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  • 21 OUTUBRO 2021
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Qualidade do ar na Madeira pode sofrer alterações a partir de 4ª feira

O vulcão Cumbre Vieja, nas Canárias, entrou em erupção no domingo, dia 19, e pode afetar o arquipélago da Madeira.

Qualidade do ar na Madeira pode sofrer alterações a partir de 4ª feira

O vulcão Cumbre Vieja entrou em erupção no domingo na zona de Las Manchas, depois de mais de uma semana em que foram registados milhares de sismos na região.

Sabendo-se que a erupção do vulcão na ilha de La Palma pode prolongar-se durante semanas ou meses, segundo a previsão do diretor do Instituto Vulcanológico das Canárias, por cá, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) alerta que as cinzas vulcânicas podem chegar à Região Autónoma da Madeira

Numa atualização feita esta segunda-feira, o serviço meteorológico português refere que irá manter-se até quarta-feira vento do quadrante norte, "pelo que o transporte de CO2 e SO2 não deverá ser significativo". 

Contudo, a partir desse mesmo dia "está previsto a rotação do vento, que passará para o quadrante sul pelo, pelo que poderão ocorrer alterações da qualidade do ar", avisa o IPMA. 

Cinzas na Madeira? A possibilidade existe, mas é "pouco provável"

Em declarações à Lusa, contudo, a meteorologista Maria João Frade, do IPMA, disse ser pouco provável que as cinzas cheguem à Madeira, ainda que a possibilidade exista. 

Tendo em conta a  previsão para a Madeira para os próximos dias (vento norte ou nordeste) e uma vez que as Canárias ficam a sul da Madeira, "não é provável" que cheguem cinzas vulcânicas às ilhas portuguesas, situadas a menos de 500 quilómetros de La Palma. 

A alterar-se este cenário será a partir de quarta-feira. Segundo a meteorologista, na quarta-feira, ao final do dia, "e mesmo no início de quinta-feira, dia 23, há uma possibilidade de se aproximar uma depressão, mas isto é apenas a muita altitude, nos níveis muito altos", que tem "uma componente de su-sudoeste", mas mesmo assim, continuará a ser "muito pouco provável" algum efeito na Madeira.

Para que as cinzas vulcânicas das Canárias chegassem à Madeira ou fossem empurradas neste sentido, "era preciso que houvesse uma densidade significativa de cinzas nessa altura, era preciso que as cinzas que estão neste momento sobre a região do vulcão conseguissem penetrar até estes níveis tão altos e que o vulcão provavelmente continuasse em erupção", explicou Maria João Frade.

"Há aqui uma série de fatores, é uma conjuntura que era necessária para que apenas com uma componente de sul nos níveis altos da atmosfera as cinzas pudessem chegar à Madeira. Portanto, é muito, muito, pouco provável", sublinhou a meteorologista.

"No entanto, é evidente que o IPMA acompanha a situação, acompanha as previsões", realçou.

Em declarações à RTP, a secretária de Estado das Comunidades adiantou que há oito portugueses identificados que residem na zona dos três municípios afetados pela erupção do vulcão. No entanto, não consta que estes cidadãos necessitem de ajuda de qualquer dito, para já.

Quanto aos turistas, Berta Nunes disse ainda não haver informação da existência de portugueses no grupo de 500 que estão a ser retirados do território. Caso haja algum cidadão nacional na região e que ainda não tenha sido identificado pelas autoridades, a secretária de Estado aconselha-os a contactar o gabinete de emergência consular por email ou por telefone (no portal das comunidades).

Em toda a ilha de Palma, concretizou a secretária de Estado, residem cerca de 60 portugueses, tendo garantido Berta Nunes que o Governo está em permanente contacto com as autoridades locais, a acompanhar o desenrolar da situação. 

Cumbre Vieja de La Palma, que entrou em erupção no último domingo, é um dos complexos vulcânicos mais ativos das ilhas Canárias, sendo o responsável por duas das três últimas erupções nas ilhas, o vulcão San Juan (1949) e o Teneguía (1971). As autoridades espanholas preveem retirar das zonas de La Palma mais expostas à erupção do vulcão entre cinco e dez mil pessoas.

Os fluxos de lava, que há horas descem das encostas do vulcão, avançam a aproximadamente 700 metros por hora, com uma temperatura de 1.075 graus Celsius, de acordo com o Instituto Vulcanológico das Canárias (Involcan).

As autoridades locais já iniciaram a evacuação de vários bairros dos municípios de El Paso, Los Llanos de Aridane e Tazacorte, em antecipação ao avanço da lava.

A Guardia Civil mobilizou mais de 120 agentes, de diferentes unidades, para fazer face à situação. As autoridades referem que há várias estradas afetadas pela erupção, estando algumas delas encerradas ao tráfego por precaução. A erupção pode prolongar-se semanas ou meses, prevê o diretor do Instituto Vulcanológico das Canárias. 

Portugal já se mostrou disponível para ajudar Espanha, tendo António Costa enviado uma mensagem de solidariedade ao seu homólogo espanhol, Pedro Sánchez. 

Leia Também: UE ativa programa de observação por satélite para vulcão nas Canárias

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