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Gémeas? Marcelo "não fez o esclarecimento político cabal que se impunha"

Na ótica do jornalista, a intenção do chefe de Estado "era de louvar", ainda que tenha ficado aquém.

Gémeas? Marcelo "não fez o esclarecimento político cabal que se impunha"
Notícias ao Minuto

23:18 - 04/12/23 por Notícias ao Minuto

Política Miguel Sousa Tavares

O comentador Miguel Sousa Tavares considerou, esta segunda-feira, que o esclarecimento prestado pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, quanto à sua intervenção no caso das gémeas luso-brasileiras com atrofia muscular espinhal que foram tratadas com Zolgensma, um medicamento que custa mais de dois milhões de euros, no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, não deixou tudo ‘em pratos limpos’.

Na ótica do jornalista, a intenção do chefe de Estado "era de louvar", ainda que não tenha feito "o esclarecimento político cabal que se impunha, sobretudo da atuação do seu filho e dele em relação ao filho, porque é difícil de acreditar que, depois disto, nunca mais tenha querido saber do destino das gémeas".

"Enquanto estiver a exercer funções, a legitimidade é indiscutível. Agora, se tem a mesma autoridade política e moral, é completamente diferente. Ele próprio terá de fazer esse juízo, a opinião pública fará esse juízo. Acho que ele tinha não uma legitimidade, mas uma autoridade política, hoje, até às 18h00, e outra diferente a partir das 19h00", apontou o escritor, no seu espaço de comentário na CNN Portugal.

É que, de acordo com Miguel Sousa Tavares, "aquilo que o Presidente fez foi um levantamento do caso tal como existente em Belém".

"Nesse aspeto, tem duas coisas a favor. Uma já conhecíamos, é o email em que responde ao doutor Levy Gomes, dizendo que ninguém tem tratamento a favor num Serviço Nacional de Saúde (SNS) e, por maioria de razão, um filho do Presidente. A outra é a carta que o chefe da Casa Civil enviou para o filho de Marcelo, dizendo que, segundo o Hospital de Santa Maria, têm prioridade de tratamentos os portugueses residentes em Portugal e, portanto, o processo dele vai ter de esperar muito tempo", concretizou.

O email do filho e a (não) intervenção. Marcelo esclarece caso das gémeas

O chefe de Estado convocou os jornalistas para uma declaração no Palácio de Belém, esta segunda-feira.

Daniela Filipe | 18:15 - 04/12/2023

Para o comentador, "o caso teria morrido aí no que respeita ao Palácio de Belém", se tudo tivesse ficado por aí. Ao invés, "não estamos próximos de poder concluir que Marcelo teve um empenho direto ou uma influência direta num tratamento que, indiscutivelmente, foi de favor e de privilégio das duas gémeas", disse, ressalvando que "não ficou tudo esclarecido".

"Quando Marcelo diz que teve conhecimento do caso através de um email do filho, ele não diz o que é que o filho lhe pede nesse email. Ele só diz que o filho lhe contou o caso, mas como é que acaba o email? Pede-lhe que intervenha? Pede que se informe? Pede que ajude?", questionou.

Miguel Sousa Tavares indicou ainda que o chefe de Estado fugiu "três vezes à mesma pergunta", nomeadamente se alguma vez falou pessoalmente com o filho sobre o assunto.

"Marcelo escuta três vezes a pergunta; duas faz-se de esquecido e a outra faz-se de desentendido e não responde. E essa pergunta era determinante para saber se ele se interessou pela sequência do caso", apontou.

Na visão do escritor, a "chave do enigma" está, a partir de agora, junto do "secretário de Estado e do Ministério da Saúde", sendo que "é preciso saber quando é que começa a intervenção de [António] Lacerda Sales, porquê que existe, em que é que se consubstanciou além da marcação da consulta, e porquê que o fez".

"Marcelo passou a bola para a presidência do Conselho de Ministros, daí para o Ministério da Saúde, e foi a partir do Ministério da Saúde que tudo se acelerou neste processo que se passou de forma completamente anormal", rematou.

De notar que, segundo confirmou a Procuradoria-Geral da República (PGR) ao Notícias ao Minuto, "o processo encontra-se em investigação no Departamento Central de Investigação e Ação Penal Regional de Lisboa e, por ora, não corre contra pessoa determinada". O caso está também a ser averiguado pela Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS), além de ser objeto de uma auditoria interna no Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Norte, do qual faz parte o Hospital de Santa Maria.

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