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Passos "misturou tudo numa caldeirada" para não "explicar o inexplicável"

O ex-ministro das Finanças Bagão Félix resume a polémica em torno das declarações do primeiro-ministro Pedro Passos Coelho numa única frase: É tudo demasiado estranho para esconder uma evidência de inconstitucionalidade”, escreve num artigo de opinião publicado na edição desta terça-feira do jornal Público.

Passos "misturou tudo numa caldeirada" para não "explicar o inexplicável"

Bagão Félix, que teve em tempos a seu cargo a pasta das Finanças do País, frisa que apesar da “estima” que nutre pelo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, as suas palavras dirigidas à classe de pensionistas “foram infelizes e abusivas”. “Juntou tudo numa espécie de caldeirada para que a mistura o desobrigue de explicar o inexplicável”, escreve o responsável no Público.

“Falou como se os reformados com longas carreiras contributivas fossem os culpados pelas regras determinadas, ao longo do tempo, pelos Governos”, prossegue o também ex-conselheiro de Estado, considerando uma pena que as declarações do chefe do Executivo, que foram “vibrantemente aplaudidas num congresso de jovens”, não tivessem sido feitas com os tais ‘pensionistas ricos’ de que falou”.

Para Bagão Félix, Passos Coelho, “propositadamente ou não, misturou pensões arduamente conquistadas por muitos e completos descontos, com pensões de reduzida base contributiva e pensões de nulo ou reduzido esforço com que empresas do Estado presentearam alguns quadros e gestores”. E continua: “Refere direitos sociais (bem) adquiridos como coisa de somenos, mas esquece os deveres adquiridos pelo Estado Social e não tem a mesma determinação com os direitos (mal) adquiridos em PPP e outras prebendas”.

Ora, nesta senda, entende o ex-governante, “ainda que subliminarmente e por meias-palavras, está-se a induzir uma certa ideia de fragmentação geracional e um ajuste de contas com os mais velhos”, sendo que, diz, este “‘filme’" vai continuar na apresentação da ‘factura etária’ incluída no tal corte dos 4 mil milhões de euros que aí vem...”.

Na opinião de Bagão Félix, “a Segurança Social de base contributiva caminha inexoravelmente para a destruição, engolida por um todo-poderoso Ministério das Finanças que tudo leva na enxurrada”. Pelo que, remata o responsável, “espero que o actual ministro - pessoa que muito prezo - tenha condições para lutar contra esta deriva e não venha a ser o certificador do óbito do Seguro Social, como pilar fundamental, ainda que não único, de protecção social”.

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