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"Depositamos em Marcelo a justiça que todas as vítimas merecem"

Familiares das vítimas dos incêndios de Pedrógão foram recebidos, esta terça-feira, pelo Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, em Belém.

"Depositamos em Marcelo a justiça que todas as vítimas merecem"
Notícias ao Minuto

17:42 - 01/08/17 por Andrea Pinto com Lusa

País Nádia Piazza

Foi em “resumo da missão que estamos a realizar que viemos dar a voz que faltava, a voz das vítimas mortais e dos feridos” da grande tragédia de Pedrógão Grande. Foi desta forma que Nádia Piazza, uma das promotoras da futura Associação de Familiares das Vítimas de Pedrógão Grande, explicou o porquê de se ter reunido, esta terça-feira, com o Presidente da República.

As expetativas eram altas e os resultados estiveram à altura”, afirmou, agradecendo logo depois “em nome das populações atingidas pelo grande incêndio, a todas as pessoas que bateram às nossas portas distribuindo bens, abraços e sorrisos”.

Contudo, o ponto fulcral centrou-se “no apuramento das responsabilidade do Estado” na tragédia, motivo que levou Nádia Piazza a afirmar que é em Marcelo Rebelo de Sousa que os familiares das vítimas “depositam a confiança da obtenção da justiça que todas as vítimas merecem”.

A delegação de familiares das vítimas do incêndio que deflagrou em junho em Pedrógão Grande, Leiria, causando pelo menos 64 mortos e mais de 200 feridos, apelou a uma investigação "independente e imparcial" no apuramento de responsabilidades.

"É um apelo dirigido àqueles que podem fazer história e que estão no terreno a investigar. Aos magistrados, aos inspetores da Polícia Judiciária, aos investigadores e cientistas da comissão técnica independente e aos investigadores do centro de estudos de incêndios florestais: que sejam independentes e imparciais, guerreiros incansáveis contra quaisquer dificuldades ou forças contrárias ao apuramento da verdade”, disse, rematando em seguida:

“Portugal é um Estado de direito e às vezes esquece-se de como foi viver nos tempos em que buscar justiça era sinónimo de oposição . Não é. Esta luta é de todos , cidadãos presidência, assembleia, governo e judiciária”.

A comitiva deixou ainda um outro apelo aos familiares das vítimas mortais, dos feridos e aos respetivos familiares para que contactem os elementos da futura associação.

"Juntos somos fortes, separados a nossa voz será esquecida e com ela os nossos entes falecidos, superada por uma versão institucional dos factos, fundamentada por um qualquer relatório dúbio", sublinhou Nádia Piazza.

Segundo a promotora, a audiência serviu para dar conta dos objetivos e da missão da associação que está a ser criada, assim como dar voz aos familiares das vítimas mortais e dos feridos, salientando que os resultados da reunião "estiveram à altura do momento" que vivem.

Um dos assuntos abordados com Marcelo Rebelo de Sousa foi a responsabilidade do Estado.

"Manifestámos ao senhor presidente a nossa preocupação relativamente às questões ligadas ao apuramento das responsabilidades do Estado nesta tragédia, sem deixarmos de abordar, naturalmente, as razões estruturais que nos conduziram até este momento negro da história recente portuguesa", relatou Nádia Piazza.

Durante a audiência, de mais de duas horas, os cinco representantes dos familiares das vítimas de Pedrógão Grande expressaram a "mais sentida revolta pela morte de tantas pessoas".

"Depositamos no senhor Presidente da República a nossa mais firme confiança na garantia da obtenção da justiça que todas e cada uma das vítimas merecem", vincou a também jurista, que deixou ainda um agradecimento.

"Agradecemos em nome das populações de Castanheira de Pera, Pedrógão Grande e Figueiró dos Vinhos, atingidas pelo grande incêndio, a todas as pessoas que bateram às nossas portas, distribuindo bens, abraços e sorrisos", afirmou Nádia Piazza.

O incêndio que deflagrou em Pedrógão Grande no dia 17 de junho, no distrito de Leiria, provocou pelo menos 64 mortos e mais de 200 feridos, e só foi dado como extinto uma semana depois.

Mais de dois mil operacionais estiveram envolvidos no combate às chamas, que consumiram 53 mil hectares de floresta, o equivalente a cerca de 75 mil campos de futebol.

O fogo chegou ainda aos distritos de Castelo Branco, através da Sertã, e de Coimbra, pela Pampilhosa da Serra e Penela.

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