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Guardas prisionais em protesto contra carreira estagnada

Dezenas de guardas prisionais realizaram hoje uma vigília diante do Ministério da Justiça (MJ), protestando contra a estagnação da carreira e o défice de pessoal nas cadeias e acusando o Governo de "falta de diálogo".

Guardas prisionais em protesto contra carreira estagnada

Num momento em que decorre já uma greve do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional (SNCGP) às diligências não urgentes dos reclusos, Carlos Sousa, presidente do SNCGP, justificou à Lusa a convocação desta vigília com a necessidade da "tutela em ouvir as reclamações" dos guardas prisionais, uma vez que o MJ ainda não respondeu ao pedido de audiência do sindicato.

"Viemos cá mostrar o nosso descontentamento", disse o dirigente sindical, queixando-se de que a carreira da guarda prisional está estagnada e parada, havendo "guardas com 22 anos à espera de promoção".

Outras das reivindicações da guarda prisional prende-se com a existência de "um sistema de avaliação vetusto", que, segundo Carlos Sousa, contém inclusivamente alguns preceitos ilegais.

Observou ainda que há uma série de regulamentos que devia ter sido elaborados e publicados em 2014, considerando o SNCGP que, em 2022, já era altura de serem aprovados e publicados.

Nas palavras do presidente do SNCGP, o "maior busílis" para os guardas prisionais é contudo a "falta de guardas", uma vez que pelo mapa de pessoal deviam existir quase cinco mil guardas e o número é de cerca de 4.100.

Além disso - indicou - os concursos para guarda prisional abrem e não há candidatos suficientes para preencher as vagas, na medida em que a carreira não se mostra atrativa devido à estagnação a que tem sido sujeita.

Carlos Sousa defende que a tabela remuneratória da guarda prisional tem que ser revista sob pena de "dificilmente se arranjarem candidatos" à profissão.

Referiu a propósito que o défice de guardas ronda os 800 elementos, mas que a situação vai agravar-se nos próximos dois a três anos, porque outros 800 guardas estarão em condições de se reformar.

Dizendo ser intenção do SNCGP "estabelecer pontes de diálogo" com o Governo, os dirigentes sindicais iam entregar hoje de manhã um documento no Ministério da Justiça, que contém as principais reivindicações da classe.

Questionado pela Lusa, o presidente do SNCGP mostrou-se esperançado que com a entrada em funções do novo diretor-geral dos Serviços Prisionais, Rui Abrunhosa Gonçalves, isso possa fomentar e alavancar "novo diálogo" para a resolução dos problemas.

Caso a situação da guarda prisional não seja revista em tempo útil, Carlos Sousa admite que haverá uma intensificação das formas de luta, mas vincou que, neste momento, o sindicato aposta no diálogo, tanto mais que o secretário de Estado da Justiça já reconheceu que o sindicato "tem razão em certos assuntos".

Contudo, advertiu, dar razão "não basta" e é preciso que a tutela "assuma a sua quota-parte" na resolução dos problemas da guarda prisional.

Leia Também: Greve adia julgamento de grupo acusado de assaltar lares

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