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Há "um mar" que separa PCP e PSD, mas ambos culpam PS pela crise política

Rio diz que PCP defende o "orgulhosamente só". João Oliveira considera que o PSD não oferece uma possibilidade de um governo alternativo ao do PS. Há "um mar" que separa as duas ideologias, mas os dois concordam numa coisa: foi Costa o responsável pela crise política.

Há "um mar" que separa PCP e PSD, mas ambos culpam PS pela crise política

O debate transmitido, esta quarta-feira, pela SIC Notícias, a propósito das eleições legislativas antecipadas de 30 de janeiro, opôs PSD ao PCP, antigo parceiro do PS na Geringonça, mas acabaram os dois a atribuir as culpas pela crise política ao primeiro-ministro, António Costa.

O líder parlamentar do PCP, João Oliveira, que substituiu o secretário-geral do partido, Jerónimo de Sousa, neste debate, defendeu que o Governo "fez tudo para que o Orçamento não fosse aprovado".

"Já ninguém tem dúvidas de que o PS estava convencido de que se fossemos agora a eleições, teria maioria absoluta", atirou. 

"O Governo não se comprometeu com nenhuma medida concreta para o reforço do Serviço Nacional de Saúde. Durante uma pandemia, como é que se explica isso?", questionou ainda João Oliveira.

Rui Rio apanhou a boleia e carregou nas críticas contra António Costa. "Em relação ao Orçamento, subscrevo", afirma.

Apesar de reconhecer que faria o mesmo face às propostas do Partido Comunista, Rio sublinha que não estava naquela posição porque "não se colocou nas mãos" do PCP e sublinha que aquele partido defende as mesmas propostas desde 1975.

Quando o PS se meteu nas mãos do PCP sabiam perfeitamente qual é a lógica de funcionamento do PCP, um partido coerente. Já sabiam o que iam pedir. Colocou-se na mão do PCP, não pode colocar as culpas em cima do PCP."

Perante esta garantia, João Oliveira aproveitou para lançar farpas aos sociais-democratas: "Ainda faltam uns minutos mas acho que já disse a frase do debate: se eu fosse Costa também tinha recusado tudo o que o PCP pediu. Portanto, as pessoas têm aqui a resposta."

Para o deputado, esta é a prova de que o PSD não é uma alternativa viável para resolver os problemas do país. "Não podemos estar arrependidos de uma coisa que não provocámos", respondeu, quando questionado sobre o voto contra no Orçamento do Estado.

PCP diz que Rio "não é alternativa" e tem "propostas duvidosas"

Rui Rio começara o frente a frente admitindo que não sabia se este era, para si, o "debate mais fácil ou o mais difícil", já que "há todo um mar" que separa os dois partidos.

"Tudo aquilo que eu defendo ou que o PSD defende é precisamente o contrário do que o PCP defende", referiu, exemplificando com a defesa da iniciativa privada, menos défice, menos impostos, menos dívida, menos "elefantes brancos".

Para o Partido Comunista, a "grande solução de fundo para os problemas do país é um aumento geral dos salários" e não apenas do salário mínimo".

"É uma grande emergência nacional e a grande solução para os problemas do país", vincou João Oliveira, defendendo que os salários não aumentaram nos últimos anos "porque as propostas que existiam para isso não foram aprovadas pelo PS nem pelo PSD".

Assim sendo, para o líder parlamentar do PCP, "não há perspetiva que o PSD possa ser a alternativa" para que estes problemas possam ser resolvidos".

Em que é que o PSD pode ser alternativa àquilo que nos temos?, questionou.

João Oliveira criticou ainda o programa do adversário, referindo que o documento "tem propostas duvidosas" porque, em muitas delas, "o partido acabou de fazer o contrário daquilo que está a propor".

Rui Rio reconheceu que "o problema dos salários é um problema fundamental", mas prefere antes "dirigir a política a quem cria empregos" - as empresas. "É a produção que nos vai permitir uma maior procura e um maior consumo", defendeu.

O PCP quer sair do Euro. Dissolver a Nato. Nacionalização dos setores estratégicos. Restringir o capital estrangeiro… O PCP levava o país à pobreza", acusou Rui Rio. "O PCP defende o orgulhosamente só."

Já o comunista defendeu que "criar emprego e melhor emprego, não se faz com medidas dirigidas às empresas". "Nós temos de pôr o país a produzir com uma política orientada para os recursos que temos cá", sublinhou.

Sobre as pensões, Rui Rio disse que o PSD fará aumentos, particularmente nas pensões mais baixas, "sempre que a economia o permitir". João Oliveira lembrou que os comunistas conseguiram cinco aumentos consecutivos para as pensões mais baixas e queria também aumentar as mais altas, contudo "o PS não quis e o PSD também não deixou".

Substituição de Jerónimo é ensaio para a sucessão?

Questionado sobre se o facto de estar a substituir Jerónimo de Sousa nos debates, enquanto João Ferreira o substituirá nos primeiros dias de campanha, João Oliveira afastou a questão da sucessão do secretário-geral do partido.

"A substituição mais rápida que precisamos é a nossa pelo secretário-geral do PCP", garantiu.

Por seu lado, Rui Rio desejou uma recuperação "completa e rápida" a Jerónimo de Sousa, que será submetido a uma cirurgia de urgência à carótida interna esquerda na quinta-feira.

O líder do PSD admitiu ter "bastante simpatia pessoal" pelo dirigente comunista, que considerou ser "extremamente coerente". "Tomara que dentro do meu partido houvesse gente assim coerente", afirmou.

[Notícia atualizada às 23h02]

Leia Também: João Oliveira toma lugar de Jerónimo pela CDU nos restantes debates

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