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Morte em 'disco' de português no Luxemburgo. "O meu marido não fez nada"

A vítima, de 35 anos, era natural de Longuyon, França, e estava a comemorar o Natal com colegas de trabalho e amigos. O segurança que tinha sido detido já foi libertado.

Morte em 'disco' de português no Luxemburgo. "O meu marido não fez nada"
Notícias ao Minuto

21:01 - 12/01/24 por Notícias ao Minuto

País Luxemburgo

A mulher do homem, de 35 anos, que morreu, no passado mês de dezembro, na sequência de um confronto com um segurança, numa discoteca em Pétange, no Luxemburgo, propriedade de um português, rejeitou que a tragédia tivesse tido origem numa "rixa" e que o marido "não fez nada", de acordo com os testemunhos que recolheu.

Em entrevista ao L'Essentiel, Faïza Aubry-Bouraï, mulher de Jonathan Aubry, disse estar "destroçada", recordando que esteve com o homem, francês que trabalhava no Luxemburgo, "durante 16 anos". Sobre a noite trágica, declarou: "Os testemunhos que recolhi são coerentes".

"Dizem que o meu marido não fez nada. Ele sofreu uma agressão mortal. Não foi ele que a provocou", afirmou.

Faïza soube da morte na manhã seguinte, através de uma mensagem do irmão mais novo. 

"O patrão do meu marido tentou telefonar-me por volta das 3 da manhã, mas eu não vi a chamada. Quando o meu irmão me contou, nem queria acreditar. Desmaiei. Gritei", recordou.

A mulher, que é psicóloga clínica e criminologista, denunciou ainda a falta de comunicação por parte da justiça luxemburguesa. "Eu e a minha família tivemos de ir à procura de informações. É inaceitável", contou, lembrando também as dificuldades para "recuperar o corpo". 

"Na morgue lutei para o poder ver, para que os meus entes queridos o pudessem ver. Atreveram-se a dizer-me que me estavam a fazer um favor. Foi doloroso", afirmou. 

O funeral realizou-se na sexta-feira, em Longuyon, França, e contou com uma multidão, um sinal que a família destaca como prova de que era uma "boa pessoa" e em resposta aos que o descreveram como "violento ou agressivo".

Quanto à discoteca, a mulher condenou o facto de o espaço ter aberto no dia seguinte à tragédia. "O mínimo que podiam ter feito era fechá-la", apontou

Advogados e família condenaram as tentativas de "pressionar e intimidar" Faïza e rejeitam os apelos à vingança.

"Cabe aos tribunais fazer o seu trabalho, não à opinião pública. Apelámos à calma e condenamos todas as pessoas que apelaram, aberta ou indiretamente, à destruição da Champs Elysées ou a violência contra este segurança", afirmou.

No entanto, a libertação do segurança, principal suspeito, foi "insuportável", descreveu.

"Estamos traumatizados. Suponho que esta pessoa pôde estar com a família na véspera de Ano Novo enquanto nós chorávamos", lamentou a mulher.

O advogado da família, Anthony Winkel, disse desconhecer os motivos da decisão. "Surpreende-me que tenha demorado mais tempo a devolver o corpo do falecido à família do que a libertar o arguido", criticou. "Mas o facto de ele ser libertado agora não significa que não venha a ser condenado mais tarde", elucidou. 

Recorde-se que, em comunicado, em dezembro, o Ministério Público do Luxemburgo confirmou que a morte ocorreu após "um confronto entre um segurança e um cliente da discoteca", na madrugada de 23 de dezembro. Este último "caiu ao chão de cabeça, e ficou gravemente ferido tendo morrido pouco depois". O estabelecimento onde tudo aconteceu, a discoteca Champs Elysées, é propriedade do português Nuno Sabugueiro que, estava de férias em Portugal, e que através das redes sociais lamentou o sucedido.

Na altura, o segurança, um homem, de 57 anos, foi detido e ficou em prisão preventiva, acusado de agressão e homicídio involuntário, mas foi libertado. 

Em declarações à estação RTL, um gerente, que não foi identificado, disse que tudo se tratou de "um acidente". "Estava visivelmente bêbado e a incomodar outros clientes. O segurança tentou acalmá-lo, mas não deu certo. Empurrou o segurança, que fez o mesmo para se defender. O cliente caiu e morreu", disse. No entanto, esta versão foi rapidamente contestada pela família.

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