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São Tomé e Príncipe. Há quem espere por ser adulto para ir para Portugal

O são-tomense Camis Santos tem 17 anos, está a menos de duas semanas de ser adulto e já sabe qual é o presente: emigrar para Portugal, aproveitando o visto da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

São Tomé e Príncipe. Há quem espere por ser adulto para ir para Portugal
Notícias ao Minuto

13:51 - 04/09/23 por Lusa

País São Tomé e Príncipe

"No dia 18 de setembro faço anos e vou logo à embaixada pedir o visto. É o que eu quero e depois quero tirar a minha mãe daqui", diz, num intervalo de lavar mais um carro no centro da capital são-tomense.

"Vou procurar trabalho, faço tudo. Também posso ir estudar. Quero é ir para Portugal", afirma, entusiasmado com o paraíso que acredita existir na Europa.

A irmã, mais velha e casada com um português, vive em Sintra e já lhe prometeu ajudar a procurar trabalho. O objetivo é retirar a família toda do país. "A minha mãe merece descansar, já nos ajudou muito e agora é a nossa vez", diz Camis.

Ruben, de 15 anos, partilha o mesmo sonho. "Vou também, porque aqui não há emprego e as dobras (moeda nacional) não servem para nada", explica, com um sorriso de entusiasmo e roupa desportiva, entre as quais uns Air Jordan visivelmente contrafeitos.

A entrada em vigor do acordo de mobilidade da CPLP em janeiro acelerou a procura de vistos para Portugal. São Tomé e Príncipe, um país muito jovem com a maioria da população menor de idade, olha para a antiga potência colonizadora como um sinal de esperança.

"A pandemia foi muito dura, não havia turistas, não havia nada e não conseguíamos vender as nossas coisas. E passámos dificuldades", responde Maria da Anunciação, vendedora de banana frita no mercado da capital são-tomense.

Dos quatro filhos, dois estão em Portugal. Mas Maria da Anunciação não quer emigrar. "Cuidei da minha mãe até há pouco e agora estou velhota demais para ir para lá", justifica.

"Nota-se uma grande procura de vistos e temos tentado dar resposta", afirma António Caetano, responsável pelos serviços consulares da embaixada de Portugal.

Portugal atribui vistos nacionais na embaixada e vistos para o espaço Schengen no Centro Comum de Vistos, tendo já atribuído um total combinado de 12 mil documentos.

"Que se pode fazer? A mobilidade faz sair os nossos melhores. Dantes era preciso apresentar motivos ou capacidade financeira, hoje basta pedir", refere um governante são-tomense.

A perda dos melhores quadros constitui um novo desafio para São Tomé, admitiu o mesmo governante. "Temos de trabalhar melhor, criar condições, caso contrário, isto fica vazio, ficam só os velhos", desabafou.

Camis não acredita nessas promessas. "Os políticos falam, falam. Mas nada acontece. Arranjam umas coisas mas não há mais nada. Quem tem sorte é quem trabalha nos hotéis, mas para isso é preciso falar estrangeiro e eu não sei".

Por isso, o seu futuro está decidido: ir para Portugal.

"Lá, eu consigo pagar um quarto com o ordenado a trabalhar na construção. Aqui não dá para nada. Somos sempre pobres, sem nada", diz Camis.

Rubens, calçado com as Air Jordan contrafeitos, concorda e resume: "O nosso futuro é Portugal".

Leia Também: São Tomé. Portugal já emitiu mais 33% de vistos até agosto do que em 2022

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