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Comboio da campanha das europeias vai sair da estação rumo a Estrasburgo

Em ano de legislativas e marcado por mini-crises e vários protestos e greves, estas europeias vão medir o pulso ao Governo e aos partidos que se propõem como alternativa para outubro. Mas também à saúde de uma União Europeia cercada pelo populismo e pelo extremismo.

Comboio da campanha das europeias vai sair da estação rumo a Estrasburgo

Embora os partidos e os seus cabeças-de-lista já estejam em modo de campanha há algum tempo, oficialmente a campanha para as eleições europeias, do próximo dia 26 deste mês, vai arrancar a partir da meia-noite desta segunda-feira. A procissão já vai no adro e não é só a Europa que está em jogo, ou não estivéssemos nós em ano de eleições legislativas, marcadas para outubro.

E é em ano de eleições que o Governo enfrenta o seu período mais turbulento. O ano de 2019 tem sido marcado por vários casos que têm abalado o Executivo liderado por António Costa (como o 'Familygate') e pela contestação social, com manifestações, pré-avisos de greve e paralisações que têm testado o rumo traçado pelo Governo, e nomeadamente pelo ministro das Finanças, Mário Centeno (a recente crise com a questão da recuperação integral do tempo do serviço dos professores é exemplo disso).

Não é, por isso, de estranhar que os partidos da Direita estejam a todo o custo a tentar fazer descarrilar o candidato do PS às europeias. Paulo Rangel (PSD) e Nuno Melo (CDS) têm tido como alvo preferencial Pedro Marques e tem sido recorrente a ideia, que ambos têm ventilado, de que António Costa parece o verdadeiro candidato às europeias, sugerindo que tem aparecido mais do que o antigo ministro do Planeamento e das Infraestruturas, a quem Paulo Rangel apelida agora de ‘fake candidato’.

Por aqui se percebe que o destino deste comboio das europeias não é Estrasburgo, mas sim São Bento.

O Bloco de Esquerda aposta as suas fichas no reforço da presença no Parlamento Europeu, assim como a CDU. Embora haja pontos de divergência entre estes dois partidos, ambos convergem na perceção da necessidade de um projeto europeu diferente.

As paragens de campanha dos principais partidos

No lado do PS, António Costa será, sempre que possível, uma presença assídua ao lado de Pedro Marques nesta campanha. Entre as estações intermédias nas quais o comboio socialista vai parar, realce para as ilhas. Pedro Marques vai passar pela Madeira e pelos Açores, com o partido a vincar bem que é o único a apresentar em lugares elegíveis candidatos das duas regiões autónomas.

Quanto ao PSD, Rui Rio também vai acompanhar Paulo Rangel, mas principalmente na última semana de campanha, altura em que Rio poderá ser presença diária nos comícios e arruadas dos sociais-democratas. O comboio laranja vai andar por Lisboa e pelas regiões Centro e Norte.

Assunção Cristas também se vai sentar na carruagem de Nuno Melo, no que se espera ser uma campanha de proximidade do CDS-PP que vai andar por Braga, Faro, Bragança, Évora, Açores, Madeira ou Aveiro.

O comboio do Bloco de Esquerda vai passar por 13 distritos e Catarina Martins “estará presente praticamente todos os dias” ao lado de Marisa Matias.

A CDU (coligação que junta PCP e Verdes) vai fazer a sua campanha em territórios que lhe são favoráveis. João Ferreira vai concentrar-se na zona da Grande Lisboa, na margem sul, Setúbal e no Alentejo. Jerónimo de Sousa vai estar nos eventos mais “emblemáticos” e João Ferreira vai também contar com a companhia de dirigentes do partido ecologista.

A ameaça à estabilidade da Europa

Mas se estas eleições europeias assumem uma perspetiva nacional, a verdade é que se assumem como as europeias mais importantes dos últimos anos. Com o espectro do Brexit e com a ascensão de partidos populistas e de extrema-direita em vários dos países que fazem parte do bloco europeu, não é segredo que há um movimento eurocético cujo objetivo é criar fissuras e desagregar a União Europeia.

Steve Bannon, o estratega fundamental na eleição de Donald Trump, tem aconselhado vários partidos populistas e de extrema-direita. O Vox é um dos partidos que tem recebido conselhos de Bannon e Matteo Salvini, ministro do Interior italiano e líder do Liga do Norte, é um alvo constante dos seus elogios. 

Estas eleições europeias vão ser assim um teste à estabilidade do projeto europeu e às mudanças que a Europa enfrenta. O desfecho vai demonstrar o estado em que se encontra esta Europa unida.  

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