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OE2023. Catarina Martins defende que é necessário "ouvir o país"

A coordenadora do Bloco de Esquerda apelou hoje ao Governo para que "ouça o país" antes de apresentar o Orçamento do Estado para o próximo ano e considerou que a ideia da maioria dialogante "ficou enterrada logo no início".

OE2023. Catarina Martins defende que é necessário "ouvir o país"

"A ideia da maioria dialogante como viram não tem nenhuma credibilidade, ficou enterrada logo no início como aliás sempre dissemos que assim seria. Mas é preciso ouvir o país, é preciso ouvir quem está desesperado porque o seu salário e a sua pensão está estagnado e os preços não param de subir", afirmou Catarina Martins.

A líder bloquista falava aos jornalistas durante uma ação do partido, em Lisboa, sobre o aumento do preço dos bens essenciais, tendo sido questionada se espera que o Governo se reúna com os partidos antes da entrega do Orçamento do Estado com vista a eventuais negociações, como acontecia anteriormente quando o PS não tinha maioria absoluta.

Catarina Martins defendeu que o país "deve ser ouvido porque a política e a decisão da política é muito mais do que aquilo que se pode fazer numa reunião de gabinete, é ouvir o país, e um país que possa dizer aquilo que quer".

"Ouçamos quem trabalha, ouçamos quem trabalha e tem tanta dificuldade em chegar ao fim do mês, e não continuemos a dizer que um dia talvez aconteça alguma coisa, enquanto as pessoas veem o gás a subir, a prestação da casa a subir, o supermercado cada vez mais caro e a sua pensão, o seu salário absolutamente estagnados", salientou.

A coordenadora do BE afirmou que "faz parte do formalismo do parlamento" o Governo reunir-se com os partidos da oposição para apresentar as linhas gerais da proposta do Governo para o Orçamento do Estado antes da entrega e disse estar "certa que haverá o respeito institucional".

Na ótica do BE, este "é o momento de impor tetos nos preços dos bens alimentares essenciais para que não falte o que é mais fundamental à mesa de quem trabalha" e é também "o momento, claro, de atualizar salários e pensões e deixar essa lengalenga absurda de dizer que não se pode atualizar salários e pensões porque isso provocaria a inflação".

"A inflação aí está, a maior dos últimos 30 anos, com salários e pensões estagnadas", disse.

Sobre a governação do atual executivo liderado por António Costa, a líder do Bloco considerou que "o balanço destes seis meses tem de ser o balanço do impacto que a governação tem na vida das pessoas".

E apontou que foram "seis meses de o Governo não responder às pessoas, de criar truques, de dizer que vai ajudar os pensionistas e depois afinal não vai ajudar nada e dá um aumento de 3,5% quando a inflação está em 9,5%".

"Este adiar, se deixa a vida mais difícil para quem vive do seu trabalho, é também um adiar que vai enchendo os bolsos a uma elite que tem tido lucros excessivos e que os distribui em dividendos em que são colocados fora do país", criticou, afirmando que "essa incapacidade de responder ao país, esse adiar as soluções na verdade é responder por uma elite", pois "enquanto a maior das pessoas que vive do seu trabalho está cada vez com mais dificuldade, estes grandes grupos económicos têm tido lucros excessivos".

Leia Também: BE exige solução para alojamento de estudantes, Costa mostra Orçamento

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