral de Recursos de Defesa Nacional (DGRDN), Alberto Coelho, hoje arguido por corrupção e branqueamento na Operação Tempestade Perfeita, informou o ministro sobre "trabalhos adicionais" que já somavam quase um milhão de euros extra.

[Notícia atualizada às 13h23]

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