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Alianças entre direita e extrema-direita? "Vamos assistir noutros países"

O presidente da Assembleia da República perspetivou, esta terça-feira, que, a nível europeu, a "direita democrática" se vai aliar cada vez mais à extrema-direita, "se for esse o preço que tiver de pagar para voltar ao poder".

Alianças entre direita e extrema-direita? "Vamos assistir noutros países"

"Aquilo a que nós assistimos na Suécia, aquilo a que nós assistimos na Itália, vamos assistir noutros países, que é a direita democrática não ter nenhum pejo em aceitar a aliança com a direita extrema se esse for o preço que tiver de pagar para voltar ao poder", perspetivou Augusto Santos Silva.

O presidente da Assembleia da República falava na Associação 25 de Abril, em Lisboa, durante um almoço-debate em que foi questionado sobre as eleições legislativas deste domingo em Itália, ganhas pelo partido de extrema-direita Irmãos de Itália (Fdi), de Giorgia Meloni.

Santos Silva considerou que há "ensinamentos que é preciso retirar do ponto de vista das famílias políticas europeias", abordando designadamente o Partido Popular Europeu (PPE), a que pertence o PSD.

"Na minha opinião, quem não compreender que o que Angela Merkel fez na Alemanha é exceção e não a regra no comportamento do PPE, não está a compreender nada", considerou, referindo-se ao cordão sanitário imposto pela ex-chanceler alemã, que recusou qualquer acordo, a nível local ou nacional, com o partido germânico de extrema-direita AfD.

Na ótica de Santos Silva, Angela Merkel pagou "um preço eleitoral" devido à sua postura, mas salvaguardou a "pureza, a firmeza" e o "futuro dos democratas cristãos e conservadores alemães".

"Mas esse caso não é regra, é mais exceção", reiterou.

Quanto aos resultados das eleições legislativas italianas, Santos Silva quis fazer "duas constatações", começando por sublinhar que os resultados "foram absolutamente claros", tendo as "eleições sido transparentes" e "realizadas segundo todas as normas democráticas".

O presidente da Assembleia da República considerou assim que "não há nenhumas dúvidas sobre a vontade expressa dos italianos e, portanto, agora a líder do partido mais votado formará Governo e tem maioria, quer na câmara baixa, quer no Senado, para governar".

"Esperamos todos que o faça cumprindo as próprias obrigações do seu país, enquanto membro da União Europeia (UE). Essas obrigações são claras, são, aliás, obrigações que são a outra face da moeda de que a Itália beneficia imenso: basta pensar que a Itália é o país, dos 27, que tem uma maior dimensão do seu Plano de Recuperação e Resiliência (PRR)", sublinhou.

No que se refere à segunda constatação, Santos Silva realçou que "a direita não foi maioritária nas eleições", considerando assim que "foi a incapacidade de a esquerda se unir -- tendo em conta designadamente o facto de o sistema eleitoral italiano ser muito determinado por círculos uninominais a uma só volta -- que fez com que o conjunto dos partidos de esquerda seja minoritário na câmara dos deputados e no Senado".

"Estas constatações são ambas dolorosas para mim, visto que eu sou uma pessoa de esquerda", referiu.

No entanto, recorrendo ao seu conhecimento sobre "o funcionamento da União Europeia" e das obrigações dos 27 Estados-membros, Santos Silva considerou que a eleição em Itália não vai constituir "qualquer espécie de terramoto no funcionamento da UE".

"Reconheço que há nisto que eu digo uma parte de análise e outra parte de desejo, mas isso, quem faz análise política, sabe que, em política, a análise nunca é pura, há sempre uma componente de desejo que é associada à nossa análise", disse.

O partido de extrema-direita Irmãos de Itália (FdI), de Giorgia Meloni, venceu as eleições de domingo com 26 por cento dos votos, e a coligação que lidera obteve uma maioria clara no parlamento, segundo resultados finais publicados hoje.

A Liga, de Matteo Salvini, conseguiu 8,8% dos votos (contra 13% em 2018), e a Força Itália, do ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi, 8,1% (14% em 2018), de acordo com os números do Ministério do Interior, citados pela agência francesa AFP.

A coligação destes três partidos e de uma formação mais pequena com menos de 01% obteve 43,8% dos votos.

Estes resultados da coligação liderada por Meloni traduzem-se em 237 dos 400 lugares na Câmara dos Deputados, e em 115 dos 200 lugares no Senado.

O Partido Democrata (PD), de centro-esquerda, foi o segundo mais votado, com 19% dos votos nas eleições legislativas antecipadas.

Leia Também: Giorgia Meloni, de infância difícil à chefia de um governo italiano

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