São-tomenses realizam teleconsultas de otorrinolaringologia via Lisboa

Portugal e São Tomé e Príncipe começaram hoje a realizar consultas, à distância, na especialidade de otorrinolaringologia, no âmbito de um projeto de telemedicina que permite realizar, anualmente, cerca de cinco mil consultas.

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País Saúde

A primeira consulta à distância nesta especialidade foi hoje realizada no hospital CUF Infante Santo, em Lisboa, tendo permitido ao diretor clínico, João Paço, realizar exames, diagnosticar e recomendar medicação a uma mulher, que se encontrava no hospital Dr. Ayres de Menezes, que se queixava de alterações da voz há seis meses.

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O projeto "Saúde para Todos" em São Tomé e Príncipe, executado pelo Instituto Marquês de Valle Flôr (IMVF) e financiado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros português, arrancou em 1988 e desde 2011 conta com a telemedicina, projeto no âmbito do qual são realizadas, por ano, mais de cinco mil teleconsultas em todas as especialidades, além de milhares de exames, ecografias e exames de radiologia.

A iniciativa abrange ainda missões em 23 especialidades médicas e envolve 27 hospitais e instituições de saúde portuguesas.

Na apresentação do projeto, o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva, sublinhou que "na raiz de tudo isto, está a cooperação, em que dois Estados soberanos se ajudam um ao outro e que permite honrar a história comum e construir um futuro também comum".

Este projeto, referiu, permite "vencer a barreira da distância e anular o tempo", além de "reduzir custos, aumentar a eficiência da ação e melhorar os resultados".

"Temos de cooperar mais uns com os outros, de humanizar mais, de ser o mais racional possível na afetação dos recursos para respondermos às nossas necessidades, temos de ser mais económicos, no sentido nobre da palavra", disse.

Na sessão, a secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, Teresa Ribeiro, defendeu que este projeto, que se baseia numa "plataforma de baixo custo", pode "ser transportado para outras regiões e outros países, onde a cobertura tecnológica é deficiente e esta plataforma pode responder e ultrapassar essas fragilidades".

"Esta conjugação de fatores é o que advogamos para a cooperação portuguesa: um cofinanciamento público e privado, nacional e internacional, um ´know-how´ partilhado por institutos públicos, por empresas, pela academia, e a ONGD [organização não-governamental para o desenvolvimento, o Instituto Marquês de Valle Flôr], que executa este programa", sublinhou.

Por São Tomé e Príncipe, a ministra da Saúde, Maria de Jesus Trovoada, sublinhou a importância desta cooperação para a formação de especialistas são-tomenses nas diferentes áreas da medicina, com vista à consolidação do serviço nacional de saúde no país.

Falando a partir de São Tomé e Príncipe, o presidente do IMVF, Paulo Freitas, destacou o considerável aumento da esperança de vida, para os 70 anos, naquele país, onde os indicadores de saúde são superiores à média da região.

A CUF colabora, desde 2001, com o IMVF na área da otorrinolaringologia, tendo realizado, em cinco anos, 20 missões a São Tomé e Príncipe, no âmbito das quais já foram feitos mais de mil rastreios e 500 cirurgias, revelou o presidente do conselho de administração da José de Mello Saúde, Salvador de Mello.

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