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Pedrógão: Voluntários continuam a chegar, nem que seja para dar um abraço

Um mês depois do incêndio que deflagrou em Pedrógão Grande e da 'avalanche' de ajuda às populações, continuam a chegar pessoas um pouco de todo o país à zona afetada, seja para triar roupa ou para dar um abraço.

Pedrógão: Voluntários continuam a chegar, nem que seja para dar um abraço
Notícias ao Minuto

15:00 - 16/07/17 por Lusa

País Solidariedade

Nas primeiras semanas, muitas das aldeias que estavam habituadas a ver meia dúzia de carros a passar por dia registaram um movimento de viaturas pouco comum, para entregar roupa e comida, juntando-se também muitos voluntários pelos centros de recolha para fazer triagem de roupa e criar 'kits' de higiene ou de alimentação.

Um mês depois do início do fogo (17 de junho), que se alastrou a vários concelhos, a ajuda continua a chegar, mas a alimentação ou a roupa deixaram de ser uma prioridade (há até roupa em excesso) e as populações pedem outro tipo de coisas: sementes, plantas ou apenas o tempo de anónimos para ajudar na limpeza dos quintais ou anexos queimados.

Ana Pinto já vai na sua terceira visita ao território afetado. Desta feita, na companhia de mais sete colegas de uma escola de Coimbra, foi até Pobrais, Pedrógão Grande (distrito de Leiria), não para triar roupa ou para dar alimentos, mas para ouvir as pessoas.

"Mais do que dar o que quer que seja, queríamos estar com as pessoas. Mais importante do que os mantimentos, nesta fase, é o estar, o dar um abraço, o conversar", contou à agência Lusa a docente, frisando que as pessoas "têm sempre a porta aberta para falar".

Segundo Ana Pinto, as pessoas afetadas "dão muito valor a quem as ouve sobre aquilo que passaram".

Pela zona que sofreu o impacto das chamas, as professoras vão distribuindo por onde é necessário "companhia ou um abraço", sendo ajudadas por locais, que lhes apontam os sítios onde devem ir.

Foi com o intuito de escutar as pessoas que Eduardo Marques, em conjunto com assistentes sociais, criou o Centro de Escuta Ativa.

Equipas constituídas por assistentes sociais e psicólogos já se deslocaram ao terreno para ouvir as populações afetadas.

"As pessoas querem falar e querem ser escutadas. Precisam de atenção", frisou Eduardo Marques, de Coimbra, sublinhando que a resposta pretende estender-se no tempo, com atividades na área da arte-terapia ou na criação de oportunidades de negócio.

O coordenador do voluntariado da organização Médicos do Mundo na Castanheira de Pera, Paulo Silva, disse à Lusa que nesta fase o número de voluntários "esmoreceu um pouco", mas que, mesmo assim, se registaram mais de 100 voluntários na última semana.

Até 06 de julho, houve mais de mil voluntários envolvidos, mas o trabalho continua, seja na "preparação de 'kits', triagem de roupa, acolhimento de pedidos de apoio psicossocial, organização da dispensa, ajudar nas descargas ou ir para o terreno fazer levantamentos", explanou.

Pela Castanheira de Pera, Paulo Silva já encontrou "estudantes, assistentes sociais, pedreiros, canalizadores, psicólogos, enfermeiros, professores e gestores" que ajudam na missão de apoio às populações afetadas, alguns utilizando dias de férias ou fins de semana.

O responsável lançou ainda um apelo para que não se envie mais roupa, pedindo antes bens de limpeza e higiene, tintas ou sementes.

"Tem continuado a aparecer gente", nota Dina Duarte, de Nodeirinho, reafirmando a necessidade de plantas, flores e hortícolas, assim como ajuda para limpar "naquilo que é necessário".

Também Fátima Antunes, de Mó Pequena, em Pedrógão Grande, frisa que não é necessário nem roupa nem alimentação, antes "sementes e plantas" para a região voltar a ter verde.

"As pessoas estão cheias de mercearia para o mês todo", notou, apelando ainda a que os voluntários não se concentrem nas aldeias mais mediatizadas.

A residente da aldeia de Mó Pequena, que perdeu animais e muitas das suas plantas, sublinha que as pessoas até podem não levar nada: "Apenas deem um pouco do seu trabalho e ajudem a limpar os terrenos".

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